Fable 2: a continuação da fábula

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Fable: The Lost Chapters – Onde tudo começou

Em meados de 2004 foi lançado para o Xbox um título exclusivo que viria a se tornar o jogo que vendeu mais rapidamente para o video game até então: Fable: The Lost Chapters, que posteriormente foi lançado para PC, com conteúdo adicional e jogabilidade refinada pelo uso de hot keys (teclas de atalho). A premissa é interessante: A ESCOLHA É SUA.

O jogo coloca o jogador no papel de um garoto no mundo de Albion, cuja cidade natal, Oakvale, logo no início é queimada, os pais são mortos e a irmã, Theresa, perde sua visão e, ainda viva, é raptada. Salvo pelo líder de uma guilda que treina campeões, muitos deles reconhecidos como heróis, o garoto tem a chance de aprender a se defender com “os melhores no ramo” e descobrir quem são e caçar os causadores da destruição de seu lar e sua família. O grande destaque do jogo fica por conta da forma como você faz isso: literalmente não existe uma regra a ser seguida.

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Você não precisa ser bondoso. Você pode bater em qualquer pessoa a qualquer momento. Você pode roubar as pessoas, ameaçar vendedores, usar roupas que o tornem mais intimidador e ver a feição do seu personagem mudar ao passo que ele se torna mais e mais malvado em suas decisões. As pessoas correrão de você e você não será bem-vindo em cidades. Não que isso seja um problema se você for forte o suficiente.

Por outro lado, você pode realizar bons feitos, fazer as escolhas mais nobres, ajudar as pessoas, fazê-las rir, exibir seus troféus, tornar-se amigo dos vendedores e dos seus fãs, utilizar roupas e cortes de cabelo que o tornem mais amigável e ver seu personagem passar a ter, em seu extremo de bondade, uma auréola e uma luz divina sobre sua cabeça, em contraposição aos chifres e pele enegrecida do alinhamento mau.

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Do início ao fim o jogo envolve escolhas boas ou ruins, que influenciarão a história, o alinhamento do seu personagem e até o mundo como um todo. Se você decide matar alguém, esse personagem naturalmente deixará de aparecer em outra etapa do jogo. Isso pode lhe poupar de problemas maiores ou lhe privar de grandes recompensas. Mas não me entenda mal: escolher o caminho da bondade não dá necessariamente as melhores recompensas.

Sendo mau você terá suas próprias vantagens, armas específicas, missões exclusivas e desfechos bastante diferentes do caminho da bondade. Todos os caminhos, porém, levarão a um só destino: a maior crise na história da guilda dos heróis (com direito a traições e sede de poder), a maior ameaça já existente em Albion, a descoberta e vingança sobre aquele que matou sua família (o vilão Jack of Blades) e uma escolha decisiva que envolverá o bem próprio (egoísmo) ou o bem de todos os outros (altruísmo).

Bem recebido pela crítica, o jogo conta com um sistema de combate versátil e intuitivo, uma história profunda e bastante mutável e uma “mecânica” original de interação com os habitantes do mundo de Albion. Ojogo se tornou um clássico instantâneo e pouco tempo depois de lançado iniciou todo um processo de especulação por parte dos fãs, para o que viria a ser a sequência dessa épica série. E a sequência veio.

Fable 2 – Nasce um novo herói

Centenas de anos após os eventos do primeiro Fable, a guilda que treinava campeões há muito tempo deixou de existir e os caminhos da coragem e força de vontade típicas dos heróis se tornaram uma lenda. As antigas histórias do “herói de Oakvale” eram nada mais que um mito e magia existia apenas nas canções dos bardos nas tavernas.

É nesse mundo mais cético e na maior cidade de Albion, Bowerstone, que você começa o jogo na pele de um garoto (ou garota) órfão que, junto com a sua irmã (ou irmão) sobrevive como morador de rua. Ambos sonham com uma vida melhor no nobre castelo da cidade: o castelo Fairfax. Da visita de um charlatão faz-se uma oportunidade. O vendedor oferece às pessoas na praça da cidade uma caixa de música mágica capaz de realizar um desejo, pela módica quantia de 5 peças de ouro. Ninguém se interessa, mas enquanto os irmãos conversam entre si, descrentes da propriedade da caixa, uma misteriosa mulher cega se aproxima de ambos e diz que com a caixa os dois irmãos poderiam mudar de vida.

Não tendo mais nada a perder, você deve dar um jeito de conseguir 5 peças de ouro na cidade e no processo conhece aquele que se tornará uma importante peça do jogo e da história: seu cachorro. Finalmente você consegue a caixa mágica. Sua irmã faz um pedido: deseja morar no castelo Fairfax junto com você. Como o que parece ter sido mesmo um passe de mágica, no dia seguinte, guardas levam você até o castelo. Você conhece Lucien, o rico dono do local e fala sobre o desejo e a caixa mágica. Lucien agradece pelas informações e drasticamente, em função disso, o sonho se torna um pesadelo.

Lucien, que é um historiador, explica que somente aqueles de uma linhagem de antigos heróis são capazes de utilizar aquela caixa mágica . E, para seu azar, Lucien usa esse tipo de artifício para localizar e caçar futuros possíveis heróis que possam se intrometer em planos que desenvolve em segredo.

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Com essa explicação, Lucien conclui a situação matando sua irmã com um tiro e atirando em você, fazendo com que você caia da janela, dezenas de metros para fora do castelo, até chegar ao chão. O que Lucien não sabe é que você não morreu. Você é acolhido pela mesma mulher cega que lhe orientou você e sua irmã (ou irmão) sobre a caixa mágica.

