Qual o papel do crítico afinal?

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Você deve conhecer o tipo: passa horas e horas pesquisando bandas desconhecidas pela internet,  e adora escutar coisas consideradas alternativas (embora todo mundo as conheça e já tenha ouvido uma ou outra coisa). Acima de tudo, adora demonstrar seu “grande conhecimento” criticando estilos e atribuindo notas à tudo que escuta, sempre discordando e discutindo com aqueles que se opõe à sua opinião, taxando-os de ignorantes com mal gosto.

O crítico chato foi uma figura que sempre existiu. Seja aquele coleguinha de escola que te enchia o saco dizendo que Iron Maiden é a melhor banda do mundo, e dizendo que todo o resto do Heavy Metal é “falso”, ou aquele cara totalmente “alternativo” que não aceita que exista quem ache bandas como Radiohead chatas e que não veja nada demais em seu som experimental. Com o surgimento da internet e a liberdade de escolha, essa figura se tornou ainda mais presente, seja em blogs, foruns e sites conceituados.

Algo que sempre me incomodou nesses críticos não é exatamente em si a postura de falar mal de tudo que não se encaixa em sua idéia específica do que é música boa, mas sim quando estes conseguem uma legião de seguidores para defender sua palavra e inflamar seu ego. Quando se concentra uma espécie de culto em torno do “crítico”, sua palavra passa a valer como algo quase divino, e coitado daquele que ouse discordar. Claro que existem pessoas mais qualificadas para falar de música do que outras, assim como em qualquer outro assunto, mas a principal característica que observo nos chamados “críticos” é uma mente fechada aliado ao fato de aparentemente esquecerem que gostar ou não de algo no fundo é uma questão pessoal.

Mas afinal, qual o papel do crítico? Será que o papel real deles é esse que citei, de supostos detentores da capacidade de dizer o que é bom ou não? Eu não vejo a possibilidade de essa figura desaparecer no futuro, mas sim uma modificação de seu papel, atualmente estipulado como “o cara que sabe dizer o que é bom ou não”. Com o crescimento da Internet, o crítico tende a ser mais como uma referência do que vale a pena conferir, mas será forçado a assumir uma postura diferente, pensando mais em qual o público alvo daquilo que escreve do que meramente em seu gosto ou conhecimento musical.

É claro, sempre vão existir os chatos conhecidos por só reclamar e nunca apontar os pontos positivos de algo (coisa que acho intrigante, já que diversas vezes vi críticas positivas que se refletiam em notas mediocres, assim como a situação inversa), mas acredito que essa figura logo deve entrar em extinção, pois a tecnologia digital (leia-se mp3 e sistemas P2P) permite uma facilidade muito maior em julgar algum trabalho por si mesmo, do que ficar em dúvida de adquirir algo muitas vezes caro e que não se tem certeza da qualidade.

O grande problema do critico chato ao meu ver é a incapacidade de ver os demais têm direito a uma opinião e um gosto diferentes do seu. Acredito que as pessoas que são incapazes de ver que nem sempre estão certas (e por que não, de admitir que gostam de músicas que efetivamente possuem baixa qualidade, mas que divertem) acabam ajudando a criar preconceitos, e acima de tudo incentivam as pessoas a não pensar por si mesmas. Pense, quantas vezes você já não deixou de ir em algum show de uma banda desconhecida, ou criou um preconceito com um novo lançamento de um artista, porque algum dito conhecedor do assunto falou mal daquilo?

Com a internet, vejo cada vez mais cada um se tornando o crítico em si, procurando ter um papel mais ativo em sua relação com a música. Forums e blogs são a prova de que cada vez mais a tendência é que opiniões conflitantes encontrem espaço, tirando o poder do grande crítico, que vai ter que pensar mais no que seu público espera do que meramente empurrar uma opinião mal humorada para cima dele.

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One Response to Qual o papel do crítico afinal?

  1. Hel disse:

    Primeiro comment é meu!? What an honor!
    É, o q mais preocupa com a proliferação de critichatos na internet é que além de nem sempre serem qualificados para tal, é que eles são geralmente inoportunos, criticando quando não são chamados e dando pitaco em tudo e qualquer coisa e às vezes agredindo em vez de criticar com embasamento.

    “bju, me liga”
    haha

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