Art School Confidential

Discuta esse post no Fórum Omega Geek

banner_cinema1Estava desesperado nos últimos meses, do nada a locadora perto de casa, que não era uma maravilha, resolveu tirar todos os filmes “catálogos” e deixar apenas “lançamentos” no lugar. O problema foram as escolhas: antes havia um amplo número de lançamentos (não de quantidade, mas de variedade mesmo), porém com esse corte resolveram apenas pegar medalhões que estreiaram no cinema (o que por um lado é bom, pois muitos deles eu tenho perdido ao longo de seu tempo em cartaz) e deixando o catálogo com filmes de 2003 para cima (!!!), isto é, deixando “Efeito Borboleta” como filme clássico da locadora. Até aí tudo bem, mas quando pedi “A Lula e a Baleia”, filme que já estava nas locadoras fazia um bom tempo (tanto tempo quanto eu não aparecia na locadora desde essa notícia), a atendente fez: “Ahn? “Free Willy”?” (sacaram, baleia e tals, elas me matam de rir). Ok, foi a gota d´agua. E a vantagem dessa locadora era ser perto de casa (relativamente).

Isso me lembrou de “Ghost World” (“Mundo Cão”, 2001), baseado nos quadrinhos de Daniel Clowes, de Terry Zwigoff, onde um personagem pede ao atendente da Masterpiece Video (Obra-prima) o filme “Oito e Meio” do Fellini*. Primeiramente o atendente pergunta se é lançamento, logo depois ele diz ter encontrado o filme: “9 semanas e 1/2 de Amor” (cara de sacana) “Está na parte de eróticos”. Não é culpa dos atendentes, claro, eles dependem do computador para saberem onde estão os filmes e se eles estão nessa locadora. É claro que a citação não foi à toa, depois de toda essa novela com “A Lula e a Baleia”, abriu uma locadora mais perto de casa e com mais variedade de filmes, pelo menos eles têm filmes da década de 90. O que aconteceu é que eu não sabia que “Art School Confidential” de Terry Zwigoff, fazendo parceria outra vez com Daniel Clowes, já estava disponível para locação.

Em “Art School Confidential” (com o sofrível nome de “Uma Escola de Arte Muito Louca”) temos Jerome, um artista wannabe, fã de picasso, virgem e totalmente dedicado à sua arte. Ele é aceito em uma das escolas de artes conceituadas e crê que, a partir de sua admissão, sua vida irá mudar profissionalmente e amorosamente. Os ataques a pseudo-artistas ou artistas wannabe começam logo quando Jerome chega a escola e vê os esteriótipos de jovens “artistas” como as roupas que usam, a maneira que falam, etc. Conforme as aulas vão passando, Jerome não compreende a arte como seus colegas compreendem; eles usam palavras dificeis, fazem análises “profundas”, criticam seu trabalho que, de acordo com ele mesmo, é quase impecável e elogiam trabalhos que parecem infantis e sem conteúdo.

art-school-confidential

Jerome não consegue reconhecimento pelas suas peças e está perdendo a garota de seus sonhos para um rapaz de sua sala. Ele recorre a um antigo aluno da escola, Jimmy, que não se tornou nada para ajudá-lo a ser um artista. Claro que Jimmy acaba com qualquer uma das ambições de Jerome, abrindo seus olhos para a falta de criatividade e visão do mundo. Não apenas Jimmy, mas o próprio Professor Sandiford (John Malkovich) diz que apenas um em cem dos estudantes pode viver de arte, os outros possivelmente farão por hobby ou serão críticos. Até o ex-aluno bem sucedido diz que as pessoas não aprendem nada na escola de arte; ou se tem o dom ou não tem, fazendo um discurso inflado sobre sua liberdade e arte.

Senti um certo conforto bizarro (para não dizer que várias seqüências do filme me lembravam algumas aulas da faculdade) ao assistir o filme. Eles mostram algumas das coisas que  quem faz cinema ou algo relacionado à artes vê no meio. Pessoas analisando filmes de uma maneira profundamente risivel (é meio paradoxal, as palavras são até bonitas, mas o conteúdo que deveriam ter…), nesse momento mesmo enquanto escrevo penso se realmente há algo de útil no que estou escrevendo, se não vai parecer mais um release do que uma crítica e assim por diante (não que isso seja um desabafo ou um charme para vocês, leitores, elogiarem o que é escrito, mas realmente o filme pega nesses pontos onde além de não artistas ainda existem os críticos analistas que encontram algo bom no que não tem). Um exemplo clássico é o jovem cineasta, Vince, que divide quarto com Jerome. Vince quer filmar a história do estrangulador que anda aterrorizando os arredores da escola de arte.

clowes1_cropped1

Partindo pela visão artística, o cineasta acaba fazendo algo com uma edição sobreposta, offs poéticos, um romance capenga e o que todos os artistas adoram fazer para sua arte parecer única: SURREALISMO (ele chega até a se defender falando sobre o Simbolismo de suas seqüências)! O movimento anti-hollywood e tudo mais. Até o papel de produtor aparece no projeto de Vince: seu avô é quem patrocina e ele quer ver tiros e perseguições no filme que está pagando (filme sobre um estrangulador, etc). Entretanto no final do segundo ato o filme fica previsível e acaba se tornando uma peça mais rasa do que as próprias críticas dos alunos da escola. Entre a resolução dos estranhos assassinatos e o reconhecimento de Jerome, a cena final marca uma coisa tão “artisticamente” patética e clichê que o filme torna-se um produto, aparentemente, de seu próprio alvo de críticas.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: