O Reino do Amanhã

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Existem histórias que merecem ser lidas e relidas, contadas e recontadas. Às vezes por seu texto, que nos traz alguma reflexão e sacode o status quo, às vezes por suas imagens que acabam sendo tão vanguardistas que mudam completamente o estado da arte, revigorando determinada obra ou estilo. Mas às vezes – e isso é mais raro de acontecer – uma história em quadrinhos, chega com um texto brilhante e desenhos perfeitos. Assim é o Reino do Amanhã (Kingdom Come).

Escrita por Mark Waid e brilhantemente desenhada por Alex Ross, que pintou toda a história em tinta guache. O Reino do Amanhã questiona: o que aconteceria com os heróis daqui a 30, 40 anos? Como eles reagiriam a passagem do tempo? Como as pessoas normais reagiriam a essa convivência? E o qual seria o papel de uma nova geração de heróis e vilões, herdeiros dessa tradição?

A história começa com um pastor que perdeu sua fé, Norman McCay. Logo após a morte de um amigo Norman começa a ter visões apocalípticas de uma guerra que levaria ao juízo final. Uma guerra de super heróis. A situação complica quando um ser chamado misterioso chamado Espectro convoca Norman para presenciar os fatos que levariam a esta guerra e auxiliar no julgamento final.

A partir daí acompanhamos a dupla atravessando o mundo numa forma espiritual e descobrimos que os heróis ‘das antigas’ se aposentaram e o mundo foi jogado nas mãos de uma nova geração de heróis que, sem o apoio e instrução dos heróis anteriores, cresceu sem descobrir que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Eles lutam sem se importar com as pessoas que estão, pretensamente, salvando. Lutam apenas pela diversão.

Superman tiozão

Superman tiozão

Tudo muda com a volta do Superman e de outros membros da Liga da Justiça, que passam a buscar os heróis baderneiros e procuram doutriná-los. O choque de gerações é inevitável, pais contra filhos, amigos contra amigos, alianças inesperadas e uma rede de intrigas levam a um final surpreedente.  Além dos novos heróis o mais legal dessa série é ver como nossos velhos conhecidos sofreram a passagem do tempo.

Superman, agora um senhor grisalho, isolou-se do mundo e cuida de sua fazenda, vivendo apenas com seus animais, decepcionado com a humanidade e saudoso dos entes queridos que já partiram. Batman esgotou tanto seu corpo, em sua eterna luta contra o crime, que agora precisa usar aparelhos para sustentar seu corpo e usa robôs para patrulhar Gotham City.

Mulher Maravilha retirou-se para a ilha paraíso e não envelheceu diferente dos demais heróis, afinal possui uma origem mitológica que a eleva ao status de deusa. Lanterna Verde criou uma cidadela esmeralda, pairando sobre a atmosfera da terra, preparado para protegê-la de qualquer ataque alienígena. Aquaman retirou-se para viver na Atlantida, pois como ele mesmo diz, a terra tem muitos heróis para protegê-la, mas ele sozinho tem que proteger os 70% do planeta que estão embaixo d’água. Shazam, bom,  quanto a esse herói só posso dizer que é um dos pontos chave na série.

A obra fala principalmente de responsabilidade, culpa, mas também fala de esperança. Nesta série, o deslumbramento das pessoas com os heróis é o mesmo deslumbramento que nós leitores temos diante deles. É muito fácil mergulhar nesse universo criado por Mark Waid, porque nos identificamos com os reles mortais ali retradados, diante da grandiosidade desses heróis – aqui tratados com os status de divindades – e dos poderes que cada herói possui.

Outro ponto alto da série é a quantidade absurda de referências que encontramos na história. Cada página é um verdadeiro jogo onde o objetivo é encontrar as homenagens descaradas a outros quadrinhos, séries de TV, desenhos animados, música, cinema, personalidades, etc.

O Reino do Amanhã foi uma das séries que mais alavancaram as vendas na DC na década de 90. Lançada nos EUA em 1996, foi publicada aqui no Brasil em quatro edições entre junho e agosto de 2007. A série lançou Alex Ross como um dos grandes nomes dos quadrinhos – com seu pincel preciso e inspirado – deu vários prêmios a Mark Waid e é hoje item indispensável na estante de qualquer colecionador.

Velha guarda reunida

Velha guarda reunida

5 respostas para O Reino do Amanhã

  1. Felipe disse:

    Só um comentário: o nome do personagem é Capitão Marvel, não Shazam. Shazam, no caso, é o mago que dá poderes pra ele.

  2. nanigga disse:

    My mistake. Erro bobo aliás, considerando que eu acompanhava as histórias da Família Marvel e sempre achei super estranho eles serem da DC. LOL

  3. felipe disse:

    só eu achei esse mano da primeira imagem, que imagino ser o norman, absurdamente parecido com o bruce willis?

  4. é uma puta história mesmo…

  5. […] me fez olhar a DC com outros olhos foi a magnífica graphic novel O Reino do Amanhã – sobre a qual já escrevi anteriormente. Desde então tenho acompanhado descompromissadamente as histórias dos herois da […]

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