A transição do 2D para o 3D: séries que deram certo

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Na semana passada você leu sobre algumas famosas transições do 2D para o 3D que não deram certo. Essa semana falamos justamente do oposto, das famosas transições que deram mais que certo. Não deixe de conferir na próxima semana a conclusão disso tudo, onde apresentarei uma análise de tendências e algumas das maiores razões para essas falhas e acertos envolvendo importantes transições do 2D para o 3D. Vamos aos jogos!

Mario

Mario, que ficou mundialmente conhecido ainda em sua estrégia no antigo NES, possui uma série de jogos que marcam pela diversão e originalidade essencialmente apoiadas em um conceito simples: vença o vilão e salve a princesa. De todas as transformações e inovações que surgiram ao longo dos episódios da série é evidente que a maior delas tenha sido a transição de um jogo 2D side-scrolling (de movimentação lateral) para um mundo explorável em 3D, quando Mario deu as caras no Nintendo 64, com Mario 64. O jogo marcou não somente pelo sucesso na transição, que deu novo fôlego ao encanador italiano, como pela ótima qualidade, ainda que o jogo tenha sido um dos desbravadores da então nova realidade de jogos poligonais. O jogo foi um sucesso e recebeu ainda uma adaptação mais recente para o Nintendo DS, Mario 64 DS, um presente para os fãs. A partir de Mario 64 os jogos do bigodudo que mais chamaram a atenção também foram desenvolvidos em 3D. São eles Super Mario Sunshine para Gamecube e Super Mario Galaxy, o mais recente sucesso para o Wii.

Metroid

A caçadora de recompensas Samus Aran, uma linda loiraça dentro de uma armadura alienígena “super-fodona”, chamou a atenção no antigo NES com Metroid e tornou-se uma lenda no Super Nes com o imortal Super Metroid. Ambos são adventures 2D em side-scrolling (movimentação lateral). Quando a Nintendo anunciou que o próximo jogo da série seria um jogo de tiro em primeira pessoa, a legião de fãs “simplesmente” entrou em coma. Boatos negativos e descrença da produção de um First Person Shooting (jogo de tiro em primeira pessoa) para video games e, especialmente, um que carregasse a responsabilidade de ser uma continuação da série Metroid se espalharam pelo universo gamer.

Ainda que títulos como 007 Goldeneye e Perfect Dark tenham mostrado que o Nintendo 64 tinha potencial para jogos de tiro em primeira pessoa de qualidade, os planos da Nintendo fizeram que a continuação tão esperada da série esperasse mais uma geração e fosse lançada apenas no Gamecube. Se a espera valeu a pena? Como valeu. Com um visual de deixar qualquer um boquiaberto e uma jogabilidade inteligente que utilizava o botão “R” (superior direito do controle) para “trancar” a mira no alvo e facilitar a jogabilidade (semelhante à série Zelda no Nintendo 64), Metroid mais que provou que a opção de migrar do 2D para o 3D e do side-crolling para tiro em primeira pessoa foi um sucesso. Os descrentes se calaram e os fãs festejaram. A série ainda recebeu duas continuações, uma no Gamecube e outra no Wii, sendo a segunda muito privilegiada pela melhoria na jogabilidade proporcionada pelo Wii Mote, confirmando o sucesso da série no mundo 3D.

The Legend of Zelda

A série Legend of Zelda nasceu ainda no NES, da mente brilhante de Shigeru Miyamoto, que não por acaso foi o homem que também idealizou a série Mario. Por razões técnicas óbvias, o relativamente amplo mundo de exploração da franquia começou em 2D no NES, sendo que no Super Nintendo o “acerto” na escolha se intensificou como uma ótima opção após o lançamento do lendário The Legend of Zelda: A Link to the Past. Apesar disso, quando a Nintendo anunciou a mudança para o 3D no Nintendo 64 os fãs não se assustaram. A essência não-linear do jogo e o sucesso de Mario 64 indicavam que era mesmo hora de uma mudança desse porte para a franquia. Resultado? Um dos jogos mais importantes da história: The Legend of Zelda: Ocarina of Time, ainda tido por alguns como o melhor da série e possivalmente nas listas de jogos favoritos de muita gente. Migração mais do que bem sucedida.

Ninja Gaiden

A série Ninja Gaiden tinha tudo para sofrer do mesmo mal que Castlevania. Vinha de uma boa linhagem de adventure side-scrolling, porém sem tantos elementos de RPG como Castlevania. Ninja Gaiden é mais… “pancadaria”. Então, idealizado e efetivamente lançado como um exclusivo do controverso Xbox da Microsoft a série mais que surpreendeu quando reapareceu anos depois de seu último lançamento em 2D, já totalmente reformulada em 3D, com visual impressionante e muito mais difícil e sanguinolenta do que antes. Cheia de identidade e com muito pouco a ver com a série Ninja Gaiden até então, a nova série acumulou uma nova legião de fãs desse jogo vicioso e repleto de carnificina, tornando seu protagonista, Ryu Hayabusa, uma referência entre Ninjas. Por ter sido muito bem executada a série deu muito certo no mundo 3D, com uma jogabilidade, visual e física de cair o queixo.

