Count Zero

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Em meados dos anos oitenta, William Gibson, ao lado de autores como Neal Stephenson e Bruce Sterling,  revolucionou o gênero da ficção-científica literária com Neuromancer (que já foi comentado por mim aqui), livro que lhe rendeu uma série de prêmios e que, em 2006, foi incluído na lista Os Cem Melhores Romances da Lingua Inglesa, da revista Time, devido a sua inegável importância histórica.

Count Zero, publicado dois anos depois, situa-se oito anos após os eventos transcorridos em Neuromancer, e é protagonizado por uma nova gama de personagens. A obra expande o universo tecno-anárquico criado por Gibson, aprofundando-se em temas que no livro anterior foram apenas mencionados, como o poder ilimitado das corporações e suas ramificações na dinâmica social, além de dar prosseguimento a certos pontos soltos, como o destino de Wintermute e de que maneira a sua existência afeta o cyberspaço.

Além disso, Gibson também refinou a sua escrita, tornando-a mais lacônica e a extripando do pedantismo descritivo que tanto prejudicou o ritmo da sua novela anterior. Agora, os relatos são feitos com um propósito narrativo claro, sem se alongarem demais e com menos abstrações, conferindo um dinamismo bem maior à leitura.

William Gibson

William Gibson

Inclusive, é na construção do enredo que Gibson demonstra o amadurecimento mais evidente. Esqueça o desenvolvimento linear de Neuromancer. O storytelling estabelecido aqui marca presença em todos os romances subsequentes do autor, tornando-se uma espécie de assinatura. A trama é fragmentada em núcleos distintos, que se alternam, convergindo apenas no final, mas que se interligam desde o começo, ainda que tal conexão não fique clara ao leitor até os últimos capítulos.

Turner é um mercenário, um sabujo das megacorporações, especializado em realizar transações ilegais de alta periculosidade, muitas vezes envolvendo intrigas corporativas, como a deserção de funcionários de uma empresa a outra, roubo de tecnologia ou obtenção de informação classificada. Sua lealdade é temporária, variando de serviço a serviço.

Bobby Newmark – a.k.a Count Zero – é um “wilson” (equivalente ao n00b de hoje em dia), um aspirante a cowboy cujo maior sonho é sair da sua pacata cidadezinha e fazer seu nome no Sprawl. A ele é concedido um novo e experimental pedaço de software, que ele ingenuinamente supõe se tratar de um ICE-Breaker. Após uma incursão desastrosa na Matrix, ele é quase morto pela ação de um Black ICE, se não fosse por uma misteriosa ajuda vinda da net.

Marley Krushkhova é uma profissional falida e arruinada do ramo das Artes cuja vida muda do dia pra noite ao ser contratada pelo magnata e todo-poderoso Herr Virek para localizar o criador de uma série de peças de Arte modernas, caixas que, nas palavras do autor, evocam “distâncias impossíveis, de perdas e anseios [..] lúgubre, suave e, de alguma forma, infantil” e que compunham “um universo, um poema congelado nas fronteiras da experiência humana”.

Count Zero foi indicado tanto ao Nebula Awards quanto ao Hugo Awards na categoria de Melhor Novela de Ficção, as premiações de maior renome do meio F.C. É possível ler o primeiro capítulo – em inglês – aqui.

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