Tak Matsumoto Group

maio 9, 2009

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Tak Matsumoto

Tak Matsumoto

Antes de falar desse projeto, é necessária uma pequena introdução sobre quem é Tak Matsumoto. Esse nome, que pode não significar nada para quem vive no mundo ocidental, é o líder/guitarrista/compositor/produtor de um dos grupos de maior sucesso do rock japonês, o B’z. Frequentemente citado como uma espécie de Aerosmith japonês, o grupo já vendeu mais de 80 milhões de cópias de seus discos só na terra do sol nascente. A razão de seu sucesso é a versatilidade de Tak, que toca jazz, blues, funk, metal e hard rock, tudo temperado com influências asiáticas.

Em 2003, decidido a fazer um projeto que soasse ao mesmo tempo com um pé no hard rock tipicamente americano, mas sem perder a influência japonesa, Tak chamou o cantor Eric Martin (Mr. Big), o baixista/cantor Jack Blades (Night Ranger, Damn Yankees) e o baterista Brian Tichy (Ozzy Ousborne, Slash’s Snakepit) para contribuir em um álbum.

tmgO resultado foi o primeiro, e até agora único, disco do Tak Matsumoto Group, intitulado simplesmente como TMG I. Para promover o álbum, houve uma pequena turnê ao redor do Japão, culminando com um show no lendário Budokan. Como Brian Tichy não poderia participar, foi chamado para seu lugar o baterista Chris Frazier, atualmente membro do Whitesnake. O registro dessa turnê pode ser visto no dvd Dodge The Bullet, lançado em dezembro de 2004, infelizmente restrito às terras japonesas.

O álbum tem como destaque principal a incrivel habilidade de Tak na guitarra, com riffs marcantes e linhas melódicas melhores do que muitos trabalhos da era de ouro do hard rock, os anos 80. Outro mérito foi trazer Eric Martin de volta ao campo onde atua melhor, isso é, no hard rock baseado em guitarras. O vocalista, que em sua carreira solo foca no lado mais pop e romântico, aqui apresenta uma performance digna de seus melhores trabalhos no Mr. Big.

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As músicas que se destacam são Oh Japan – Our Time is Now, que abre o álbum de maneira excelente, a pesada Kings for a Day, a oitentista Wish You Were Here e a oriental The Greatest Show On Earth. Vale ainda citar Trapped, a excelente Wonderland e Never Good-Bye, que fecha o álbum com chave de ouro e deixa aquela vontade de que o grupo tivesse produzido mais material.

Infelizmente não há sinal de que um novo disco do projeto possa surgir num futuro tão próximo. Tak Matsumoto continua com seu trabalho de sucesso no B’z, Jack Blades está de volta ao Night Ranger, e Eric Martin recentemente anunciou a volta do Mr. Big em sua formação original. Felizmente, por mais que o projeto tenha durado pouco, teve como fruto um excelente disco, recomendado principalmente para os fãs de hard rock na linha Mr. Big.


Jeff Buckley

abril 25, 2009

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banner_musicabuckley-01Jeff Buckley é um daqueles músicos que teve uma passagem breve, tanto pela vida quanto pelo sucesso, mas que de alguma forma deixaram uma marca pessoal na história da música. Um dos raros casos de filhos de músicos famosos que possuem talento na mesma área de atuação de seu pai, Jeff é filho de Tim Buckley, músico conhecido por utilizar sua voz como principal instrumento de trabalho, cuja carreira abrange estilos como o pop, o folk e o rock experimental.

Interessante notar que o contato entre pai e filho foi bastante reduzido, tendo Tim visto seu filho apenas uma vez após se divorciar de sua mãe. Apesar de ter seguido o caminho da música, influenciado principalmente por sua mãe, uma pianista clássica, e seu padrasto, que lhe apresentou logo cedo a música de Led Zeppelin, The Who, Jimi Hendrix e Pink Floyd, inicialmente Jeff Buckley optou pelo posto de guitarrista, se recusando a cantar. O maior motivo era evitar comparações com seu pai, e tentar conquistar fama por seus próprios méritos.

