Games para todos (até para não-gamers)

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Imagino que ninguém tenha dúvida quanto a isso: hoje vivemos uma “suruba dos games”. Tem jogo de todo tipo em todas as plataformas, pra todos os gostos, todas as idades, ambos os sexos e pra todas as culturas.

Jogos online? Já há servidores locais em grande parte dos países, inclusive nos da America Latina. Quer jogar tiro em primeira pessoa como Quake e não tem PC? Não tem problema, desde o lançamento de Halo no Xbox eles são lançados aos montes também nos consoles, com opções pra todas as plataformas atuais. Quer jogar estratégia em tempo real, como Command & Conquer e não tem pc? Pasme, até esse gênero já chegou nos consoles. Quer jogar um jogo de luta ou um jRPG e só tem PC? Acredite, você tem opções atuais no pc.

Sua mãe e sua tia têm vontade de jogar mas tem medo do controle? Coloque ela pra jogar Wii sports que elas se apaixonam e se divertem rapidinho, quebrando a barreira de que games são só pra garotada juvenil alimentada a leita com pera. Sua namorada quer aprender a jogar mas não gosta desses jogos de matança? Coloca pra pra jogar guitar hero (compra a guitarra de preferência né, mané) que ela vai se entender muito bem o jogo, mesmo que seja no easy. A sua irmã mais nova gosta de games, fica jogando aqueles joguinhos de browser na internet e quer partir pro video game? Talvez seja hora dela se divertir com o DS, que tem uma gama enorme de jogos voltados pro público feminino mais jovem.

Sei que estou sendo um pouco generalista, mas não tem como negar que garotas que jogavam video games ou iam a uma lan house jogar counter-strike eram exceção e que o mercado como um todo visava especificamente jovens do sexo masculino na hora de desenvolver seus jogos e que esses mesmos jogos em sua grande maioria não eram nem um pouco intuitivos pros mais novatos, que muitas vezes têm vergonha de passar pela etapa de aprendizado.

A origem do conceito do artigo

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O conceito desse post nasceu em situações reais ocorridas em minha vida em menos de um ano pra cá que me surpreenderam.

  • Primeira situação: eu estava na casa de um velho amigo, gamer, que tem Wii. E o Wii, como você sabe, tem um dom especial pra chamar atenção de quem nunca deu atenção pros games, mas até esse momento eu só LIA isso nos lugares, eu nunca tinha vivido isso de fato. Foi aí então que a mãe desse meu amigo, já em torno dos seus cinquenta anos, senhora muito gentil que gosta de assistir a filmes, cantar no videokê, assistir TV à cabo e coisas do tipo, perguntou pelo “Wii Sports“, pois não estava encontrando. Admito que quando ela disse isso eu me cocei por dentro sem conseguir confirmar se ela procurava o jogo para jogá-lo ou por outra razão. E, bem, minutos depois eu confirmei: ela queria jogá-lo! Olha, admito, nunca imaginei a mãe desse meu amigo jogando video game. Ali ficou definitivamente provado pra mim que essa geração veio pra mudar toda a concepção do que é um video game.
  • Segunda situação: Tenho uma cunhada de 15 anos. Ela gosta de assistir TV à cabo é brincalhona, gosta de animais, tem gosto por arte (gosta até de pintar) mas… nunca se interessou muito por games. Jogou uma coisa ou outra no computador e brincou em joguinhos de web browser. Um dia porém ela conheceu meu Nintendo DS… e tudo mudou. Não era a primeira vez que ela tinha contato com video games, mas era a primeira vez que ela tinha contato com um portátil com uma habilidade tão peculiar (sensibilidade ao toque) e jogos tão variados. Em alguns meses ela pediu o dela de presente. A segunda surpresa veio pela escolha dos jogos. Ela começou jogando títulos previsíveis como The Sims, mas depois de um tempo me surpreendeu quando começou a jogar Castlevania: Order of Ecclesia, que pra mim é inclusive um dos títulos mais difíceis da série! Criei mais um gamer?
  • Terceira situação: Namorada. Nunca teve video games, gosta muito de filmes, música, tv à cabo e havia jogado alguns joguinhos aleatórios no pc (jogos do “CD Expert”) e alguns browser-based. Pra infelicidade ou felicidade dela ela descobriu, algumas semanas depois de estarmos juntos que sou gamer e o momento em que ela mudou a visão dela sobre games foi quando eu levei o Wii na casa dela. Ela já tinha me visto jogar coisas como Warcraft III no pc, sem ter se interessado. Mas, quando ela pegou o controle do Wii na mão e viu que fazendo os movimentos o video game reconhecia… bicho… pegou o wii tenis e deu uma de Anna Kournikova. E nem adiantava eu dizer que não precisava fazer movimentos tão amplos pro controle reconhecer… ela gostou mesmo foi de imitar a vida real. Pegou o boxe do wii sports e de tanto se mexer ficou suada. Eu fiquei paralisado (e perdi). Minha segunda surpresa com ela foi quando ela começou a se interessar pelo jogo Zack & Wiki, um adventure no melhor estilo point and click cheio de puzzles interessantes. Percebi que o que assusta ela é a complexidade dos jogos e a quantidade de botões. Ela gosto de jogos desafiantes mas parados ou que precisem apenas de movimentos intuitivos para serem jogados. Pegou o wii e, pronto, ganhou um lado gamer. Poucos meses depois tava com seu próprio Wii em casa. Agora tem tapete de dança, Wii Fit…

