O Rock e seus “Salvadores”

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Quantas vezes ao se defrontar com uma banda nova que está fazendo sucesso você não foi surpreendido com a notícia um tanto quanto estranha de que ela é responsável por salvar o estilo a que pertence, trazendo de volta raízes há muito tempo perdidas? Vários nomes já carregaram essa grande responsabilidade sobre suas costas. De cabeça é possível citar nomes como Strokes, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e White Stripes, só para mencionar alguns exemplos que ainda se mantém em evidência no cenário musical.

Chuck Berry, na ativa aos 82 anos de idade

Chuck Berry, na ativa aos 82 anos de idade

O estranho é que apesar de a cada ano surgirem novos donos do posto de “Salvadores do Rock”, não me recordo em nenhum momento do estilo ter morrido. Alguns fãs mais saudosistas poderiam dizer que o rock morreu há tempos, com o fim dos Beatles, o encerramento das atividades do Led Zeppelin ou a morte de Elvis, e que ninguém mais vai se igualar em inovação perante estes marcos na história do estilo. Mas devo discordar disso, já que o rock continuou vivo, seja através de suas vertentes mais pesadas como o Hard Rock ou o Heavy Metal, e mesmo grandes nomes do rock clássico continuam por aí, mesmo que sem o mesmo gás do início da carreira, como mostra Chuck Berry, no alto de seus 82 anos de idade.

Então se o rock nunca morreu verdadeiramente, como explicar o surgimento de bandas que tem como objetivo salvar aquilo que nunca precisou ser salvo? Bom, uma das explicações seria o fato de que desde o fim do Nirvana, o rock voltou a ser um estilo mais underground, sendo substituído por outros estilos musicais como preferência dos consumidores. Então é claro, para aqueles que se contentam em acompanhar o que é divulgado pelas rádios e televisões comerciais, parece que não se produz mais nada de novo. Isso explicaria porque quando surge alguma banda do estilo que consegue destaque em matérias de público e venda, logo é taxada de salvadora, como se fosse por si só capaz de gerar um movimento que trouxesse os “dias de glória” de volta.

A formação atual do Deep Purple

A formação atual do Deep Purple

Já o outro fator é que parece impossível surgir um novo nome capaz de igualar a grandiosidade e relevância das bandas antigas e se tornar um novo Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd ou Deep Purple. Realmente parece que tem alguma coisa errada com o estilo quando se vê que os últimos grandes shows que se teve no Brasil foram de bandas como o Iron Maiden e o The Police, ambas com mais de 20 anos de estrada nas costas. O rock não ser mais o estilo musical mais popular também explica em parte isso, afinal, como fazer uma banda sem nome conseguir fãs se não há divulgação nos grandes meios de comunicação?

Acredito que o principal motivo é a possibilidade cada vez maior de se buscar material de bandas desconhecidas e a própria diversificação que o estilo consegue a cada dia. Os fãs de metal devem saber bem como pode ser confuso tentar entender todas as divisões presentes no estilo, que cada vez mais apresenta nomes, muitas vezes bizarros, para descrever sons diferentes dos já estabelecidos. A mudança pela qual a indústria fonográfica vem passando também explica isso: pra que investir milhões em divulgação de uma banda que possa se tornar o novo Metallica se até lá a gravadora provavelmente só vai acumular prejuízos, tanto divulgando um estilo que não é exatamente o popular, quanto sendo incapaz de competir com os downloads ilegais gratuitos?

Os sexagenários do AC/DC são mais um dos grupos que continuam na ativa

Os sexagenários do AC/DC são mais um dos grupos que continuam na ativa

Enfim, não duvido que no futuro surja um novo grande nome do estilo, que vá se tornar uma referência a ser seguida por anos e anos como as bandas que citei, mas não acredito que isso seja algo muito necessário. O rock é um estilo que nunca morreu, e que provavelmente continuará existindo por um bom tempo, provavelmente até uma guerra nuclear ou o aquecimento global varrer de vez a humanidade da face da Terra. Ainda surgirão muitos novos “salvadores”, mas isso é algo natural, e que não faz a mínima diferença para aqueles que sabem que ainda há um mercado underground produzindo e sedento pelo estilo, que conserva tanto o respeito por seus “pilares” mas não tem medo de fazer algo inovador e com qualidade.

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