Neuromancer

Discuta este post no Fórum Omega Geek.

banner_literatura

neuromance_brazilian_cover

“O céu sobre o porto tinha a cor de uma televisão sintonizada num canal fora do ar.”

Neuromancer trata-se, simultaneamente, do debut literário e do magnum opus de seu autor, William Gibson. Escrito em 1981, o livro, no contexto da época, foi considerado revolucionário, visto que ele rompeu radicalmente com todas as convenções até então estabelecidas da ficção-científica.

A sua importância foi imediatamente reconhecida, com a obra sendo laureada em diversas premiações como o Nebula Awards, Hugo Awards e Philip K. Dick Awards, além de ter sido inclusa na lista dos cem melhores romances em língua inglesa da revista Time. Ela também foi considerada instrumental para o estabelecimento do movimento literário que veio a ser cunhado de cyberpunk.

Neuromancer em quadrinhos

Neuromancer em quadrinhos

O romance é situado num futuro próximo e retrata uma Humanidade sombria: a sociedade está em total decadência, o Bem-Estar Social entrou em colapso e as formas convencionais de governo foram substituídas pelo poder dos conglomerados, indústrias e megacorporações. A bioengenharia é uma realidade, com implantes cibernéticos acessíveis a todos, permitindo aos seus usuários excederem os limites do próprio corpo (e, em certos casos, em torná-los genuínas máquinas de matar).

É nesse contexto no qual somos apresentados ao protagonista da história: o anti-herói Case. Um cowboy da rede (no livro, como os hackers são chamados) que se viu forçado a se aposentar prematuramente, uma vez que seus implantes neurais – os mesmos que dão acesso às pessoas ao cyberspaço – foram fritados após uma tentativa (bem-sucedida) de passar a perna nos seus empregadores. Exilado da Matrix e, portanto, confinado à “carne” que tanto despreza, Case entra numa espiral de auto-destruição, assumindo bicos insanos e se afundando em drogas…

… isso é, até cruzar caminhos, nas ruas imundas de Chiba City, com Molly, assassina profissional (e samurai nas ruas vagas), que o procurou a fim não de matá-lo, mas de recrutá-lo para a organização da qual ela faz parte, comandada por um estranho e indiferente homem chamado Armitage.

Armitage, em troca dos seus serviços, oferece a Case a restaução completa de seus implantes neurais, permitindo-lhe, assim, reacessar a Matrix, algo que Case acreditava não ser mais possível, haja vista que ele passoarapor todas as clínicas – legais e ilegais – de implantes e a resposta fora sempre a mesma: estavam danificados demais para ser reparados. Mas Armitage tinha acesso a uma tecnologia de vanguarda.

Neuromancer, o jogo de videogame

Neuromancer, o jogo de videogame

Ao longo das 300 e poucas páginas de Neuromancer, acompanhamos Case e Molly realizarem uma série de operações sob o mando de Armitage – ao mesmo tempo que se tornam mais íntimos – e especularem quem ele é, o que ele quer e – quiçá o mais importante – quem o financia.

A escrita de Gibson é densa e rica em detalhes, esbanjando todo o entusiasmo e fascínio do autor com o próprio mundo que criou. Os ambientes, personagens, situações e tecnologias que criadas por ele são descritas aos seus mínimos detalhes – aparência, cheiro, textura, formato. Exceto a Matrix. Quando se trata do cyberspaço, ele recorre a abstrações; descrições que se valem das sensações provocadas para serem compreendidas. Para Gibson, essa é uma experiência íntima demais para ser generalizada, embora seja compartilhada por milhões (bilhões?) em todo o mundo.

As duas novelas seguintes do autor – Count Zero e Mona Lisa Overdrive – são continuações situadas no mesmo universo e com personagens em comum, embora possam, sim, serem lidas individualmente, uma vez que nelas são desenvolvidas tramas próprias, independentes. Ao conjunto dos livros, é dado o nome de “Trilogia Sprawl”.

No Brasil, a obra foi publicada uma série de vezes desde os anos 90, com a impressão mais recente pertencendo à Aleph, que também publicou os livros posteriores do autor assim como diversos outros clássicos da literatura sci-fi, tal como Nevasca, de Neal Stephenson

Anúncios

4 Responses to Neuromancer

  1. Alanie disse:

    Tenho esse livro em casa mas nunca consigo passar de uma certa parte. Inclusive está na minha lista dos “(terminar de) ler em 2009”, hehe.

    Vamos ver se eu finalmente consigo. =]

  2. regentus disse:

    É, a leitura dele é meio difícil. Gibson intencionalmente confunde com descrições ora minuciosas, ora abstratas, visando a, IMHO, refletir o próprio caos daquele mundo no leitor, através da leitura.

  3. […] o gênero da ficção-científica literária com Neuromancer (que já foi comentado por mim aqui), livro que lhe rendeu uma série de prêmios e que, em 2006, foi incluído na lista Os Cem […]

  4. […] o gênero da ficção-científica literária com Neuromancer (que já foi comentado por mim aqui), livro que lhe rendeu uma série de prêmios e que, em 2006, foi incluído na lista Os Cem […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: