Os Supremos

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A proposta original da linha Ultimate, da Marvel, foi a de oferecer aos novos leitores do século XXI (leia-se: adolescentes) a oportunidade de acompanhar as histórias de seus super-heróis prediletos sem o ônus de décadas e décadas de cronologia nas costas, além de atualizar os personagens e seus respectivos backgrounds, reformulando as convenções das décadas de 60 e 70 que até hoje perduram nos quadrinhos tradicionais (aranhas radiorativas e a nebulosa origem do Quarteto (cuja origem clássica é no contexto da Guerra Fria) são exemplos disso), a fim de aumentar a sintonia entre essas histórias e o público de hoje.

Para tanto, a linha contou com um time de escritores de ponta, liderados por Brian Michael Bendis (que, ao lado do desenhista Mark Bagley, ostenta a run mais longa na história das HQs – 110 edições, em Ultimate Spider-Man) e Mark Millar (Ultimate X-Men e este Os Supremos), além de contar com as contribuições de Brian K. Vaughan (também em Ultimate X-Men) e Grant Morrison (envolvido na conceitualização de Ultimate Fantastic Four; não chegou a escrever qualquer história para a revista, contudo, devido ao seu rompimento com a editora e exclusividade para com a DC).

O texto de hoje trata de uma das mais bem-sucedidas – tanto comercial quanto criativamente – séries a sair na linha, Os Supremos, de Mark Millar e Bryan Hitch, releitura de uma das mais tradicionais equipes da Marvel: Os Vingadores.

Os Supremos

Os Supremos em toda a sua glória

A primeira encarnação do grupo consistiu de Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, Jaqueta Amarela, Vespa e, operando nas sombras, Gavião-Arqueiro, Viúva Negra e os gêmeros mutantes Pietro e Wanda Maximoff (respectivamente, Mercúrio e Feiticeira Escarlate), liderados por Nick Fury. Um time de medalhões para ninguém pôr defeito – e um colírio aos olhos de qualquer fanboy.

Todavia, se você estiver esperando encontrar os mesmos personagens com os quais você se familiarizou ao longo dos anos, esqueça; Millar, fazendo jus à proposta da linha, reformulou todos os personagens, preservando as suas essências, mas alterando todo o resto de forma que eles se tornassem tão condizentes com a realidade o quanto possível – e se não realistas, no mínimo verossímeis.

Dentre os membros da equipe, os que sofreram as “plásticas” mais estensivas foram Thor – a.k.a Deus do Trovão – agora, um hippie anarquista que se vale dos seus poderes supostamente divinos para pressionar governos ao redor do globo (e que todos julgam como um maluco instável delirante) e o Capitão América, transformado num militar casca-grossa e de mentalidade retrógrada (afinal, ele viveu em meados do século vinte!) – não à toa, ele prefere passar o seu tempo com idosos a com seus próprios colegas de equipe.

Dos demais, Tony Stark – a.k.a Homem de Ferro – também difere da sua contraparte tradicional, mas será certamente familiar ao leitor devido à caracterização bastante semelhante da do filme homônimo do ano passado, ou seja: um milionário excêntrico e bebedor compulsivo; Bruce Banner, por sua vez, teve a sua loserness característica acentuada, enquanto que o Hulk se tornou muito mais hilário e off limits. Também vale ressaltar que Nick Fury foi remodelado à imagem e semelhança do ator Samuel L. Jackson, que também o interpreta no cinema.

Nick Fury, nas HQs e no cinema.

Nick Fury, nas HQs e no cinema.

Por incrível que pareça, o primeiro arco de histórias do grupo é ausente de quaisquer conflitos com “elemento externos”, optando por enfatizar os personagens, defininindo e desenvolvendo a dinâmica entre eles. O primeiro desafio enfrentado pelos Supremos, ironicamente, é um próprio membro da equipe: o Hulk. Banner, frustado com o seu fracasso em reproduzir a eficácia da fórmula do Super Soldado e almejando a dar à equipe uma justificativa para existir, inadvertidamente se transforma no Incrível Hulk, o que gera um confronto de proporções épicas entre ele e Os Supremos, brilhantemente conduzido por Millar e desenhado por Hitch, soando o mais próximo possível a um confronto verossímel entre seres super-poderosos.

Encadernado nacional

Encadernado nacional

Millar e Hitch se despediram do título com o segundo volume de Os Supremos, sendo substituídos, respectivamente, por Jeph Loeb (Red Hulk, O Longo Dia das Bruxas) e Joe Madureira (Battle Chasers). Como era de se esperar, o título sofreu uma queda brusca de qualidade, com muitos dos conceitos previamente estabelecidos completamente arruinados. Felizmente, percebendo a merda que o buddy fez, Millar anunciou a sua volta ao comando da franquia em Ultimate Avengers – que será seu trabalho solo para a Marvel até 2010. Serão dois anos de publicações, consistindo de quatro grandes arcos divididos em seis edições cada, desenhados – nas palavras do Millar – pelos “maiores desenhistas que a indústria tem a oferecer”.

A quase dois anos atrás, a Panini publicou o primeiro volume num encadernado em capa dura, formato 18,5 x 27,5, 374 páginas e papel LWC, pela bagatela de R$75. Hoje, já é possível encontrá-lo por menos de R$55 por aí, como na Comix. Como é de praxe, não houve continuidade. Quando o filme dos Vingadores estrear, quem sabe.

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4 Responses to Os Supremos

  1. […] película se trata, na verdade, de uma adaptação de uma HQ de mesmo nome escrita por Mark Millar (Os Supremos) e desenhada por J.G Jones (Final Crisis), em formato de minissérie, com seis edições, que lá […]

  2. […] película se trata, na verdade, de uma adaptação de uma HQ de mesmo nome escrita por Mark Millar (Os Supremos) e desenhada por J.G Jones (Final Crisis), em formato de minissérie, com seis edições, que lá […]

  3. Jacques disse:

    Pra mim esta é uma das melhores hqs deste século.
    E olha que eu acho os Vingadores insuportáveis.
    Até mais.

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