O que causou tudo isso?

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Serei objetivo em que pontos acredito que levaram a esse fenômeno de popularização dos video games e dos games. Se você tiver dúvidas ou achar que algum não ficou claro, deixe nos comentários do fórum.

  • Avanço do hardware e hardware equiparad0s: jogos de pc no video game e vice-versa. Ports de video games para portáteis e vice-versa etc.
  • Muito mais dinheiro no setor: mais superproduções (jogos “AAA”) e mais investimento em títulos de risco a públicos antes pequenos (ex: feminino mais velho)
  • Video game como mídia de extensão: Mais jogos do que nunca baseados em ícones de outras mídias (cinema, seriados, quadrinhos etc)
  • Video games com melhor design e mais funções: PS2 que roda DVDs, PS3 que toca blu-ray e navega na internet, wii que navega na internet e tem canais exclusivos, Xbox 360 que permite alugar filmes etc)
  • Galera mais PRA FRENTEX: As tias-avós deixaram de queimar cartas de magic e achar que video game estraga a tv e é coisa do demônio. Aceitação generalizada. Video game passa a ser aceito como parte do dia a dia. É comum, é natural jogar video game.
  • Maior acervo de jogos simplificados/casuais que são muito mais user-friendly (fáceis de lidar)
  • Video games mais caros (produto de status)
  • Faixa-etária dos gamers subiu vertiginosamente: a geração que nasceu com os primeiros video games hoje tem 20-30 anos e ainda joga video game, sendo hoje formadores de opinião

Isso é bom ou ruim?

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É ótimo. O mercado está cada vez mais competitivo e a oferta de jogos e gêneros está cada vez maior. Houve um dado período, associado ao grande boom do wii em 2006-2007 em que uma grande preocupação tomou conta dos jogadores: a de que a qualidade dos jogos fosse cair vertiginosamente com a “criação” do mercado de não-gamers pela Nintendo. Foi produzida uma tonelada de jogos de qualidade técnica duvidosa.  Eu não discordo que se olharmos pras qualidades técnicas desses jogos a gente vai encontrar tanta coisa ruim que vai ser suficiente pra dar uma nota 2 de 10 pra ele, mas não há dúvida também que alguns desses jogos vendem e muito.

É preciso que entendamos que cada vez um número maior de pessoas não busca o que há de melhor e mais atual em games e sim uma experiência rápida e divertida com os consoles. Da mesma forma as empresas nunca deixarão de olhar pro público mais hardcore, uma vez que serão sempre um grande público em potencial para gerar lucro. A prova disso é que principalmente o PS3, Xbox 360 e PC não deixaram de produzir jogos AAA e tantos títulos focando o fiel público gamer de tantas gerações de consoles.

É fácil comparar tudo isso com o meio musical: há diversas bandas que nas mãos dos críticos são massacradas mas que são amadas pelo grande público (fatidicamente pouco criterioso na técnica) que aprova a melodia mesmo assim. No caminho oposto temos, no mundo dos games, jogos como Okami e Psychonauts que foram um sucesso de crítica e um fracasso de vendas. É preciso ter em mente que as empresas desenvolvedoras de games não são instituições de caridade: elas produzirão o que der dinheiro e, de tempos em tempos, já com o bolso cheio da grana, tentarão alguma novidade, que pode dar muito certo, ou não.

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