Logo você descobre que o nome da até então misteriosa mulher é Theresa e que ela sabe muito mais sobre você do que você imagina. Ela cuida de você, explica a você que pode lhe ajudar a conseguir sua vingança e feitos ainda maiores. Ela fala a você sobre o mundo antigo, os caminhos da sabedria, da força e da habilidade, o caminho dos heróis, do herói de Oakvale e explica que você precisará escontrar outros dos poucos da linhagem de heróis, ainda existentes, pois não conseguirá realizar esses grandes feitos sozinho. Você então parte para moldar o seu destino, ao lado daquele que se mostrará sempre um fiel escudeiro: seu cachorro.

O funcionamento do jogo

Muito do funcionamento do jogo é semelhante ao anterior: você encarará o tempo todo decisões que podem significar a morte ou sobrevivência de alguém e o quanto seu personagem é bom ou corrupto e ter isso, novamene, refletido em seus aspectos físicos. Em um dado momento meu próprio personagem adquiriu uma auréola e “estrias” ou rachaduras de luz por todo o corpo, tamanha minha bondade e pureza. Um grande diferencial vem do fato de agora você poder ser um personagem do sexo feminino.

fable_gordo_magroEm outro destaque, agora alimentos e pequenas ações também indicam o quão puro ou corrupto você é. Comer carne (obviamente oriunda da morte de um animal) soma corrupção enquanto comer vegetais e legumes soma pureza. Seu personagem também pode engordar ou emagrecer dependendo do que ele come, ficar mais forte ou mais alto dependendo da distribuição de atributos entre habilidade, força de vontade (utilizada para magias) e força.

Você pode comprar casas para morar, comprar lojas para ganhar parte dos lucros e melhorar a economia da cidade, você pode trabalhar como ferreiro, lenhador ou atendente em um bar e se especializar ao ponto de ganhar bastante pelo trabalho, ou você pode roubar e matar, em troca de pontos de corrupção e dinheiro fácil.

O jogo agora conta com um sistema simplificado de “slots” nas armas, nas quais você pode alocar pedras que melhoram o dano da arma ou geram efeitos como por exemplo tornar seu personagem mais atrativo, dar um atributo elemental à arma ou fazer você ganhar dinheiro toda vez que mata um inimigo.

swamptroll_800Você ainda tem um caminho principal a seguir e um grande leque de quests alternativas a fazer, incluindo localizar pelo mundo estátuas de gárgula (“Gargoyles”) que falam e portas demoníacas (“Demon Doors”) que oferecem desafios a você em troca de serem abertas, dando acesso a boas recompensas. Algumas mudanças geradas nas próprias side quests acarretam em grandes mudanças no jogo e nas cidades, como a transformação de uma cidade decadente em uma cidade respeitável. Você sente o peso de suas ações.

O combate continua fluído e intuitivo, especialmetne para ataques com armas corpo a corpo e à distância. Magias não precisam mais de mana para serem utilizadas mas as de nível alto precisam de mais tempo para serem conjuradas. O Grande destaque na mecânica do jogo fica por conta do seu cachorro. Se antes você fazia tudo sozinho, agora você tem um cachorro que lhe indica locais para cavar tesouros, indica onde há baús, ataca inimigos caídos e ainda pode aprender um bocado de truques para entreter a você e aos seus admiradores. E como há formas de entreter os admiradores! O leque de “expressões” (expressions) está ainda maior que no primeiro jogo e envolve desde ações rudes como mostrar o dedo do meio e fingir-se de morto até dançar, tocar um instrumento musical e seduzir NPCs sejam eles hetero, homo ou bissexuais. Aliás, agora você pode usar camisinha para usufruir de um dos maiores prazeres da vida sem ter um filho logo de cara.

fable_2_monstrosVocê ainda pode se casar (com várias mulheres diferentes, diga-se de passagem), ter filhos, receber e dar presente a eles e interagir com diferentes habitantes para receber diversas vantagens. Ou você pode simplesmente ignorar tudo isso, focar em combate, matar quem você quiser a hora que quiser e seguir as missões principais, apenas. A escolha, como sempre, é toda sua!

O jogo ainda oferece um inédito modo cooperativo que pode ser jogado via Xbox live que dá vantagens em combates, efeitos de interações sociais melhorados e claro, amplição dos os horizontes no que diz respeito a diversão. Se a companhia do cachorro não era suficiente pra alguém, é só botar um amigo pra jogar junto e melhorar o fator replay.

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Conclusões

Se existem uma séries que fãs do gênero action RPG (como The Legend of Zelda) não devem deixar de jogar, esta série é Fable. O primeiro episódio ainda hoje é bastante satisfatório e ainda que você não tenha um Xbox (pouca gente por aqui tem!) você ainda pode jogar no PC. A tendência do Xbox 360 nos leva a crer que em um dado momento Fable 2 chegará também para PC, caso você não tenha Xbox 360. Este, da mesma forma, merece e muito ser jogado.

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A diversão e o nível de “customização” oferecida pela série são cativantes e não é surpreendente perceber que fãs jogam o jogo mais de uma vez para experimentar o jogo sob mais de uma ótica e as diferentes consequências de diferentes tomadas de decisão. É uma experiência pouco linear e duradoura, que tende a marcar a história de qualquer gamer que busque os melhores títulos do gênero.

Videos

Introdução

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4 Responses to Fable 2: a continuação da fábula

  1. […] Para saber mais sobre a estória do Fable II clique aqui. […]

  2. SenhorDosAnéis disse:

    Ah mano, o Fable I foi muito foda, uma pena o II não ter sido lançado para PC. 😥

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