Games bem além do entretenimento (Parte 2 de 2)

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Continuamos nessa semana a saga que mostra a crescente presença dos games no nosso cotidiano. Se você está no meio do caminho talvez queira ler a primeira parte do artigo, publicada há duas semanas.

Se os games já superaram o cinema em lucro, já ganharam notoriedade no mundo todo e têm tido presença cada vez mais marcante na vida das pessoas é por uma razão bem objetiva: eles originalmente visam entreter, e fazem isso muito bem. Na semana passada ficou evidenciado que ainda que os jogos sejam feitos para entreter, os ganhos em jogá-los são muitos. Mas e quando parte-se de um ponto de partida diferente, o de games que não foram feitos “somente para entreter”? Bem, há um leque bastante grande de tipos de jogos e ações associadas a jogos que claramente ultrapassam a barreira do entretenimento e têm diferentes finalidades. Vejamos a seguir.

Jogos Educacionais e esportivos sem compromisso mas respeitáveis

Idosos em asilos de primeiro mundo jogam Wii para se exercitar e passar o tempo

Idosos em asilos de primeiro mundo jogam Wii para se exercitar e passar o tempo

Já há muitos anos jogos com a clara intenção de treinar e ensinar enquanto se gera entretenimento são lançados no mercado, para pc, focando o público infantil. O que passou a ocorrer, porém, é que jogos voltados para públicos bastante mais abrangentes têm sido lançados nos consoles mais recentes. Grande parte da “culpa” é da Nintendo, que com os revolucionários Nintendo DS e Nintendo Wii definitivamente buscou atingir um público diferenciado do games-médio. Dentre diversos títulos podem ser citados Brain Age, um jogo de DS que visa “manter o cérebro ativo” com desafios de raciocínio e lógica que tem tido grande aceitação de públicos não tradicionais dos games: mulher e terceira idade.

Também destacam-se no intuito de “exercitar corpo e mente” os títulos Wii Sports e Wii Fit, ambos do Nintendo Wii. Os dois últimos casos trabalham ritmo, equilíbrio e coordenação motora, desafiando o sedentarismo tradicional associado ao gamer.

Simuladores para brincadeira que dão noção de coisa séria

Jogo oficial do exército americano com gráficos semelhantes a Counter-Strike

Jogo oficial do exército americano com gráficos semelhantes a Counter-Strike

Simuladores com acesso das massas mas e com grande nível de realismo podem inserir o usuário em um contexto próximo do real. É o que há muitos anos fazem os jogos America’s Army, título similar a Counter-Strike, ambientado especialmente para o exército americano, que é jogado por soldados afim de desenvolver atributos como senso tático, índice de atenção e trabalho em equipe. Também não pode deixar de ser citado Fligh Simulator, da Microsoft, que oferece ao jogador uma experiência bastante realista no manejo de aeronaves, com passagem de tempo real, piloto automático e até opção online com possibilidade de atuação como operador da torre de comando, orientado outros jogadores em pousos e decolagens.

O que esses jogos têm em comum é que foram feitos para as massas e sem critérios rígidos para serem considerados plenos em relação ao conhecimento que oferecem. Em outras palavras, eles não representam experiência profissional. Uma pessoa que jogue muito bem Flight Simulator não estará habilitada a voar, ainda que a simulação seja muito próxima do real e um exímio jogador de America’s Army nem de longe estará pronto para um combate real. Ambos os jogos são PARTE de um aprendizado, que insere o usuário em noções gerais de funcionamento.

Jogos Sérios (Serious Games)

Jogo sério usados na medicina

Pulse!!: Jogo sério usados na medicina

Quando o jogo pode ser considerado uma das bases do aprendizado de um determinado assunto, sem fins de entretenimento, ele tende a ser classificado como um “jogo sério” (serious game). No caso dos próprios simuladores de vôo, existem aparelhos com sistemas hidráulicos que reproduzem movimentos da aeronova e, obviamente, têm um display virtual em tela do que ocorre durante a simulação. Além de simuladores de vôo, hospitais e universidades dos estados unidos e outros países de primeiro mundo já contam com jogos que simulam situações de pressão e risco para médicos e enfermeiros, como parte de treinamento formal. Simular situações críticas e de risco também é um dos principais papéis dos simuladores de vôo profissionais, usados para novos pilotos e para reciclagem obrigatória de conhecimentos.

Escolas e universidades do primeiro mundo já contam com serious games que simulam organismos vivos e corpos e chegam a substituir aulas de anatomia com dissecação de cadávares, além de games que simulam o funcionamento de células e reações físicas, reforçando o conhecimento ou substituindo completamente lousa e giz em aulas em algumas aulas de física e química. Você já imaginou ter uma aula de química em um laboratório… de informática?

Uma iniciativa brasileira curiosa foi o desenvolvimento de um jogo, pelo Sebrae, utilizado para o chamado Desafio Sebrae. Trata-se de um simulador administrativo através do qual diversas equipes de “administradores” competem para obterem sucesso com suas empresas. Boa parte do processo é feito online e mesmo com a presença física nas etapas posteriores, o processo e a avaliação é feita dentro do jogo. Visando quem está começo da carreira, o jogo oferece a chance de começar a se habituar com o mercado de trabalho.

Advergames e Publicidade nos games

Advergames são jogos desenvolvidos claramente para fins publicitários. Muito comuns hoje em dia, são em grande parte “embedados” no próprio site da anunciante e desenvolvidos utilizando linguagens comuns na web como Flash e Java. destacam-se exemplos como o jogo dos Poupançudos da Caixa e o Super Vôlei Brasil criado pela Olympikus.

Obama em anuncio de partida online de Burnout Paradise

Obama em anuncio de partida online de Burnout Paradise

Além de jogos com fins publicitários existem jogos normais, com função online que cada vez mais abrem espaço dentro do jogo para anúncios publicitários. É o caso de Burnout Paradise, que recentemente recebeu um anúncio bastante popular da campanha presidencial norte-americana de Barack Obama. Outro game com amplo espaço para anúncios publicitários é o famigerado (mas muito pouco popular em relação ao que era esperado) Second-Life. Nele, empresas inteiras são reproduzidas como no mundo real e funcionários reais recebem visitantes e fazem conferências virtualmente.

Próximos Passos

Advergames, serious games, simuladores e games educacionais sem maiores compromissos… você já tinha ouvido falar em todos eles? Provavelmente não. O próximo passo é a popularização crescente da recente iniciativa de através de jogos capacitar estudantes e profissionais de diversas áreas, algo que mal chegou aos países em desenvolvimento como o nosso. Se advergames de qualidade começam a se tornar realidade e os números indicam uma penetração crescente e exponencial de computadores e da internet do Brasil, é natural pensar que é literalmente questão de tempo até que uma visão mais contemporânea e ligada a tecnologia leve desenvolvedores, cientistas, médicos, professores e outros profissionais a trabalharam com games na capacitação profissional. E o mercado, paralelamente, vai aprender a reconhecer e respeitar cada vez mais o potencial de quem domina jogos e simuladores sérios.

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