VGM: O gênero musical que sempre esteve aí, mas quase ninguém reparou

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Tem gente que gosta de rock, tem gente que gosta de música eletrônica, tem gente que gosta de MPB, tem gente que gosta até de pagode. Agora, você conhece alguém que goste de video game music? Quando digo “goste” quero dizer quem ouça por prazer fora dos jogos e não simplesmente ache legal as músicas que tocam enquanto joga algo. Pois é, acredite se quiser, esse tipo de gente existe e – por mais que isso chegue a ser uma surpresa deste lado do planeta – no Japão, já há algumas dezenas de anos, as músicas produzidas para animes e games são muito valorizadas pelo mercado e pelo público. Tendência que bem aos poucos vem chegando ao ocidente, onde é possível encontrar com frequência em grandes lojas apenas trilhas de filmes e, aos poucos, trilhas de games.

O que você talvez não saiba é que existe toda uma força, digamos, “por trás” da internet que trabalha para obter essas músicas todas e até mesmo “ripá-las” (copiá-las) de dentro dos jogos – no caso da produtora não ter lançado CD – e distribuí-las por todas as partes da grandiosa INTERWEBS. O que antes só era encontrado via IRC, raros links diretos, muito pouco em programas de compartilhamento e vez ou outra em comunidades dedicadas a games, agora se espalha pelo youtube e ganha até rádios dedicadas exclusivamente ao gênero, como a Rainwave, que dá aos ouvintes a chance de pedir músicas em tempo real e votar, dentre três opções, em qual será tocada em seguida, para deleite dos sedentos fãs de tantas músicas velhas e novas que por muitas vezes não tiveram a atenção que mereciam. Na mesma rádio é possível acessar a Ormgas, que se dedica a tocar apenas remixes feitos por fãs e que podem ser baixados gratuitamente no site Ocremix.

Onde nasceu o gênero, e pra onde ele vai?

A Video Game Music (ou VGM, como também é chamada) nasceu da maneira mais óbvia possível: com o advento dos primeiros jogos de video game. O quê, no começo, veio como uma forma de melhorar a estética dos jogos e era desenvolvida de maneira simplista pelos próprios programadores, acabou se tornando cada vez mais rebuscado e, a cada melhora de hardware de uma geração de consoles, músicas mais robustas eram criadas. Equipes de desenvolvimento que antes apenas pagavam artistas independentes para produzir algumas músicas para seus jogos, agora começavam a dar mais atenção ao tema e a contratar artistas exclusivos.

Nasciam ali os primeiros compositores exclusivos de VGM, que passariam a ser reconhecidos, exclusivos e, quando não, disputados! É o caso de nomes famosíssimos do meio como Yasunori Mitsuda, Nobuo Uematsu e Motoi Sakuraba. O Japão logo percebeu que a quantidade de fãs desse gênero era grande, e se no hardware dos video-games o Áudio era limitado, ele não o era fora das plataformas; de temas de video games 8-16 bits logo vieram trilhas sonoras em CD, com readaptações de melodias e até mesmo temas que contavam com o som de uma banda ou orquestra! Com o lançamento dos primeiros video games que utilizavam o CD como mídia e, portanto, possuíam mais capacidade de armazenamento, os compositores se livraram do lastro do hardware (para muitos considerados positivos, umas vez que limitação exigia mais dos artistas e de sua criatividade) e a qualidade do áudio, que se elevou significativamente, passou a ser ainda mais comumente comercializada em CDs na mesma época de lançamento do jogo.

Aos poucos o Ocidente foi entrando nessa onda e, a partir do ano 2000, uma série de jogos, principalmente de PC, cujas grandes produções desde sempre foram de domínio desse lado do planeta, passaram a distribuir gratuitamente e comercializar a trilha dos jogos, para deleite dos fãs de VGM. Na nova geração as trilhas já têm mostrado que o investimento das produtoras nesse quesito tem sido cada vez maior. Jogos como Metal Gear Solid 4 e Gears of War 2 possuem músicas mais que épicas, utilizam-se de trabalhadíssimo som surround com o mínimo de perda em qualidade e, ao lado de superproduções como Super Mario Galaxy, fazem parte do grupo de jogos que utilizam até mesmo músicas executadas por uma orquestra em sua trilha. Não é à toa que as três superproduções tiveram CDs de audio comercializados.

A nós, brasileiros, que só por meio de importação conseguimos esses maravilhosos CDs, não há por que se preocupar. O mesmo meio que tornou a VGM famosa está ainda ao dispor dos fãs desfavorecidos: a internet! Hoje há sites inteiros voltados para informação e até compartilhamento de VGM. É inegável que esse gênero musical que por tanto tempo “correu por fora” do mundo musical, como um adendo de um mundo virtual, começa a se solidificar como um gênero de referência.

Lendas Lendárias

Alguns compositores se tornaram referências absolutas no meio gamer, sendo todos colegas de profissão e ao mesmo tempo se parecendo muito pouco em estilo e com características peculiares.  Conheça algumas obras de alguns expoentes do meio.

Motoi Sakuraba

Baten Kaitos – To the end of the Journey of Glittering Stars

Nobuo Uematsu

The Black Mages – Battle Theme (Final Fantasy VI)

Yasunori Mitsuda

Chrono Cross OST – Dreams of the Shore Near Another World

Taro Bando (sem brincadeiras com “TÁ ROUBANDO!”, plz)

F-Zero X Guitar Arrange Edition – Endless Challenge

Yoko Shimomura

Legend of Mana – Hometown Domina

Continua no fórum

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Quer ouvir mais VGM? A partir de fevereiro, o fórum OMG começou uma disputa de peso pra saber que usuário consegue indicar as melhores VGM, que são avaliadas pelos demais usuários. Para se chegar ao vencedor está sendo utilizado um sistema de combate entre os participantes em que o mais votado segue adiante em mata-matas um contra um! Para conferir a votação – e escutar todas as músicas que já rolaram – é só ir até o tópico. É preciso se cadastrar para comentar e participar das próximas edições.

Até semana que vem!

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