Loucura, loucura, loucura


Algumas das obras mais interessantes já publicadas em quadrinhos são aquelas que subvertem determinados roteiros já conhecidos pelo público, ou colocam personagens conhecidos em situações inusitadas. Asilo Arkham é uma destas obras. O questionamento que apresenta é, justamente, o quanto um herói pode manter sua sanidade em meio a loucura absoluta?

Nosso herói neste caso é o Batman e o vilão da história é justamente o lado psicológico da obra. Mais do que confrontar o cavaleiro das trevas com vilões já conhecidos, em Asilo Arkham Batman é confrontado com seus próprios medos, fúria e com a loucura.

A história começa quando os internos do Asilo Arkham – perigosos vilões, considerados insanos e por esta razão internados no hospício – se revoltam e tomam a instituição em um motim, fazendo os médicos e funcionários como reféns. Liderados pelo Coringa, a única exigência dos internos é que Batman entre no hospício. Segundo o Coringa, Batman é tão transtornado quanto qualquer interno do Arkham e aquele é seu lugar.

A partir do momento em que Batman entra no Asilo Arkham, o leitor é levado em uma trama que vai se aprofundando cada vez mais no texto psicológico de Grant Morrison e na arte absurdamente real de Dave McKean, revelando aspectos da personalidade de alguns vilões como o próprio Coringa, Maxy Zeus, Crocodilo, Chapeleiro Louco e principalmente a frágil e intrincada psique do homem conhecido como Duas Caras.

Na história, os médicos utilizam uma nova técnica para tentar curar Duas Caras, um homem vivendo em uma dualidade onde suas decisões são tomadas com base nas duas faces de uma moeda. No tratamento os médicos dão a Harvey Dent um baralho de tarô, 52 cartas, com um número maior de opções. Entretanto, essa medida torna Harvey cada vez mais inseguro e fragilizado, incapaz de tomar uma simples decisão, como ir ao banheiro.

Além da história de Duas Caras, a tomada do asilo e a loucura que vai se infiltrando lentamente pelas paredes do Arkham, temos ainda a trama paralela que conta a história do asilo em si e de seu fundador, Amadeus Arkham. Morrison vai costurando as tramas apresentando a infância do pequeno Amadeus vivendo com sua mãe doente mental, sua decisão de tornar-se psiquiatra e como a loucura domina o próprio médico.

Tudo isso é apresentado de forma magistral, até chegarmos num clímax chocante na vida de Amadeus Arkham e na própria busca pela razão que Batman faz enquanto foge das armadilhas preparadas pelos vilões. Em Asilo Arkham, Batman questiona sua própria sanidade. E é a resposta a essa pergunta que fará a diferença entre vida e morte.

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2 Responses to Loucura, loucura, loucura

  1. Regente disse:

    Você se esqueceu de comentar a famosa cena da dedada.

  2. nanigga disse:

    Realmente é uma das cenas mais engraçadas com o Coringa que eu já li até hoje.
    Tudo para testar o nível de tensão do Batman.

    LOL

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