Fringe

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Fringe é o mais novo investimento televisivo de J.J Abrams, que criou um mito em torno de si devido à sua participação – como um dos co-criadores – em Lost e pelas suas frequentes excursões em Hollywood (Cloverfield, Missão Impossível III e a reinvenção de Jornada das Estrelas). Não é surpreendente, portanto, que, desde o seu anúncio, Fringe tenha se tornado um dos lançamentos mais hypados da fall season de 2008 – com foristas mundo afora especulando se o show teria alguma ligação com Lost, em grande parte alimentado pela escalação de Lance Reddick para um dos papéis principais (em Lost, ele interpreta o misterioso Matthew Abaddon).

A série gira em torno de uma divisão especial da Agência de Segurança Nacional americana – a Fringe Division – dedicada a investigar os casos relacionados ao Padrão, uma cadeia de eventos inexplicáveis que ocorre globalmente, de caráter muitas vezes sobrenatural, fruto do avanço da tecnologia e da ciência. Em suma, é como se o mundo todo fosse um imenso laboratório no qual alguém anda fazendo experimentos.

O time de agentes veio a se formar em meio às investigações de um incidente no voo internacional 627 da Glatterflug, no qual os passageiros do avião foram “devorados” por uma estranha toxina, que dissolveu toda a carne e tecido de seus corpos, deixando apenas os seus esqueletos para trás. O voo consegue aterrisar em segurança devido ao seu piloto automático.

Quem quer espetinho de lesma superdesenvolvida mutante?

Quem quer espetinho de lesma?

A equipe é formada por Olivia Dunham (Anna Torv) – recrutada do FBI e a líder do grupo – e por Walter e Peter Bishop (respectivamente, John Noble – que também fez Denethor nas adaptações de O Senhor dos Anéis – e Joshua Jackson – um dos pseudo-adolescentes de Dawson’s Creek), pai e filho com uma conturbada relação. Inspecionando-os e cuidando da política da divisão, encontra-se Philip Broyles (Lance Reddick), chefe do departamento.

Embora a protagonista seja claramente o weaklink do show, o cast de coadjuvantes de longe compensa a inexpressividade da atriz, contando com figuras extraordinárias como Walter Bishop, cientista brilhante, descrito como “um mix entre Albert Einstein e Frankestein”, que esteve internado num hospício pelos últimos dezessete anos. Ele é tanto um dos maiores enigmas da série – já esteve envolvido em experimentos semelhantes aos da maioria dos casos que vem a lidar – como o seu alívio cômico, fornecendo comentários irreverentes, constrangedores ou, muito frequentemente, 100% nonsense.

that is the question.

To move or not to move: that is the question.

Nenhum show sobrevive sem seus vilões, e com Fringe não é diferente; aqui, os algozes são personificados pela Massive Dynamic, conglomerado descrito pelo próprio Abrams como “uma companhia que parece ser dona de tudo”. Atuando em praticamente todos os fronts de negócios possíveis – entretenimento, bélico, médico, aeronáutico, informático – ela tem um papel ainda não determinado nas manifestações do “Padrão”, contando até com um representante no comitê responsável por monitorar as ações de Olivia e cia. O fundador da empresa, William Bell, foi um associado próximo de Walter, assim como a sua porta-voz, Nina Sharp. Bell ainda não deu as caras na série.

O Observador... observando

O Observador... observando.

Quiçá o elemento mais intrigante do programa seja o Observador. Uma figura alta, careca, sem sobrancelhas. Ele marcou presença em literalmente todas as manifestações do Padrão antes de elas aconteceram, abrangendo um período de décadas. Contudo, ele não aparenta ter envelhecido um dia sequer. Suas intenções são obscuras, mas sabe-se que ele já entrou em contanto com Bishop pai anos antes, salvando a vida do seu filho em troca de um “favor” que ele futuramente cobraria.

Muito é discutido acerca das semelhanças entre Fringe e Arquivo X, uma vez que ambos os show tratam de facções do governo investigando casos que desafiam a lógica humana, o que é complementado um bocado por conspirações e mistérios. Todavia, apesar da temática inegavelmente semelhante, as séries apresentam propostas bem diferentes.

Arquivo X se trata do científico versus o sobrenatural, fé versus ciência (pois é; Lost não foi a primeira série a pensar nisso, não), enquanto que Fringe se vale da ciência para justificar o sobrenatural – ou melhor: o sobrenatural é meramente a ciência incompreendida pelas pessoas, espólios da nossa ignorância. É a Ciência de Borda.

Comer carne de procedência desconhecida faz mal ao coração

Comer carne de procedência desconhecida faz mal ao coração.

Tal como as séries anteriores de Abrams (não esqueçamos Alias!), cada episódio apresenta uma trama original, com começo, meio e fim, ao mesmo tempo que também enriquecem uma mesma mitologia, coesamente, como peças de um quebra-cabeça. Conceitos introduzidos em um episódio X podem vir a ter relevância crucial no episódio Y, ou servirem para justificar determinados acontecimentos e/ou atitudes no episódio Z, finalmente sendo explicados no episódio W. E o mesmo é válido para personagens.

Tecnicamente, o seriado é impecável; o episódio piloto, por exemplo, é orçado em dez milhões de dólares, sendo, portanto, um dos episódios mais caros na história da televisão americana. Os efeitos especiais são top-notch e a trilha-sonora é assinada pelo sempre competente Michael Giacchino, figura constante nos trabalhos de Abrams.

Extremidade esquerda.

Os círculos misteriosos no piloto (extremidade esquerda).

Tal como Lost, Fringe é repleta de easter eggs e motifs que fazem a alegria dos fãs mais engajados, tais como o uso recorrente da sequência de cores verde/verde/verde/vermelho (explicada no oitavo episódio como sendo responsável por um transe hipnótico); a presença constante do Observador (Michael Cerveris; mais sobre ele já, já) em todos os episódios, em cenas breves e não-creditadas, desde o piloto; a existência de símbolos em cada episódio que entregam um aspecto fundamental do seguinte (uma lata de lixo com o desenho de uma borboleta, no 1×08, é uma dica de como um personagem morerrá, no 1×09).

Ademais, a FOX também disponibiliza, no site oficial da série, as notas de laboratório de Walter de cada episódio relacionadas aos casos estudados, e, através da linha WildStorm, da DC, uma revista em quadrinhos que atua como prelúdio à história está sendo lançada, com seis edições previstas, promete mostrar o primeiro encontro entre Walter Bishop e William Bell.

4 respostas para Fringe

  1. nanigga disse:

    Eu ainda não assisti esse, mas pelo que vc escreveu me lembrou tanto Planetary.

    E o Observador me lembrou o Vigia da Marvel. Só que eles nunca interviam tirando um revoltadinho lá.

  2. regentus disse:

    Acredito que Uatu tenha inspirado Abrams na composição do personagem.

  3. Henzo disse:

    O GMAN do Half Life também.

  4. This is my first time pay a quick visit at here and i am genuinely happy
    to read all at single place.

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