Battlestar Galactica

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bsg-bannerBattlestar Galactica surgiu como uma resposta televisiva ao sucesso de Star Wars, apresentando uma trama com muitas referências à doutrina mórmon e inspirada na visão do livro Chariots of the Gods?, que especula que a religião e cultura de civilizações antigas foram dadas a esses povos por viajantes espaciais travestidos de deuses. O piloto contou, mesmo para os padrões atuais, com um orçamento enorme (i.e sete milhões). Mesmo com a popularidade do show, a ABC optou por cancelar a atração. Algumas tentativas foram feitas posteriormente para ressuscitar a série, mas todas falharam até a versão reimaginada de Ronald Moore.

Em geral, Battlestar Galactica retrata a tentativa de sobrevivência da raça humana perante a ameaça representada pelos Cylons – na série original, robôs de guerra criados por uma raça há muito extinta; na versão reimaginada, inteligências artificiais criadas pelo próprio homem que se rebeleram – e a busca dos refugiados pela mítica “Terra”, suposta origem dos povos das doze colônias.

Cylons, respectivamente, da versão reimaginada e original.

Cylons, respectivamente, da versão reimaginada e original.

Após muitas tentativas fracassadas (incluindo um filme nos anos 80), Battlestar Galactica foi trazida de volta dos mortos por Ronald Moore – cuja competência já fora demonstrada ao escrever alguns dos melhores episódios de Star Trek – pelo canal Sci-Fi. Primeiro, veio uma minissérie de três horas duração, cujo sucesso empolgou a emisssora a ponte dela bancar um seriado semanal.

Battlestar Galactica é – e garanto que não estou exagerando – um dos shows mais inteligentes exibidos hoje na televisão, porém que nunca teve o reconhecimento devido, atrelado ao preconceito que muitos nutrem com o gênero em questão. A segunda parte da quarta – e derradeira – temporada começou a ser exibida esta semana, um momento bem propício para começar a acompanhar a série.

Seguem as palavras de Alan Sepinwall – renomado crítico de TV que escreve regularmente para o The Star Ledger e de vez em quando para veículos maiores, como o New York Times – a respeito do programa:

O que eu sempre admirei a respeito de “Galactica” é a forma como ela regressa às raízes da ficção-científica. Nós crescemos acostumados com o modelo sic-fi de Star Wars, onde nós queremos histórias de aventura com batalhas espaciais, robôs, aliens e viagens temporais. “Galactica” tem tudo disso – as violentas batalhas espaciais, quando eles ainda as fazem, são as mais emocinantes que você encontrará, especialmente dado o modesto orçamento da televisão à cabo – mas, em seu âmago, a série se vale de todos os tropos da ficção-científica para contar histórias sobre pessoas, sobre quem nós somos agora e como nós possivelmente reagiríamos a uma situação fantástica.

O programa começou como uma alegoria para o Onze de Setembro, e, ao longo dos anos, tem sido capaz de narrar histórias sobre o Iraque, o fundamentalismo religioso e o abuso de poder – tudo numa roupagem travestida de ficção-científica, a fim de tornar tais temas mais palatáveis e remover o suficiente de contexto presente que poderia fazê-lo questionar as suas próprias crenças. Uma coisa é ficar horrorizado por homens-bomba insurgentes, mas e se você estiver assistindo a um show no qual os personagens por quem você se afetuou tiverem sido postos numa situação onde eles são os insurgentes?

E a despeito de políticas, o que torna “Galactica” tão viciante é a sua ênfase em personagens acima de hardware. As explosões e os robôs homicidas são legais, mas eles não se comparam a ver pessoas plenamente estabelecidas – trazidas à vida pela excelente equipe de roteiristas liderada pelo produtor Ron Moore e pelo surpreendente elenco liderado por Edward James Olmos e Mary McDonnell – agarrarem-se a essas decisões de vida-ou-morte de nível genocida.

O número de dramas clássicos encerrando recentemente têm deixado um sabor agridoce. Ano passado, tivemos The Shield e The Wire, mas eles terminaram de forma tão fantástica que eu não posso exatamente lamentar sd suas partidas. Eu não estou feliz que “Galactica” esteja terminando em alguns meses, mas também estou ciente de que o seu iminente fim está dando ao seu elenco e à equipe liberdade para ir a incríveis, tocantes e surprendentes lugares.

P.S: Para quem estiver interessado, Sepinwall possui um blog pessoal no qual ele posta com frequência, em geral, reviews de episódios de séries, o What’s Alan Watching?

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