Reforma Ortográfica

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Reformaram a língua portuguesa. Quer dizer, não chega a ser uma grande reforma. É no máximo o equivalente ortográfico de derrubar uma parede pra deixar o puxadinho um pouco maior. Mas ainda assim, até que mudou bastante coisa.

Talvez você pergunte “Como assim reformaram a língua portuguesa?”, ou “Quem ‘comanda’ essa reforma?”, ou ainda “pq ki eu divia me importah?”. Se você foi responsável por essa última, fica tranquilo, esse tipo de coisa não te atingiria nem em meio século. Mas as outras são válidas.

Essa idéia da reforma da língua portuguesa não veio do nada, surgiu de uma decisão dos países de língua portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, entre outros, além do Brasil), em 1990. Mas para que fosse confirmada, eram necessários 3 países aprovando a reforma, o que ocorreu em 2006, embora Portugal só a tenha aprovado esse ano.

A vantagem desse acordo é unificar a língua portuguesa (que tem duas formas oficiais, a Brasileira e a Portuguesa) para todos os países, e torná-la mais simples para seus usuários.

Mas o que muda pra gente, afinal de contas?

As letras K, W e Y voltam a ser parte do alfabeto. Mesmo não sendo parte do alfabeto “oficial”, elas nunca deixaram de ser usadas. Ou seja, essa regra “nova” é meio redundante.

Hífen. Seu uso se torna um pouco mais raro agora, pois se a segunda palavra começa com r ou s, as duas se tornam uma palavra só. Assim como se o primeiro termo termina numa vogal diferente da vogal que o segundo termo começa. Veremos palavras como semirreta, autorretrato, antissemita, autoestrada, etc. Talvez seja só o costume, mas ficou meio feia essa grafia nova.

Trema. Essa foi pro saco oficialmente, mas ninguém usava mesmo. Ou vai dizer que você sempre escreveu ‘lingüiça’ ao invés de ‘linguiça’?

As regras de acentuação também mudaram:

Não se coloca mais o acento circunflexo (esse aqui: ^) em palavras terminadas com ‘oo’ e em verbos com ‘ee’. Ou seja, agora vôo, enjôo, vêem e lêem passam a ser escritos voo, enjoo, veem e leem.

Não se coloca mais acento agudo em ‘ditongos abertos (ei e oi)de palavras paróxitonas’ e em ‘paroxítonas com “i” ou “u” tônicos seguidos de ditongo’. Na prática, palavras como ‘heróico’, ‘idéia’ e ‘feiúra’ perdem os acentos.

E agora também não teremos mais o acento para diferenciar palavras diferentes com grafia igual, como “pára” (do verbo parar) e “para”(a preposição), ou “pêlo”(substantivo) e “pelo”(preposição + artigo).

De longe as regras que mais causam estranheza são as de acentuação. Principalmente porque a gente lembra dos acentos mais por costume de lê-los do que por saber as regras exatamente. Claro que a transição é lenta, e pelo menos agora no começo ela vai encontrar alguma resistência. O próprio José Saramago, único escritor em língua portuguesa a ganhar um Nobel de literatura, já disse: “Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores”.

É questão de se acostumar agora, e prestar atenção antes de escrever, mas sem paranóia. Ou paranoia.

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