O menino do pijama listrado

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Bruno é um menino de nove anos que mora em Berlim com a família e sabe muito pouco da vida além do que acontece em sua casa e na escola onde estuda. O que ele descobre logo no início do livro é que ele e a família terão que se mudar de Berlim, por conta do emprego do pai e ordens de seu chefe e Bruno não está nada satisfeito com a mudança, como qualquer menino de nove anos.

Entretanto, a história de Bruno não é uma história trivial. Para contextualizar, estamos na década de 40, em plena segunda guerra mundial o pai de Bruno é um militar alemão que responde diretamente a Hitler e a família muda para a casa vizinha ao campo de concentração de Auschwitz.

Com o passar do tempo Bruno vai se adaptando a nova situação descobrindo mais sobre a família, sobre a Alemanha e sobre os vizinhos que moram do outro lado da cerca e só vestem o mesmo traje. É por acaso que em uma exploração das redondezas, Bruno faz amizade com um menino do outro lado da cerca que sempre veste o curioso pijama listrado. E essa amizade mudará a vida de ambos.

Apesar de ser uma história inusitada, o holocausto visto pelos olhos de uma criança, falta muito mais visão do holocausto em si, no livro. A história é focada em Bruno e nas suas relações familiares, e seus problemas com o pai severo e ausente, a mãe apática e a futilidade da irmã. Alguns personagens são muito mal construídos em determinados momentos chegamos a esquecer que eles existem.

Tudo gira em torno de Bruno suas insatisfações e indagações a respeito do destino de sua família e os mistérios que cercam os vizinhos do outro lado da cerca. O grande erro de Boyne está em assoprar demais a ferida e não mostrar mais a crueldade e dos campos de concentração. E nos momentos em que a dura realidade é mostrada ao leitor o efeito é sempre minimizado pela inocência de Bruno, que sempre tenta arranjar alguma explicação plausível para as cenas de abuso dos soldados.

Mas, apesar dos pontos fracos, Boyne deve receber o mérito por criar uma obra que, se não prima pela fidelidade, pelo menos serve como introdução ao tema Holocausto, para aquele leitor que nunca leu nada a respeito e quer conhecer um pouco sobre esse importante, e trágico, momento da história da humanidade. E Boyne tem momentos inspirados durante a obra, os quais não citarei aqui para não estragar as surpresas e muito menos o final da história. Só posso dizer que alguns momentos são extremamente tensos e outros de uma beleza e simplicidade incomum. O ponto alto é justamente a amizade entre Bruno e Shmuel e o nó na garganta que vai aumentando a cada página lida.

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Quem ainda não leu, deve pegar um exemplar logo, porque o livro foi adaptado para o cinema – já está em fase de pós produção – e chega as telas em março de 2009. E se o filme conseguir transmitir toda inocência e simplicidade com que Boyne mostra a amizade dos dois meninos deverá ser um sucesso.

P.S. – E pra você que acha que sofrimento pouco é bobagem, sexta-feira, no dia dos Quadrinhos, adentraremos mais uma vez o tema do holocausto, com obra máxima de Art Spiegelman, Maus.

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