Bandas intocáveis

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Com o passar do tempo, certas bandas adquirem um caráter quase místico na mídia, se tornando muito difícil ou até impossível encontrar algum meio que faça críticas à sua carreira ou que seja capaz de dar uma opinião diferente sobre determinado trabalho que virou uma unanimidade em matéria de qualidade. Cria-se uma verdadeira barreira protetora, que impede qualquer um de manifestar uma opinião divergente ou que mencione algum trabalho de menor qualidade que o grupo fez durante sua carreira.

Normalmente, os grupos que mantém essa espécie de “escudo protetor” ao seu redor ou contribuiram de forma significativa para o mundo da música em algum de seus trabalhos, ou possuem uma grande quantidade de fãs sem noção, que defendem até a morte a banda e dizem de pés juntos que tudo que fazem/fizeram é extremamente bom (falo mais sobre esse tipo de fã, especificamente os de Heavy Metal, aqui). Normalmente uma união dos dois é o que torna esses grupos tão adorados pelos meios de comunicação.

Led Zeppelin em 1969

Led Zeppelin em 1969


Tomemos como exemplo o Led Zeppelin, para mencionar um grupo em evidência ultimamente, pelo volta ou não volta que a banda vêm passando desde sua apresentação na 02 Arena, em dezembro do ano passado. Ninguém com o mínimo de conhecimento musical pode negar a importância que a banda teve para a história do rock, continuando a influenciar até hoje o modo de tocar de inúmeras bandas. Mas o sucesso do grupo e a influência que tem parece ter tornado o Zeppelin imune a qualquer crítica, seja ela fundamentada ou não, inclusive chegando ao ponto de certos meios mudarem a opinião sobre álbuns que anos antes criticaram.

Led Zeppelin I

Led Zeppelin I

Por exemplo, a Rolling Stone, na crítica do primeiro disco do grupo, comparou o Zeppelin ao Jeff Beck Group, dizendo que o trabalho soava bastante parecido, mas que não era nada que já não tivesse sido feito antes de forma melhor. Além disso, comparava Robert Plant com Rod Stewart, afirmando que ambos eram parecidos, mas que Plant não tinha nada perto do brilho que Stewart demonstrava. Em 2006, a revista parece ter mudado de idéia, comparando o Zeppelin do primeiro lançamento a bandas como o Stooges, e assumindo um posicionamento menos crítico, afirmando que apesar de não ser o melhor trabalho do grupo, já demonstrava grande potencial e o que estava por vir depois.

Poderia citar outros casos de bandas que adquiriram essa aura, como Pink Floyd, Rolling Stones, Beatles e Queen, mas acredito que o exemplo do Zeppelin já seja suficiente para ilustrar o que quero dizer. Acredito que é importante reconhecer a importância que um trabalho teve em determinado momento, mas tornar um artista intocável nunca é algo bom, podendo inclusive prejudicá-lo. Cito como exemplo Rogers Water e David Gilmour, ex-integrantes do Pink Floyd. Após o fim das atividades da banda, ambos continuaram produzindo álbuns solos, inclusive alguns de grande qualidade. Mas quem se importa com isso quando o Pink Floyd é uma banda sagrada? Por mais que ambos continuem trabalhando bem e estejam contentes com sua linha de trabalho atual, continua a pressão e a expectativa de um retorno da banda, e a não aceitação de que realmente pode tudo ter chegado ao fim e que seus membros nunca voltarão a se unir.

Pink Floyd em 1968

Pink Floyd em 1968

Acima de tudo, essa proteção impede o bom trabalho dos próprios membros da mídia, que se vêem incapacitados de expor sua opinião sincera sobre determinados grupos, devido à pressão que sofrem tanto de fãs quanto de colegas de profissão, que os obrigam a seguir o senso comum ao invez de assumir o compromisso com a honestidade que deveria ser a base da profissão (não confundam honestidade com imparcialidade, esta não existe).

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2 Responses to Bandas intocáveis

  1. felipe barros disse:

    só tem um problema nesse seu exemplo. me pareceu que a rolling stone, mesmo que não tenha reconhecido que antes havia criticado o primeiro álbum do led zeppelin, dá a entender que a visão de hoje se dá a partir do que já sabemos, coisa que, na época do lançamento do disco, não era possível. sim, era possível “chutar” se eles tinham potencial pra fazer algo melhor ou não.

    estranho seria se eles comparassem o led zeppelin com o jeff beck group ou o robert plant com o rod stewart de novo, e desse vantagem ao zeppelin…

  2. Felipe disse:

    Bom, acho que não ter colocado a resenha em inglês realmente abre essa linha de interpretação. É que basicamente a resenha original segue a linha do “parem de imitar os outros de forma pior, estão fadados ao fracasso”, que comparada com a resenha feita anos depois, já com toda a fama, realmente parece bem contraditória.

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