Grand Theft Auto (GTA)

Essa história você já deve conhecer bem. GTA é uma das séries que mais conquistou o coração “corrupto” dos brasileiros, especialmente a partir da sua terceira versão, a primeira em 3D com um mundo explorável quase inacreditável. Essa controversa franquia da Rockstar sofreu um bocado para lançar suas continuações e foi proibida em alguns países (inclusive no Brasil). Só que a Rockstar é “serious business” e não somente não desanimou com as imposições contra a franquia como, na transição de GTA 2 para GTA 3 transformou o jogo em “basicamente”, um marco na história dos jogos eletrônicos. Até então não havia sido criado nenhum jogo com um mundo “vivo” e explorável tão amplo para um console caseiro. Daí pra frente você já conhece. Com o recente lançamento de GTA IV a Rockstar quebrou todos os recordes de vendas existentes e mais uma vez os holofotes se voltaram para GTA. É, a natureza humana adora a realidade “caótica” trazida aos jogos por GTA e adora isso sendo bem executado em uma franquia de tanta qualidade.

Prince of Persia

Muitos aí devem ter jogado o mais do que antigo “Prince of Persia”. Você pegava os disquetes de um colega, amigo ou até “amigo de um amigo” e usufruia dessa “maravilha” que rodava a partir do DOS. Diversão garantida nos velhos tempos. A série ficou esquecida por muitos anos até surgir a proposta de uma reformulaçao em 3D. Se deu certo? Como deu. Com uma nova identidade a série foi aclamada por público e crítica e trouxe aos olhos do mundo um novo e incrível acrobata. Escalar enormes contruções com o risco de se espatifar no chão a 80 metros de altura nunca foi tão divertido como na série Prince of Persia em 3D. A série deu tão certo que recebeu (e ainda receberá mais) diversas continuações.

Metal Gear Solid

Lendária como poucas séries, Metal Gear apareceu no NES como um jogo interessante, inteligente e que chamou a atenção, mas foi somente ao resurgir no Playstation em 3D, com seu conceito único de infiltração e camuflagem, com narrativa de primeira linha que a série ganhou a notoriedade merecida. Dai pra frente você já conhece: a série angariou milhões de fãs mundo afora e acaba de ganhar uma incrível continuação para o Playstation 3. O passo para o mundo 3D foi crucial.

Warcraft

Blizzard Entertainment: esse é o nome d’A Empresa. Referência mundial, a Blizzard basicamente se apoia no desenvolvimento de 3 franquias: Warcraft, Starcraft e Diablo. Com exceção de Starcraft, que inclusive fará finalmente sua migração para o mundo 3D em breve (com Starcraft 2), as outras franquias evoluiram muito desde seu primeiro lançamento. Uma em especial foi a primeira a receber uma mudança drástica e marcante no visual: Warcraft. A série já era uma referência nos jogos de estratégia em tempo real com Warcraft II, quando a Blizzard anunciou que a continuação, Warcraft III, seria inteiramente em 3D. Dizer que deu certo é pouco! Apesar dos inúmeros adiamentos de lançamento, característicos da Blizzard, a série ressurgiu com novo fôlego e se tornou uma referência no mundo dos jogos de estratégia em tempo real, sendo jogado até hoje. Se não bastasse, a Blizzard ainda desenvolveu, usando o universo de Warcraft, o maior MMORPG da história: World of Warcraft. Fica difícil não acreditar na máxima de que “se é da Blizzard, é bom”.

Jogos de Esporte e Corrida

Com o passar dos anos e com a mudança de várias franquias e gêneros de jogos do mundo 2D para o 3D, foi natural a migração de vários títulos de esporte e corrida para essa nova tecnologia. É inconstestável, também, que os ganhos para os jogadores foram enormes, pois o nível de realismo destas chegaram a um patamar nunca antes visto. O fato de grande parte desses jogos ser baseado em uma premissas que existem no mundo real (esporte, corrida etc) tornou muito mais fácil a aceitação dos jogos no mundo 3D. Afinal, nosso mundo real é em 3D. Vale como exemplo a série Gran Turismo, de corrida, que reinventou e se tornou referência como franquia de corrida de qualidade, tendo seu primeiro lançamento (e sucesso imediato) no antigo Playstation. Só de lembrar de como era a “cara” do antigo sucesso Top Gear dá pra entender como essa migração foi boa. Jogos de esporte e corrida em 2D sobrevivem apenas nos consoles portáteis, incluindo celulares.

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4 Responses to A transição do 2D para o 3D: séries que deram certo

  1. Felipe disse:

    Só lembrando que o Sands of Time não foi a primeira incursão da série Prince of Persia no mundo 3D. O primeiro jogo 3D da série é o Prince of Persia 3D, lançado pra PC e Dreamcast, que não foi muito bem sucedido como sucessor dos jogos clássicos.

  2. Fulgore disse:

    Podemos ver até pelo post, que os principais jogos que deram certo são de AVENTURA, acho que o dificil é conseguir atender a jogos com mais velocidade como os de LUTA.

  3. […] dessa série de artigos, jogos que não deram certo em suas transições do 2D para o 3D e também os que deram certo. Pouco, porém, foi apontado como possíveis causas para essas transições terem tido resultados […]

  4. Great Article,
    and Nice blog, I have already subscribed to it,

    looking forward to reading the updates :p

    keep up the good work!

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