Planetary – Os arqueólogos do impossível, parte 2

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Planetary é uma das séries mais interessantes já publicadas, não só pelo seu enredo em si, mas como também pelas inúmeras referências injetadas por Warren Ellis na obra. Conforme combinado na semana passada a partir dessa semana apresentaremos as histórias de Planetary, separadas por edição. A partir de agora você poderá ver o que foi publicado em cada uma das edições: personagens, referências, homenagens diretas ou indiretas e um breve resumo de cada capítulo desta história.

Boa leitura.

 

All over the world

A primeira edição de Planetary começa exatamente com o recrutamento de Elijah, que é convidado por Jakita para participar da organização. Lá Snow descobre que todo o financiamento da organização é feito por um homem conhecido apenas como o Quarto Homem, cuja verdadeira identidade é desconhecida. Tão logo Elijah é apresentado ao Baterista à equipe parte em sua primeira missão, um complexo secreto em Adirondacks onde somos apresentados ao Doutor Axel Brass e ao “Floco de neve”, a representação física do multiverso, ou melhor, um portal para outras dimensões, criado por Axel e seus companheiros na década de 40. Nesta edição é contada a história de Axel Brass, sua equipe e sua luta para impedir uma invasão extra-dimensional de uma equipe de heróis que vê o Floco de neve como um vetor para destruição de sua própria dimensão.

Comentário: O legal nessa edição é identificar às homenagens a era de ouro e prata dos quadrinhos que Ellis faz. Doc Brass, por exemplo, é a representação de Doc Savage, um herói criado na década de 30. Doc Savage era um físico, médico, cientista, inventor, pesquisador e aventureiro nas horas vagas, que tinha poderes quase sobre-humanos, treinado desde criança nas artes marciais e possuía ainda memória fotográfica. Foi um sucesso nas publicações de super heróis. Além de Doc Savage Ellis homenageia personagens como Tarzan e Fu Manchu, além da própria Liga da Justiça (repare nos heróis que invadem nossa realidade).

 

Island

Nesta edição a equipe de Planetary é enviada a misteriosa Ilha Zero, no arquipélago japonês, para resgatar um grupo de fanáticos, que chegou ao local sem permissão. Mas porque as pessoas precisariam de permissão para ir até a Ilha Zero? Simples, o local está repleto de esqueletos de monstros gigantescos. Os monstros teriam aparecido na Ilha após Hiroshima ter sido atingida pela bomba atômica. Elijah, Jakita e o Baterista têm que encontrar os invasores da Ilha Zero e tentar retirá-los com segurança da ilha, que é patrulhada por uma milícia, cuja missão é impedir a humanidade de descobrir a existência da Ilha Zero.

Comentário: Island é uma homenagem aos filmes de monstro japoneses. Os esqueletos das criaturas que aparecem na Ilha são baseados em monstros que aparecerão nos filmes de Godzilla. Entre os monstros que aparecem nesta história estão:

– Mothra: Uma mariposa gigante que apareceu em alguns filmes de Godzilla e ganhou seu próprio filme em 1961.

– Ghidorah – um monstro de três cabeças é o segundo esqueleto a ser avistado na ilha. Ghidorah foi um dos maiores vilões dos filmes japoneses

– Godzilla: o grande ícone dos filmes “monstruosos” também aparece nesta edição e tem sua carcaça visitada pela seita que invade a ilha.

– Rodan: um híbrido entre dinossauro e dragão. Rodan é o monstro que aparece voando sobre a ilha ao final da edição.         

 

Dead Gunfighters

Uma das histórias mais bacanas da série. Dead Gunfighters tem sua trama ambientada em Hong Kong e os primeiros quadros já dão o tom cinematográfico da história que nos apresenta o policial fantasma Shek Chi-Wai. Nas páginas iniciais o policial detém uma gangue em quadros dignos dos filmes de John Woo, perseguição de carros, vidros quebrados e ação em câmera lenta. Toda a ação é observada pelos três integrantes de Planetary, que estão investigando o caso. Ao longo desta edição descobrimos que o policial foi assassinado em uma emboscada e procura por vingança. 

Comentários: Shek Chi-Wai não é o primeiro policial fantasma das histórias em quadrinhos. O mais famoso personagem nesse estilo é o Espectro, herói da DC Comics, mas a Dark Horse também já entrou nesta seara de fantasmas armados sedentos pro vingança com a sinuosa Ghost, personagem criada por Eric Luke.

