Os Leões de Bagdá

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Os Leões de Bagdá remete, a princípio, a O Rei Leão, famosa animação da Disney, por também ser protagonizado por leões com comportamentos homólogos ao do Homem, e por um dos seus personagens – o infante do grupo, Ali – ser claramente inspirado no jovem Simba. Essa impressão, todavia, logo se dissipa quando o leitor é posto a presenciar, em caráter de flashback, uma forte cena de estupro de uma de suas protagonistas, a hoje idosa Safa. Posteriomente, as cenas de violência gráfica e o semblante dos corroboram: este não é um livro para crianças.

Os Leões de Bagdá é uma fábula de forte tom político que narra o cotidiano do grupo de lões do título, que enfim alcançam a tão almejada liberdade quando o zoológico em que se encontram é bombardeado e destruído por caças americanos. A trama, então, muda de ambiente; do zoológico para a destroçada cidade de Bagdá, onde eles se virão forçados a superar muitos empecilhos e desafios se quiserem sobreviver, mostrando que a tão sonhada liberdade pode vir com um preço alto demais.

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O bando de leões é composto por quatro indivíduos, cada um com personalidades muito bem delineadas e imbuídos de idelogias e crenças distintas, decorrentes dos diferentes contextos de que cada um veio: Safa, a anciã, nasceu e viveu na mata, da qual ela guarda amargas lembranças e, por isso mesmo, é a menos excitada com a ideia de regressar ao mundo selvagem; Noor, a “cabeça” do grupo, também nasceu nas selvas mas cresceu no Zoológico, portanto, uma visão idealista do que é viver lá fora, ansiando pelo dia em que poderá enfim caçar a sua comida ao invés de simplesmente ganhá dos tratadores; Zill é O leão do grupo, ele assume uma postura zen a maior parte do tempo, intervendo apenas quando absolutamente necessário; e Ali, o filhote de Noor com Zill, cuja ingenuidade, vitalidade e bom-espírito são postos à prova perante o cruel mundo que o espera fora das jaulas.

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Brian K. Vaughan prova-se mais uma vez um roteirista talentosíssimo, demonstrando um tato formidável tanto para a construção dos personagens, que rapidamente cativam e ganham a nossa simpatia, quanto pelo storytelling, dotado de um subtexto político bem evidente, mas sutil o suficiente para permitir múltiplas interpretações dos muitos simbolismos que permeiam a obra.

Aliada à extraordinária escrita de Vaughan, encontra-se a inspirada arte de Niko Henrichon, nome desconhecido dos quadrinhos alternativos canadenses que, aqui, faz o seu debut nos quadrinhos asmericanos da melhor forma possível. Seu traço é levemente rabiscado, porém rico em detalhes, capaz de transmitr com exatidão as emoções dos personagens por meio de feições bastante expressivas. Impressiona, também, o fato de esta ser a sua segunda graphic novel, sinalizando que ele ainda tem bastante potencial de crescimento como artista.

No Brasil, o título foi lançado pela Panini, numa edição caprichadíssima direcionada às livrarias, por um preço formidavelmente baixo: R$19,90, publicada em formato 17 x 26 cm e em papel couché. 140 páginas.

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