O Método Científico

Discuta essa postagem no Fórum Omega Geek, clicando aqui

Todos concordam que a ciência funciona (ou pelo menos a maioria das pessoas concorda). Mas como exatamente ela funciona?

A ciência, segundo Carl Sagan (conhecido astrônomo e divulgador de ciência americano), é muito mais uma maneira de pensar do que um grupo de conhecimentos. Essa maneira maneira de pensar é o que chamamos de “Método Científico”. Ao ouvir o nome, creio que a primeira coisa na qual as pessoas pensam é em pessoas de jaleco branco dentro de um laboratório olhando águas coloridas borbulhando, ou vendo qualquer coisa em um microscópio. Mas o método científico é simplesmente um modo de pensar, e pode ser aplicado em outras áreas da vida.

O “passo zero” do método é a observação. O que está ocorrendo? Podem ser coisas triviais, como “existem nuvens no céu”, até nem tão triviais assim, como “existem determinadas partículas elementares no nível do mar”. Mas o segredo está na fase seguinte, a pergunta. Uma coisa que deve ser inerente ao ‘pensador-cientista’ é a curiosidade, é querer entender os comos e os porquês e a pergunta serve justamente para especificar o que queremos saber. Então temos que perguntar “Por que as nuvens estão no céu? Como se dá sua formação?”, ou “como aquelas partículas elementares podem existir ao nível do mar, se seu tempo de decaimento é menor do que o necessário para chegar ali?”.

Se o passo anterior era a pergunta, temos então que respondê-la. É a formulação da hipótese. A hipótese, no fundo, é só um palpite. Claro que ela, em geral, tem alguma base de conhecimento anterior. As hipóteses são formuladas através de raciocínio dedutivo, usando uma cadeia de argumentos. Todos, vejam bem, TODOS, os argumentos utilizados nessa cadeia devem ser verdadeiros, e não só a maioria. Senão, corremos o risco de chegar em conclusões falsas. A hipótese também deve ser passível de prova. O que nos leva ao próximo passo.

A experiência é o momento onde separam-se as hipóteses verdadeiras das falsas. O experimento deve ser feito em condições controladas e reproduzíveis em qualquer lugar. Dizer que o experimento deve ser feito em “condições controladas” significa que devemos ter controle sobre as variáveis que influenciam (ou que achamos que influenciam) no resultado do experimento. Normalmente esse processo conta com um grupo de controle, no qual as variáveis são mantidas todas constantes e outros grupos onde cada uma dessas variáveis é mudada separadamente. Isso nos dá a idéia exata de quanto cada uma dessas variáveis interfere com o nosso resultado final, quando comparamos com o grupo de controle.

Depois de todo esse trabalho, chegou a hora de avaliar tudo o que foi feito, e ver se nossa hipótese é comprovada. Para isso é feita uma análise dos resultados obtidos, que depende bastante do tipo de dado colhido (podendo ser qualitativo ou quantitativo). Depois disso, se a hipótese não for comprovada, outra hipótese é formulada e, se necessário, o experimento é refeito, incluindo variáveis não previstas na primeira hipótese. Se a teoria for comprovada então, beleza, pode escrever em pedra que aquilo é a VERDADE TOTAL, certo?

Bem, errado.

Dificilmente uma teoria chega à verdade absoluta, elas no máximo se adequam à realidade até que uma teoria melhor ou mais completa venha substituí-la. E é justamente por isso que os experimentos devem ser bem controlados e reproduzíveis. Os resultados devem ser totalmente “limpos” de subjetividade, para que qualquer pessoa que queira repetí-lo, e confirmar(ou não) a hipótese, possa fazê-lo sem dificuldade.

Para usar o método é preciso ter algumas coisas em mente. Primeiro, é extremamente necessário ser imparcial. Não importa se o resultado vai contra suas crenças pessoais, contra sua própria hipótese ou coisa assim. Quando necessário, também devemos trabalhar com múltiplas hipóteses e, quando mais de uma hipótese for perfeitamente aplicável aos resultados, utilizar a Navalha de Occam. Apesar do nome altamente místico, a navalha de Occam é a prática de, ao compararmos duas hipóteses, aceitarmos como correta a mais simples. Devemos também cuidar para nao cometer alguns erros, como o de ignorar o que dá errado, e contar apenas com o correto, ou de refutar um argumento por causa da pessoa que o diz, ou usar argumentos falhos por conveniência.

Embora essa seja a forma geral do método científico, nem sempre ele é executado da maneira mostrada aqui. Alguns cientistas passam o tempo todo apenas formulando hipóteses, enquanto outros apenas as aplicam. Mas de forma geral, as teorias passam por boa parte deles para serem aceitas. Esse tipo de método não precisa ser utilizado apenas em experimentos científicos. Uma parte dele, em geral a parte dele que envolve o pensamento cético (em especial a sobre análise de argumentos e hipóteses, seja nosso ou de terceiros), é de extrema importância para analisarmos e filtrarmos o que nos é dito.

Anúncios

One Response to O Método Científico

  1. […] sobre o funcionamento e a natureza da ciência (como o Método científico, sobre o qual eu falei aqui) e também sobre a fascinação que a ciência pode exercer sobre nós. Ele também dá […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: