A Bula do Amor – Parte 1

Pra variar você está na biblioteca estudando, ou na lan house checando o fórum OMG, indo pra faculdade, no ônibus… mas de repente seus olhos se encontram… Você disfarça, olha de novo… Sente aquele arrepio, fica vermelho, o coração acelera, as mãos ficam suadas e acaba se entregando.

No primeiro encontro, antes do beijo, a boca fica seca, você fica confuso, não sabe o que dizer, as pernas ficam meio bambas, a respiração difícil e esquece todos os compromissos da agenda. O mundo fica em silêncio enquanto espera aquele telefonema, aquele perfume surge no ar quando a gente menos espera… Quem aqui nunca sentiu algo parecido?

Ah….. A Química é linda!

“Hã??!… A química?!”

É isso aí! A Química! A Química do amor! Todas essas sensações, angústias e prazeres, não passam de algumas reações químicas no nosso corpo. A ciência consegue transformar aquele amor, aquele sentimento inexplicável, aquele fogo que arde e não se vê, aquela ferida que dói e não se sente… em números, equações químicas e estatísticas! Mas fica tranquilo, ainda assim, o amor é lindo! (L)

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer

O amor, segundo estudos desenvolvidos por especialistas, é dividido em três fases e cada fase é governada por substâncias químicas diferentes:

Na primeira fase, conhecida como a “Fase do Desejo”, contamos com a participação dos hormônios sexuais testosterona (Fig. 1) para os homens e estrogênio (Fig.2) para as mulheres. A partir da adolescência, quando estes hormônios começam a circular na nossa corrente sanguínea é que começa a procura por parceiros e nesse instante aquele garoto mala se transforma num príncipe encantado.

É um não querer mais que bem querer,
É um andar solitário entre a gente
É um nunca contentar-se de contente,
É um cuidar que ganha em se perder

A segunda fase é a “Fase da Paixão” e os efeitos colaterais são os mais agressivos: o apetite se vai, ficamos distraídos, longe da pessoa amada surge aquela melancolia, e quando chegamos perto… aqueles arrepios, nervosismo, a respiração fica confusa, sentimos o estômago revirar.

É a fase que pagamos todos aqueles “micos”… Tudo por culpa da noraepinefrina (Fig.3) (ou noradrenalina) que acelera os batimentos cardíacos (excitação), a serotonina (Fig.4) que nos descontrola e causa aquela euforia, e a dopamina (Fig. 5) conhecida também, como hormônio da alegria.

Todas essas substâncias químicas, que agem diretamento no nosso cérebro são controladas pela feniletilamina (Fig. 6) – que o nosso querido-amado-chocolate costuma carregar em altas doses. Fica a dica: Dê chocolate para a pessoa amada e mantenha toda a química do amor sob controle. Só não vale exagerar que o excesso de chocolate pode causar excesso de peso que pode inibir algumas das reações “apaixonantes” hehehe

A feniletilamina é muito importante em todo o processo, pois controla a passagem da fase da paixão para a fase do amor, dessa maneira exerce um grande poder sobre nós, tão poderosa que pode tornar-se viciante. Os viciados em feniletilamina (e seus auxiliares) tendem a ser pessoas instáveis no amor e costumam trocar de parceiro assim que o efeito daquele “combo químico” desaparece.

Esses “viciados em amor” costumam ser infiéis. O maior problema que essas pessoas enfrentam é que o corpo desenvolve naturalmente uma tolerância aos efeitos da feniletilamina, sendo que é necessário “ingerir doses cada vez mais altas” para causar algum efeito. Por isso vai ficando cada vez mais dífcil encontrar um novo amor…

É um querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence, o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade,
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos maizade,
Se tão contrário a si mesmo é o amor?

A terceira e última fase é a “Fase da ligação”, é a fase do enfim“Felizes para sempre!”. Passamos a fase da paixão e agora sim chamados de amor, o amor ‘verdadeiro’. Quem manda nessa fase é a oxitocina (Fig. 7) e a vasopressina (Fig.8).

