Kick-Ass

abril 1, 2010

Quadrinhos baseados nos efeitos que super heróis poderiam ter sobre o mundo caso fossem reais não são nenhuma novidade. Basta lembrar que Watchmen, um dos grandes clássicos dessa mídia, utiliza como ponto de partida a existência de vigilantes em uma realidade bastante semelhante à nossa.

Kick-Ass parte de uma premissa semelhante, porém tem objetivos mais realistas do que os mostrados na obra-prima de Alan Moore. O universo representado pela HQ é o mesmo em que todos vivemos, inclusive com a presença de personagens como o Homem Aranha e o Quarteto Fantástico em suas formas consagradas como quadrinhos, filmes e jogos eletrônicos.

Com roteiro de Mark Millar e arte de John Romita Jr., Kick-Ass narra a história de Dave Lizewski, um típico nerd perdedor norte-americano. Totalmente obcecado por quadrinhos, Dave tem dificuldades em fazer amizades na escola e não tem coragem de sequer falar com Katie Deauxma, garota por quem nutre uma paixão adolescente.

Tudo isso muda no dia em que ele decide que não há nada de errado em se vestir como seus personagens favoritos e sair pelas ruas fazendo coisas heroicas como andar por telhados ou vestir uma roupa ridícula. Afinal, se as pessoas querem agir como Paris Hilton simplesmente por ela ser rica e burra, não é nada de estranho em querer ser como o Homem Aranha, que possui aspirações muito mais nobres.

Eventualmente as rondas noturnas começam a ganhar um ar mais sério, e Dave decide que é hora de combater o crime. Assim como tudo o que fez na sua vida, a primeira tentativa de deter delinquentes se mostra um verdadeiro desastre – não só o herói é esfaqueado, como acaba atropelado por um carro. Em seu desespero para esconder sua identidade, Dave consegue se livrar do uniforme de Kick-Ass e é encontrado nu no meio da rua, o que faz todos acreditarem que se tratou de um assalto violento.

Depois de semanas internado, quatro cirurgias e meses de reabilitação, qualquer um com o mínimo de bom senso ficaria longe de qualquer tipo de aventura pelo resto da vida. Mas é claro, como se trata de uma história em quadrinhos, logo Kick-Ass volta às ruas com o objetivo de proteger os indefesos.

É em uma de suas rondas que o herói consegue derrotar membros de uma gangue, ação devidamente registrada por um celular com câmera e enviada para o YouTube. O vídeo se torna tão popular que logo surge uma verdadeira moda de super-heróis, e deixa de ser ridícula a ideia de sair fantasiado pela rua.

É claro, também surgem outras pessoas semelhantes à Dave, que veem nisso uma oportunidade e tanto para combater o crime e mudar o mundo.

A partir dessa premissa, Millar e Romita Jr. desenvolvem uma história marcada por situações violentas, porém sem deixar de lado o bom humor e referências a quadrinhos famosos do universo Marvel.

Com somente oito edições em sua primeira fase, Kick-Ass é bem sucedida na proposta de mostrar como o universo em que vivemos lidaria com a presença de vigilantes mascarados, além de fornecer alguns personagens que já nascem clássicos, como a dupla Big Daddy e Hit Girl.

Os quadrinhos já ganharam uma adaptação para os cinemas que deve chegar na metade do ano em solo brasileiro. Quem leu a versão original ficou empolgado com a fidelidade com que os personagens foram retratados, isso sem contar com a violência exagerada que lembra filmes como Kill Bill.

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