Planetary – Os arqueólogos do impossível

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Ok, eu confesso. Eu tinha um preconceito horrível contra a WildStorm. Eu acompanhei o nascimento da editora e até me empolguei com alguns títulos no início, como WildC.A.T.S. e GEN13, mas depois de um tempo percebi que as histórias eram pura imagem, davam gosto de ver, mas não havia muito conteúdo no que a editora publicava.

Contudo, fui surpreendido recentemente por uma saga criativa e inteligente dessa editora, graças a indicação de dois amigos (obrigado V e Regente), foi pelo conselho deles que eu fiquei sabendo que a editora tem publicado títulos interessantes e de qualidade. E foi meio que despretensiosamente que descobri Planetary, a multi-dimensional saga criada por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday.

Eu nunca havia lido nada do Ellis e achei um escritor muito inteligente e preciso no seu enredo. Em Planetary a dupla criou novos heróis, que eu nem chamaria de super-heróis porque, apesar do fato de terem poderes, estes não são o detalhe mais importante da história. Na maioria das vezes até esquecemos que os protagonistas são super-poderosos.

Planetary começa apresentando o protagonista da saga Elijah Snow, que tem poderes semelhantes ao do Homem de Gelo, só que muito mais poderoso, com um único pensamento ele pode congelar um quarteirão inteiro. No início da história Snow é recrutado por Jakita Wagner, uma bela mulher que possui super-força e super-velocidade e The Drummer – eu não quis traduzir para o português porque chamar o personagem de O Baterista é meio brega– personagem que consegue receber e manipular qualquer tipo de sinal de comunicação seja ele eletrônico ou não.

Eles fazem parte da organização secreta chamada Planetary. E os agentes da organização são conheicdos como os “Arqueólogos do impossível”. O objetivo dos protagonistas de Planetary é investigar, descobrir os segredos escondidos do mundo e preservá-los de forças ocultas, que desejam apossar-se ou destruir estes segredos. Elijah, Jakita e Drummer formam a equipe de campo de Planetary e são financiados pelo misterioso The Fourth Man.

Um dos pontos fortes do título é a quantidade de referências que Ellis vai fazendo ao longo da narrativa. Heróis, aliados coadjuvantes, cenários, tudo ali tem um motivo, nenhuma aparição é gratuita. A começar pelos vilões da história o grupo conhecido como The Four, composto de quatro astronautas que em uma viagem espacial sofrem um acidente e ganham super-poderes. The Four é uma deturpação do Quarteto Fantástico da Marvel e o objetivo desse quarteto aqui é justamente impedir o florescimento do conhecimento no século XX, impedindo as descobertas e controlando qualquer evento que possa interferir na evolução do planeta. Obviamente o quarteto sinistro tem um interesse por trás dessa manipulação mundial.

Planetary pode ser considerado uma mistura de Indiana Jones, 007 e Constantine, se todos os personagens fossem apenas um e a história fosse escrita por Arthur Conan Doyle, Isaac Asimov e Allan More, se eles compartilhassem uma mesma  mesa de bar um dia. Com Planetary, Warren Ellis consegue desconstruir e ao mesmo tempo reconstruir o mito super-herói, explorando vários clichês do gênero e ainda assim não escrevendo uma história de super-heróis.

É aí que reside a inteligência do título, nesse cuidado com a narrativa e a precisão com que Ellis vai conduzindo o leitor até o final da saga. Além do texto instigante e com gosto de novidade Planetary ainda tem como bônus a arte de Cassaday, que consegue passar um visual consistente e realista (apesar de eu ainda preferir a arte dele em Astonishing X-men).

Planetary mistura tanta coisa e é composto de tantas referências, homenagens e críticas que eu não poderia citar tudo em post só sem ser muito breve e supericial. Então na semana que vem nós temos um encontro marcado aqui, pra debulhar cada uma das histórias de Planetary, apresentando uma prévia pra vocês terem um gostinho do impossível sendo desvendado.

See you folks!

2 respostas para Planetary – Os arqueólogos do impossível

  1. […] – a HQ, não o personagem – é roteirizada por Warren Ellis (Planetary) e ilustrada por Ben Templesmith, que, aqui, vê o apogeu da sua carreira como desenhista, com um […]

  2. […] – a HQ, não o personagem – é roteirizada por Warren Ellis (Planetary) e ilustrada por Ben Templesmith, que, aqui, vê o apogeu da sua carreira como desenhista, com um […]

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