Hellboy – A mão direita da perdição

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Muita gente hoje em dia só conhece o Hellboy fodão, graças as ótimas adaptações do vermelhão, feitas por Guillermo Del Toro para o cinema. Mas Hellboy é muito mais do que a gente vê naquelas duas horas de película. É um personagem muito mais denso, ou melhor, de tramas mais densas e sombrias e não tão coloridas como visto nos filmes.

O protagonista é um detetive para casos envolvendo o mundo paranormal. Um menino vindo do inferno que acaba se tornando um dos maiores heróis da humanidade na luta contra o mal. Sim, porque eu não considero Hellboy um anti-herói. Se tirarmos os chifres, a cauda e a pele vermelha ele é apenas mais um detetive durão, solucionando casos misteriosos.

Aliás é aí que está a grande sacada de Mike Mignola, o criador da série. Nas histórias o aspecto demoníaco de Hellboy não importa, não causa estranhamento, os personagens já vêem o herói como um humano qualquer. E após algumas histórias o efeito em nós, leitores, é o mesmo.

Hoje falaremos sobre uma edição originalmente publicada em 2000 nos EUA, Hellboy – A mão direita da perdição. Além da história título, esta edição apresenta vários contos curtos, ideal para quem quer adentrar o universo demoníaco de Mignola. A edição é dividida em três momentos. O primeiro arco de histórias é chamado de Anos Dourados, é composto de três histórias e se passa entre as décadas de 40 e 50.

Panquecas é a primeira história e se passa no México, em 1947, trazendo um Hellboy menino, teimoso e curioso, recusando-se a experimentar panquecas no café da manhã. A mensagem dessa história é clara: o personagem poderia ser qualquer um de nós. Destaco nessa história a divertidíssima repercussão dos demônios, na cidade de Pandemonium, a capital do inferno, ao constatarem que Hellboy experimentou panquecas.

É fato conhecido que quando a Dark Horse pediu uma história sobre Hellboy jovem, Mignola não estava com a menor vontade de escrever e sugeriu uma publicação de duas páginas apenas com Hellboy comendo panquecas, uma história feita ‘nas coxas’ por assim dizer. Mas o pequeno conto tornou-se uma das histórias mais populares, responsável direta pela publicação futura de Hellboy Jr.

Os contos seguintes, A natureza da fera e Rei Vold, servem pra ressaltar novamente o lado humano de Hellboy, e como o herói é falível também. Como eu disse anteriormente, esqueça o herói fodão do cinema. Nos quadrinhos Hellboy erra e apanha muitas vezes. No primeiro conto ao enfrentar um dragão, Hellboy se salva por pura sorte. A história é baseada em uma lenda inglesa que conta a luta entre São Leonardo e um dragão. Diz a lenda que durante a batalha no local onde o santo lutou, o sangue que caiu ao chão fez brotarem lírios, que até hoje crescem numa região pertencente West Sussex, na Inglaterra.

No conto Rei Vold, Hellboy vai até a Noruega a pedido de seu pai adotivo, ajudar um velho amigo dele. Chegando lá encontra Edmond Aickman, que está investigando o caso de um fantasma chamado King Vold que tem aterrorizado a região com seus cães fantasmas. Hellboy acaba constatando que Aickman não está interessado apenas em desvendar o mistério e acaba levando uma surra de um dos cães fantasmas de Vold. Aqui é importante destacar o conhecimento de Mignola de diversas mitologias e culturas, resultado de pesquisas para compor o universo de Hellboy.

A segunda parte desta graphic novel é chamada de Anos da Maturidade se passa entre as décadas de 60 e 80, e aqui vemos um Hellboy um pouco mais cínico e bruto, depois de anos de investigações e pesquisas paranormais. Este arco, também divido em três histórias, nos leva inicialmente ao Japão, onde vemos o vermelho em mais um história solo, enfrentando cabeças sem corpo em uma antiga casa mal-assombrada.

A segunda história apresenta um médium que ao tentar acessar o mundo espiritual através do uso de ectoplasma, acaba sendo consumido por uma criatura abissal. Hellboy é chamado pela assistente do médium e tenta salvá-lo. A criatura convocada claramente inspirada nos monstros ‘tentaculosos’ de H. P. Lovecraft, umas das grandes inspirações de Mignola.

A última história do arco chama-se de Vârcolac, um vampiro romeno, considerado o mestre de todos os vampiros, capaz de causar eclipses. Hellboy encontra a criatura ao caçar a condessa Ilona Kakosky, que também é um vampiro. A história nos dá mais uma pista sobre a identidade de Hellboy quando a condessa diz:

“Ele vai destruí-lo completamente, não pelo que você é, mas pelo que poderia ser e não é.”

Aqui começa o terceiro arco onde temos as duas histórias que considero mais importantes nessa edição: A mão direita da perdição e A Caixa do mal(cujo título ainda prefiro no original “Box full of evil”). Estas histórias não são datadas o que nos faz crer que se passam nos dias atuais. Na primeira história Mignola faz uma retrospectiva da origem de Hellboy, na qual o próprio demônio conta sua história para um padre chamado Adrian Frost, filho de um grande inimigo de Hellboy o Professor Malcolm Frost. Ao final da história o padre entrega a Hellboy uma pista intrigante que faz referência a sua mão de pedra e o perigo dela cair em mãos erradas.

A última história, A caixa do Mal, nos traz a dupla Hellboy e Abe Sapien em uma investigação sobre um misterioso assalto, no qual foi usada inclusive uma ‘mão da glória’, um artefato de magia negra capaz de abrir todas as portas e paralisar pessoas. A mão da glória é feita a partir da mão decepada de um enforcado. Com o decorrer das investigações descobrimos que um homem chamado Igor Bromhead, roubou uma caixa na qual um demônio foi aprisionado.

Mais adiante o demônio é libertado e sob o controle de Igor conta que Hellboy carrega a coroa do apocalipse e que sua mão carrega um valioso poder. Para se apossar dos dois itens Igor terá que acabar com Hellboy, mas as coisas não saem como planejado. Esta história é interessante pois mostra um Abe Sapien muito mais durão do que o visto no filme e novamente explica muita coisa sobre a origem de Hellboy.

Estas são as histórias de Hellboy – A mão direita da perdição, lançada aqui no Brasil em 2004 pela editora Mythos, em uma qualidade que deixa a desejar, mas ainda sim cheia de extras entre eles as capas originais das edições publicadas nos EUA, esboços e comentários do próprio Mignola sobre cada uma das histórias e ainda traz a opinião de ícones dos quadrinhos como Will Eisner, Frank Miller e Sergio Aragonés.

Ou seja, é uma edição imperdível, quer dizer imperdível não, porque eu tinha a minha guardadinha e ela foi roubada. Roubada. R-O-U-B-A-D-A. E eu espero que o meliante vá para inferno sentar no colo do Astaroth. Mas a boa notícia é que a Mythos começou a republicar este ano uma coletânea chamada Hellboy: Edição Histórica e é uma oportunidade para quem não conhece (e também para quem foi roubado…) iniciar uma incursão pelo mundo sombrio e divertido de Hellboy.

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One Response to Hellboy – A mão direita da perdição

  1. Silva disse:

    É interessante como histórias sem pretensos prendem a gente. Foi a história da panqueca q me fez ficar fã do herói.

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