 

Strange harbours 

Em Strange harbours somos apresentados a Jim Wilder, investigador particular que trabalha para Anna Hark, filha de um dos parceiros de Doc Brass, apresentado na primeira edição e líder de um império multinacional. Jim Wilder investiga um atentado terrorista contra um dos edifícios da corporação Hark, que foi explodido por uma organização chamada Floco de Neve. Durante a investigação Wilder se depara com um crime em andamento e sai em perseguição ao assaltante. Durante a perseguição Wilder acaba entrando no local da explosão, onde a equipe de Planetary está estudando um misterioso objeto. Wilder toca acidentalmente o objeto e desaparece, para surgir, segundos depois, inconsciente com uma cicatriz gigantesca no peito. Ao despertar Wilder é interrogado por Jakita e Elijah, que descobrem que o objeto transformou Jim Wilder num super humano.

 Comentário: Strange harbours introduz novos personagens e faz uma alusão ao Capitão Marvel, famoso herói da DC Comics. Que, após um encontro com um mago, acaba recebendo super poderes. Contudo em Planetary o mago é substituído por uma nave alienígena. Ellis deixa a referência ainda mais clara ao colocar a cicatriz no peito de Wilder no formato de um raio.              

 

The good doctor 

Em “O bom doutor” reencontramos Axel Brass, o médico resgatado em Planetary 1. Nesta edição Doc Brass e Elijah Snow passam uma tarde sentados a grama conversando sobre a vida, o tempo e a passagem dele, inclusive descobrimos que Axel e Elijah nasceram na mesma data, 01/01/1900 e sobre a corporação Hark. Ao final da conversa descobrimos que Snow e Brass têm muito mais em comum do que imaginamos. É uma edição sem muita ação, mas apresenta Ellis em um dos momentos primorosos de Planetary.

Comentários: Nesta edição Axel e Snow mencionam Jenny Sparks, personagem de Authority. Brass também fala sobre uma luta contra alienígenas que na verdade são os Demonitas, arquiinimigos dos WildC.A.T.S, grupo de heróis também pertencentes à Wildstorm. A capa de The good doctor também faz alusão às capas de Doc Savage, inclusive na tipologia e arte utilizada.

 

It’s a strange world

 Nesta edição descobrimos que uma expedição de astronautas alemães, fez uma viagem espacial durante a guerra fria, em 1961, antes dos americanos irem ao espaço com as missões Apolo. Através do Baterista, que narra a história para Snow, ficamos sabendo que nessa viagem ocorreu um acidente que transformou os quatro astronautas alemães em super-humanos. Nesta edição os agentes de Planetary confrontam William Leather, um dos quatro astronautas que agora possui poderes flamejantes. Misteriosamente Leather parece já conhecer Elijah. 

Comentários: O principal foco dessa edição são os quatro astronautas e sua transformação após o acidente. Ellis faz aqui uma homenagem ao Quarteto Fantástico da Marvel, onde quatro pessoas passam pela mesma situação. Mas enquanto os personagens da Marvel decidem ser heróis, os Quatro em Planetary na verdade são os vilões da história. William Leather seria o equivalente a Johnny Storm, o Tocha-Humana.

  

To Be in England, in the Summertime

 Um pouco do passado de Jakita Wagner é contado nesta edição, mais especificamente seu relacionamento com Jack Carter um mestre nas artes místicas que vivia na Inglaterra. Logo no início da edição acompanhamos a equipe de Planetary indo até o funeral de Carter. Descobrimos que o baterista pode reconhecer também sinais de magia e o trio segue investigando a morte de Carter e adentrando a vida do mesmo, através de uma história contada por Jakita.

 Comentários: Jack Carter é John Constantine cuspido e escarrado. Nesta edição, desde a capa, Ellis trata do universo sombrio, místico e perturbador de Hellblazer, publicação do selo Vertigo. No funeral de Jack Carter temos várias homenagens como à série Monstro do Pântano de Alan Moore, Sandman e outros personagens.

  

The day the Earth turned slower

 A história desta edição começa nos apresentado a presença radiante de Allison. Uma mulher que foi vítima de experimentos científicos na década de 60, em uma estação de pesquisa conhecida como Science City Zero. Os agentes de Planetary encontram a mulher, justamente para investigar o que sobrou da estação científica e ouvem o relato das experiências que transformaram pessoas em aberrações. O trio descobre que na estação científica Allison foi morta e ressuscitada pelos cientistas e tornou-se uma forma de vida radioativa desde então, com prazo para expirar em cinqüenta anos. A mulher conta que resolveu denunciar as atrocidades cometidas no local para se redimir e redimir a memória de todos que foram torturados naquele local.

