Blackfield

março 10, 2009

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Quando se pensa em música pop, o que vem à mente? Britney Spears. Linkin Park. Backstreet Boys. Etc. O gênero é visto como um mero produto de consumo, música “fast-food” que consiste de melódias “fáceis” e que visam ao sucesso amplo e imediato, porém efêmero. São artistas passageiros, cujo sucesso é fundamentado não na qualidade das suas música, mas no marketing de suas imagens. Fenômenos hoje; piadas velhas amanhã.

Todavia, esse não é sempre o caso, e Blackfield está ai para provar.

Blackfield trata-se de um side project dos veteranos músicos Steven Wilson e Aviv Geffen. O primeiro é o líder de n bandas diferentes (Porcupine Tree, No-Man, OS.I, Bass Communion), enquanto que o segundo é um controverso pop star israelense. Conheceram-se quando, em 2000, Aviv, fã confesso, convidou Porcupine Tree para tocar em Israel. Os dois logo se amigaram e decidiram trabalhar juntos, inicialmente tendo apenas um EP em vista, mas ambos concordaram que o material era promissor demais e resolveram lançá-lo como um LP.

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O primeiro álbum, batizado tal como o próprio nome do projeto, contou, além deles, com a presença de Seffy Efrat, Daniel Salomon e Yirmi Kaplan (baixo, teclado/piano e bateria, respectivamente), todos os três antigos parceiros musicais de Geffen, e com dois bateristas da história do Porcupine Tree: Chris Maitland e Gavin Harrison (para os fãs da banda de rock progressivo, isso, por si só, justifica a audição do álbum, hein?).

Todavia, não espere ouvir algo mais do que remotamente similar ao som do PT. O som de Blackfield é melancólico, emocional, íntimo. As músicas giram em torno de dor, solidão, amargura, cicatrizes emocionais, perda. São atmosféricas e genuinamente tocantes. E, apesar de tudo isso, inegavelmente pegajosas. Os refrões são intensos e brilhantes, e as melodias vocais – destaques na maioria dos projetos dos quais Wilson participa – fazem bonito, expondo com clareza os sentimentos que visa a provocar.

Muitos rotulam o som da banda como sendo art rock, mas, para mim, é meramente um pop muito bem concebido e executado, sem pretensões virtuosísticas, priorizando o poder das melodias em detrimento do quão técnicas/intrincadas elas são.