Laranja Mecânica

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Então, o que é que vai ser, hein?

Imagine uma pequena gangue, formada por garotos por volta dos 15 anos. Eles saem todas as noites, roubam pessoas, cometem estupros e eventualmente entram em brigas com outras gangues. Eles são cruéis, e ignoram qualquer tipo de consequências para seus atos, fazendo tudo pela diversão. A polícia e as leis não importam. São só outro ponto do jogo.

Qualquer semelhança com o mundo onde você vive não é mera coincidência. Essa é a história de “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, mas no fundo poderia ser só mais uma história no jornal. O livro nos conta a história de Alex, narrada por ele mesmo. Alex é um adolescente de uma dessas gangues. O líder de uma, aliás. Alex vive com os pais em um bloco habitacional, é apaixonado por Beethoven, já frequentou o reformatório e é o anti-herói do livro. Mas é um personagem carismático e não são raros os momentos em que você se pega torcendo pelo garoto.

Laranja Mecânica foi escrito após o autor ter sido diagnosticado com um câncer inoperável, e supostamente ter apenas um ano de vida. A idéia de Anthony era escrever o maior número de livros, para que sua família vivesse com o dinheiro dos direitos autorais. Além de outros 5 livros, o rascunho de Laranja ficou pronto ao final daquele ano. Como o autor não morreu, ele pode terminar sua pesquisa sobre gírias. Essas gírias, aliás, permeiam toda a história, sem muita indicação de seu significado (embora muitas edições tragam um glossário no final).

O livro é divido em três partes, subdivididas em 7 capítulos cada. Na primeira parte, acompanhamos a história de Alex em seus dias de gangue, frequentando um bar que serve drogas misturadas no leite(!!), saindo para bater em pessoas a esmo na rua, caindo na porrada (e ganhando) com uma gangue rival, roubando uma loja, e usando um grupo de velhas alcoólatras pra despistar a polícia. Isso em uma única noite, que não acaba aí. Eles ainda roubam um carro, saem da cidade e invadem a casa de um escritor, que é espancado, e de sua mulher, que acaba estuprada. Mas as coisas não vão tão bem para Alex. Ele acaba sendo traído pelos amigos em outra dessas invasões e deixado para a polícia.

Entramos então na segunda parte, que conta a vida de Alex na prisão. Ele se torna ajudante do capelão da cadeia, e seu amigo até certo ponto. Acaba sabendo de um novo tratamento que tira o cara da prisão automaticamente, a Técnica Ludovico. Essa utiliza drogas e vídeos para simplesmente extirpar qualquer impulso violento ou sexual do paciente. Mas para Alex, essa era apenas uma maneira de sair da cadeia mais rápido.

A terceira parte do livro mostra justamente o que ocorre com Alex após sua saída da prisão e é a melhor parte do livro. Alex encontra um mundo diferente do que ele estava acostumado, seu lugar na sociedade simplesmente desaparece. Seus pais agora alugam seu quarto para um estranho, dos seus antigos amigos, um morreu, os outros se tornaram pessoas diferentes (um deles, nem tanto). E a única forma que Alex utilizava para se expressar, a violência, lhe foi retirada. O que se torna um problema quando os seus erros do passado aparecem para se vingar.

A história é muito conhecida, graças ao filme de Stanley Kubrick, de 1971. Porém o final do filme simplesmente omite o último capítulo do livro. Isso porque esse capítulo dá um final otimista, que é diferente demais do tom pessimista do resto da história. Esse capítulo também foi eliminado em algumas edições americanas do livro. Mas essa eliminação corta um fator muito importante da história, que é o amadurecimento de Alex, mas por sorte, todas as versões nacionais tem esse capítulo. Esse é um ótimo livro, um dos meus preferidos, inclusive. Não chega a ser longo, e a leitura é bem divertida.. Então deixe de kal, ponha a ruka no karman, compre (ou kraste) o livro e deixa sua rassudok viajar na história.

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One Response to Laranja Mecânica

  1. Carla disse:

    Ainda quero ler esse livro… 🙂

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