Comentário: Essa edição homenageia os filmes antigos de ficção científica. O próprio título da história faz referência ao filme “O dia em que a terra parou”, que narra o ataque de alienígenas. Além deste filme na capa e na própria história Ellis apresenta uma mulher gigante que é inspirada no filme “A mulher gigante”, de 1958 que foi refilmado em 1993 trazendo Daryl Hannah no papel da protagonista.

  

Planet Fiction 

Quais são os segredos do passado da organização Planetary? Quando Elijah foi recrutado foi informado de que os agentes de campo sempre agiram em trio, mas quem era o predecessor de Snow? Nesta edição conhecemos a história de Ambrose Chase, um homem com o poder de criar uma espécie de campo de força e de controlar o tempo. Descobrimos que Ambrose é um dos sobreviventes da estação científica Science City Zero e que Chase foi morto em uma missão enfrentando uma organização comandada pelos Quatro.

Comentário: Ambrose Chase parece ser o líder de campo do Planetary antes de Snow entrar na equipe e usa vestes brancas iguais as de Snow. Esta edição lança apenas algumas pistas a respeito da identidade secreta do financiador e mentor do Planetary, Fourth Man.

 

Magic and Loss

 Logo no início da edição nos deparamos com Elijah Snow está no laboratório dos Quatro, que foi descoberto na edição número seis da série, e são mostrados ao leitor alguns itens familiares entre os leitores da DC Comics. Em um canto vemos amontoados uma bateria de energia, uma capa, braceletes de ouro e uma capa. Descobrimos então a origem dos objetos. Uma criança alienígena é enviada a terra para escapar da destruição de um mundo. Um alienígena recebe uma fonte de energia para patrulhar o universo. E uma amazona é enviada ao mundo dos homens para compartilhar seus conhecimento e sua tecnologia. Entretanto estes heróis têm destinos trágicos na história, destinos orquestrados pelos Quatro.

Comentário: Uma homenagem a três dos personagens clássicos da DC Comics: Super-Homem, Lanterna Verde e Mulher- Maravilha. Ellis subverte as origens dos personagens e mostra o que aconteceria se os heróis tivessem chego a um mundo secretamente dominado pelo mal, que evita de qualquer forma o surgimento de uma oposição ao status quo.

 

Cold World

Nesta edição Elijah Snow está à procura de respostas e ele as terá a qualquer custo. A história começa com um flashback de um novo personagem John Stone, um agente secreto, enfrentando uma organização criminosa liderada por mulher que se denomina a Noiva. Neste flashback vemos o primeiro encontro de John e Elijah em 1969. A história avança no futuro e Snow e Stone se encontram novamente. Dessa vez o membro do Planetary está atrás de respostas a respeito de sua organização, pois desconfia de seus companheiros. Quando Stone cita o Guia Planetary de 1931, a conversa com Stone traz a tona memórias bloqueadas de Elijah que então afirma saber a verdadeira identidade do mentor do Planetary.

Comentário: A história de Cold World é um típico cenário de agentes secretos, no melhor estilo 007, com intrigas, traições, e vilãs gostosas. Entretanto John Stone lembra Nick Fury, o líder da maior organização secreta da Marvel, a S.H.I.E.L.D. Isso se Nick Fury tivesse a elegância de um James Bond. John Stone é um personagem importante na série e voltará a aparecer no caminho de Elijah.

 

Memory cloud

 Memory cloud é a edição decisiva onde finalmente descobrimos o passado de Elijah Snow e os mistérios que envolvem Planetary, inclusive o protagonista descobre a identidade do mentor da equipe. Nesta edição Elijah coloca seus colegas de equipe contra a parede, depois do encontro com John Stone que revelou alguns segredos que haviam sido apagados da memória do protagonista. Após uma conversa esclarecedora é declarada a guerra contra os Quatro.

Comentário: Memory cloud encerra o primeiro arco de histórias de Planetary – o segundo arco encerra na edição 26. Aqui vemos Ellis ligar com maestria os acontecimentos citados até agora e lança um novo desafio para a equipe. Voltar as suas origens e enfrentar, declaradamente os vilões da história que até o momento tiveram apenas um papel importante, porém de coadjuvantes na história.

 

Por enquanto é só. Na próxima semana apresentaremos no BNBlog o segundo arco de histórias e o confronto final dos membros de Planetary com Os Quatro, que promete abalar as estruturas do mundo. Qual o objetivo secreto dos Quatro e como a equipe de Planetary enfrentará os vilões a partir de agora?

Uma resposta para Planetary – Os arqueólogos do impossível, parte 2

  1. […] ocorrer na semana que vem, a situação estará regularizada e teremos a parte final do post Planetary – Os arqueólogos do impossível. O quê? Você é novo aqui? Aproveite então pra ler os demais posts de quadrinhos publicados até […]

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