A oxitocina é conhecida como “hormônio do carinho” ou “hormônio do abraço”. É uma pequena proteína com 9 aminoácidos produzida no hipotálamo. É essa a substância responsável pelo vínculo de afeto entre as pessoas. É produzida depois do orgasmo e é o mesmo hormônio produzido quando as mães amamentam seus filhos. (Fica a dica: Quanto mais sexo um casal praticar, maior será o vínculo entre eles… Tá aí uma “poção do amor” eficiente!)

Dizem que é essa mesma substância que age nos animais facilitando sua interação com pessoas ou outros animais (relacionado ao aumento da confiança).

A vasopressina é conhecida como hormônio da fidelidade. É também uma pequena protéina, constituída por 9 aminoácidos (sendo 8 iguais ao da oxitocina) e está diretamente relacionada ao comportamento monogâmico dos animais.

Estudos em ratos mostraram o seguinte: antes do acasalamento, a relação do macho com as outras fêmeas era uniforme. Depois de um dia de acasalamento (havendo assim produção da vasopressina), o macho fica preso a fêmea e não se aproxima de outras fêmeas, da mesma forma que não permite a aproximação de outros machos. Uma espécie promíscua apresenta poucos receptores de vasopressina no cérebro. (Ah… se esses receptores fossem encontrados em qualquer supermercado)

Todos os animais sentem prazer no sexo, mas é a vasopressina que permite associar esse prazer a características específicas do parceiro, como odor. Para as fêmeas, essa associação é causada pela oxitocina.

O amor foi decifrado, mas e a nossa “alma-gêmea”? Onde está?… Aí é que entram os FEROMÔNIOS!

E esse fica para a segunda parte do nosso artigo! Até semana que vem!

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11 Responses to A Bula do Amor – Parte 1

  1. nanigga disse:

    Muito bom o post. E pensar que a achamos que o amor é uma coisa que não segue a lógica, mas mesmo assim ele segue alguma leis da natureza. Quero ver o segunda parte desse post!!!

  2. Manu disse:

    Puxa! Muito obrigada! =)

    Legal é ler o soneto e identificar qual a química de cada verso ^^

  3. Danilo disse:

    Adorei o post!

    Só tenho uma dúvida: onde o dinheiro entra nessa eqüação toda?

  4. Ana disse:

    Muito legal…. bom seria se tivessemos sempre a oportunidade de sem querer esbarrar em post’s como este na net!!! Parabéns pela iniciativa!!! Vlw!

  5. Igor disse:

    Gostei disso aqui… Passei a entender minha namorada também no lado cintífico da coisa.

  6. Igor disse:

    … E eu próprio é claro.

  7. […] Semana passada entregamos os “culpados” por nossas “paixonites” e traduzimos quimicamente uns dos sonetos mais famosos de Camões. Descobrimos que o amor não passa de uma série de reações químicas que atuam diretamente no nosso cérebro (confiança, crença, prazer). Se você não leu a primeira parte desse artigo, trate de conferir aqui. E como prometido, seguiremos com a segunda parte da nossa Bula do Amor! […]

  8. […] químicas que atuam diretamente no nosso cérebro (confiança, crença, prazer). Se você não leu a primeira parte desse artigo, trate de conferir aqui. E como prometido, seguiremos com a segunda parte da nossa Bula do […]

  9. carlosfrederico disse:

    Muito legal. Já tinha lido, mas valeu a pena recordar. Ótimo assunto para aula!!

  10. […] na química do corpo humando, em especial, das sensações associadas à paixão e ao amor, chamado A Bula do Amor. Trata-se de um excelente material para enriquecer uma aula de Química […]

  11. francisca disse:

    ei adorei esse arttigo. Tentei salvar pra mim mas não consegui e não encontrei um link pra poder enviar pra outra pessoa. Será q vc poderia me enviar a copia desse artigi? Agradeceria muito!

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