A Metamorfose

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Em A Metamorfose acompanhamos a vida de um caixeiro-viajante de nome Gregor Samsa que, após uma noite de “sonhos intranquilos”, vê-se transformado num inseto grande e monstruoso, dotado de inúmeras patas, um par de antenas e costas duras como couraça (à mente, vem a imagem de uma barata, embora isso nunca seja corroborado pelo texto). Samsa, todavia, exibe uma naturalidade ímpar ao fato, preocupando-se solemente com a insatisfação do seu chefe perante o seu atraso nesse dia em específico.

Contudo, o entorpecimento excêntrico com o qual Gregor encara a sua nova condição não é compartilhado pelos seus familiares, nem com o gerente da firma para qual trabalha que foi à sua casa demandando explicações. Todos se mostram horrorizados com a sua aparência, o gerente foje desesperadamente, e o pai obriga Samsa voltar para seu quarto, sob a ameaça de violência física.

A Metamorfose, traduzida para os quadrinhos

A Metamorfose, traduzida para os quadrinhos

Desse ponto em diante, somos expostos às lucubrações do protagonista quanto à sua nova condição, à dinâmica familiar que se costura e impera na família e ao progressivo distanciamento e repulsa que a sua família passa a nutrir por ele, culminando no total isolamento do filho e ao desejo de se ver livre dele, confortando-se na ideia de que, afinal, aquele ser grotesco não poderia possivelmente mais ser o filho deles.

A Metamorfose apresenta uma leitura concisa e engajante, dotada de um humor inusitado e orgânico, justificado pela maneira indiferente com a qual Samsa encara o seu novo estado. Embora curto (a edição da Companhia das Letras, com tradução de Modesto Carone, conta com meras 102 páginas, das quais 85 são da história propriamente dita), o romance dá margem a diversas interpretações para a situação inusitada do seu protagonista e o que Kafka pretendia com isso. Uma crítica ao capitalismo? Um estudo da hipocrisia humana? Uma alusão à sua própria dinâmica familiar (é notória a problemática relação de Kafka com o pai)?

A Metamorfose se configura como um dos raros trabalhos de Kafka publicados anteriormente à sua morte, tendo-lhe rendido, inclusive, o Prêmio Fontane de Literatura – entregue a ele por Carl Sternheim, dramaturgo e famosos expressionista alemão – e por ser o mais longo dos seus contos (ainda assim, escrito em apenas vinte dias!). É possível lê-lo, na íntegra, aqui.

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