Ironicamente, a ascensão ao sucesso veio após aceitar um convite para cantar num show tributo à Tim Buckley. Segundo Jeff, o objetivo de participar de tal tributo não era tentar conseguir fama à custa do nome de seu pai, mas sim resolver alguns problemas de ordem pessoal. Após o concerto, passou a se apresentar regularmente no café Sin-é no East Village de Nova Iorque. Seu repertório consistia de covers de rock, folk, R&B, blues e jazz, com a aparição constante das músicas em que trabalhava para seu lançamento próprio e que já haviam aparecido no demo Babylon Dungeons Sessions.

Grace

Grace

Os shows que fazia no Sin-é logo atrairam a atenção das gravadoras, anciosas por ter um talento como o seu constando em seu catálogo de artistas. Jeff assinou um contrato com a Columbia Records, que logo tratou de lançar no mercado o disco Live at Sin-é, retrato das apresentações de Buckley nesse período. Em 1994, dois anos após a assinatura do contrato, durante a turnê de divulgação do disco ao vivo, foi lançado o único disco de estúdio oficial de sua carreira: Grace.

O grande mérito de Grace não é somente apresentar o ótimo vocal e a excelente capacidade de interpretação que Jeff Buckley possuia, mas sim ter a cara de um álbum não de um artista iniciante, mas sim de alguém já bastante experiente na área. Grace é um dos poucos álbuns que abrem não só com duas ou três faixas excelentes, mas sim um que consegue manter esse ritmo por suas 7 primeiras faixas. Para um disco de 10 faixas, ainda mais de um artista iniciante, isso é no mínimo surpreendente.

Díficil falar de uma faixa específica que mereça atenção, pois o disco é daqueles que merece ser ouvido do começo ao fim, sem interrupções. Mas devo citar, como minhas favoritas, a faixa de abertura, Mojo Pin, a extremamente tocante Last Goodbye e a emocionante Lover, You Should’ve Come Over. Também vale citar a versão de Hallelujah, escrita por Leonard Cohen e a faixa Eternal Life. Em 2004, o disco foi relançado em sua Legacy Edition, contendo versões alternativas para algumas músicas, além de adicionar algumas gravações de estúdio não utilizadas com material inédito.

buckley-03O trabalho de divulgação de Grace seguiu por um ano e meio após seu lançamento. Apesar de suas vendas lentas, o álbum alcançou o disco de ouro na França e Austrália nos dois anos seguintes a seu lançamento. Em 2002, finalmente atingiu o disco de ouro nos Estados Unidos e no mesmo ano atingiu seis vezes o disco de Platina na Austrália. Após o fim da turnê, em 1996, Buckley começou a trabalhar em seu segundo álbum, intitulado My Sweetheart The Drunk, que nunca seria concluído.

Na noite de 29 de maio de 1997, enquanto esperava que sua banda voasse até o estúdio em Memphis onde estavam trabalhando, Jeff Buckley foi nadar no Wolf River Harbor, acompanhado pelo roadie Keith Foti. Após o roadie ter se afastado, para evitar que o rádio e a guitarra de Buckley se molhassem, notou que este havia sumido. Apesar dos esforços de equipes de resgate, seu corpo foi encontrado somente no dia 4 de junho.

A morte de Jeff Buckley, como a de todo artista promissor cuja vida é interrompida antes do previsto, não significou o fim de lançamentos com seu nome. Foram lançados diversos discos ao vivo, além das gravações não finalizadas de My Sweetheart the Drunk. Além disso, tanto Grace quanto Live at Sin-é foram relançadas com diversos extras, nas chamadas Legacy Edition. Apesar de soar como oportunismo por parte da gravadora (o que não deixa de ser em parte), o lançamento desse material só mostra uma vez mais o talento que Buckley possuia, que com o tempo poderia atingir níveis ainda maiores.

Em meio à diversos artistas descartáveis que surgiram na década de 1990, Buckley merece destaque pelo sua qualidade, e por não ter se rendido à moda do grunge, tão presente nessa época. Isso talvez explique a relativa falta de sucesso que obteve durante sua curta carreira, pois se recusava a seguir tais modismos. Recentemente seu trabalho vem sendo redescoberto, principalmente devido ao lançamento das Legacy Editions, que finalmente estão trazendo o tão merecido reconhecimento que Jeff Buckley não teve durante a vida.