Fugitivos (Runaways)

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Todo ano, a contragosto, seis adolescentes – cada um filhos de um casal diferente – reúnem-se na casa de um deles, por conta de um evento de caridade que seus pais organizam todos os anos. Em um desses encontros, os jovens decidem espiar a reunião dos pais; e o que eles presenciam lhes deixam perplexos: um ritual, que culmina no sacrifício de uma jovem garota. Atônicos, fogem.

Eventualmente, descobrem que seus pais são as masterminds por trás de uma organização criminosa chamada “O Orgulho”, cuja influência se estende a toda Costa Oeste, com ramificações nos meios de comunicação e no sistema judiciário. Com isso, eles se vêem forçados a derrubarem os pais por conta própria.

Nico, Alex, Gertrude (e seu pet, Old Lace), Molly, Chase e Karolina

Os Fugitivos: Nico, Alex, Gertrude (e seu pet, Old Lace), Molly, Chase e Karolina

Fugitivos foi concebido por Brian K. Vaughan – mais conhecido por Y – O Último Homem e por ser um dos roteiristas de Lost – e ilustrado originalmente por Adrian Alphona (que se aposentou dessa função pouco depois do seu trabalho na série, passando a fazer apenas capas). A série debutou sob o selo Tsunami, da Marvel, o qual visava a atrair novos leitores, em especial o público cativo dos mangás. A linha fracassou, porém isso não impediu o sucesso de Fugitivos, que se tornou um título mensal.

Embora se encontre dentro do Universo Marvel, a série conta com uma cronologia simples e descomplicada; e ainda que possam ser caracterizados como uma equipe de super-heróis, a maioria dos clichês do gênero são evitados: os personagens não usam uniformes, não adotam codinomes, não possuem frases de efeito e a ação ocorre em Los Angeles, não em New York. Curiosamente, eles nunca se referiram como “Fugitivos”.

Vaughan é um dos escritores mais talentosos desta década, e em Fugitivos isso fica bem claro. Sua escrita é repleta de diálogos riquíssimos em referências à cultura pop, mas que são tanto naturais quanto orgânicos. Quanto aos personagens, há um bom tempo que a Marvel não era agraciada com tanto potencial. Os jovens protagonistas são introduzidos na história representando determinados estereótipos. Temos o delinquente, o geek que passa o dia jogando MMORPGs, a gótica que passa horas se maquiando, a certinha que faz o café-da-manhã dos pais etc. Mas são meras impressões que Vaughan faz questões de dissipar. O ser humano é bem mais complexo que isso, e ele sabe.

Chase Stein, o deliquente do grupo, por exemplo. Na infância, era duramente surrado pelo pai (que usava uma daquelas listas telefônicas grossas para não deixar marcas), o que o fez adotar a postura de bad boy fuck-the-system a fim de justificar, a si mesmo, o porquê da referida violência.

Chase e Old Lace

Chase e Old Lace

No tocante à trama, ela pode não ser mind-blowing, mas é muito bem construída e conduzida. A leitura também é fluida e envolvente, alternando momentos de ação, drama e humor de maneira orgânica. E temos alguns plot twists que realmente funcionam na sua função de surpreender e embasbacar.

Merecidamente, a graphic novel colecionou uma série de prêmios, dentre eles:

Um Harvey Award como melhor série contínua/limitada;
Um Eisner Ward a Brian K. Vaughan pelo seu trabalho nesta e em outra séries;
Um Eisner Award a James Dean pelo seu trabalho nas capas da série;

Além disso, também obteve indicações ao Shuster Award e ao Georgia Peach Award e foi considerada, em 2006, pela American Library Association como um dos melhores livros para jovens daquele ano. Fugitivos foi a única revista em quadrinhos a aparecer na lista.

Vaughan deixou a série na edição #24 do segundo volume, sendo substituído por Joss Whedon (escolhido à dedo por ele), oriundo de uma excelente fase nos X-Men, cuja agenda atarefada culminou em constantes adiamentos. Após um arco de seis edições no qual os Fugitivos viajam ao passado, Whedon foi sucedido por Terry Moore, procedente dos quadrinhos independentes e com Humberto Ramos cuidando dos desenhos.

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4 Responses to Fugitivos (Runaways)

  1. Pândego Endiabrado disse:

    Bem analisado. Vaughan tem tudo para ir além das pessoas que o influenciaram. E, tem um toque de Allan Moore ai…

    Grande escritor.

    até +

  2. Anaidris disse:

    Hello pessoal!

    Bom, eu ganhei uma edição desse HQ do meu namorado recentemente. Ainda não tive tempo pra ler, mas após essa análise fiquei mais curiosa pra ler e vou arrumar uma brecha no tempo para poder ler!
    Ahhh…o Nerds Nervosos agora tem domínio e não se chama mais nerds nervosos…hehehe. O blogger ainda está no ar, mas vamos desativá-lo em breve!Agora nosso foco está na nossa página, e estamos investindo nela!Deêm uma passadinha lá!Vamos colocar um link do Battle Nerds lá!

    Bjão e abraço pra todos!

  3. Maje disse:

    Parece muito fixe, vou espreitar a série

  4. […] quem ganha de todos eles pra mim é a Fortona da série Fugitivos. Quase ninguém conhece, mas ela é tão parecida comigo nos ataques temperamentais, que logo de […]

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