Do “droga, perdi meu save!” às variadas formas de salvar seu progresso nos games

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Quem nunca passou pela frustração de perdido o progresso de dezenas ou até centenas de horas em um jogo talvez não tenha idéia da tamanha decepção e desespero que isso traz.

Mas quem teve em mãos cartuchos da era 16 bits (Super Nes e Mega Drive) cujas baterias “acabavam” e seu save ia pro espaço, ou alternativamente de vídeo games da era 32 e 64 bits (playstation e Nintendo 64, principalmente), cujos memory cards deixavam a desejar e ofereciam carinhosamente a “formatação” quando não seria possível recuperar tudo o que ele continha depois de uma falha crítica, sabe como isso pode ser ruim e doloroso.

Complicações deixadas de lado, o fato é que progredir e registrar seus avanços em um jogo é pra muitos, grande parte da graça de se jogar vídeo game. O verdadeiro jogador hardcore desde sempre buscou “debulhar” ou “zerar” seus jogos favoritos e para isso contou fielmente com as capacidades dos cartuchos e/ou de seus memory cards de reterem a informação de seu progresso até que ele dormisse tempo suficiente (umas três ou quatro horas) para recuperar as energias e bitolar novamente no jogo, continuando a partir do save.

Quem tem um vídeo game dessa geração (PS3, WII ou 360) sabe que essa preocupação ficou no passado, pois os vídeo games mais recentes já possuem, de fábrica, diferentes formas de armazenar a informação de progresso nos jogos internamente, sendo a mais eficiente a dos mais potentes dessa geração (PS3 e Xbox 360), que utilizam um disco rígido com um espaço de armazenamento virtualmente infinito para guardar saves e muitos outros conteúdos que passaram a ser disponibilizados online para os jogadores.

Além disso, obviamente passamos a economizar uma boa grana que antes era investida nos caros, facilmente perdidos e danificáveis memory cards. Vejamos uma retrospectiva (repleta de comentários de experiência própria) de algumas das principais formas de registro de progresso (save) na história dos vídeo games.

Os úteis, bem sacados, complicados e sacanas passwords

Alguém ainda lembra deles? Desde a invenção dos primeiros video games até a era 16 bits, os passwords, ou palavras-chave para os mais leigos, eram utilizados como uma forma do que hoje chamamos de “salvar seu progresso” em um jogo. Ao chegar em um dado estágio, ou uma vez por “fase”, era oferecido ao jogador o famigerado password. O jogador guardava o lindo código que geralmente era algo bonito como “B3KV D2G7 FAG1 OMGLOL ROFLCOPTER” e quando interrompesse a jogatina ou perdesse todas as suas vidas poderia, na tela de início do jogo, utilizar a palavra-chave adquirida para continuar do ponto em que o recebeu.

Como nos árcades (fliperamas) e nos primeiros video games os jogos, em sua maioria, eram curtos e sem necessidade de salvar progresso e não havia existido, ainda, o investimento necessário para se guardar o progresso na memória das máquinas ou cartuchos para os jogos mais “complicados”, a alternativa encontrada foi a elaboração desses códigos dados ao jogador. É óbvio que a coisa ficava “meio besta” quando algum infeliz distribuia o password da última fase de um jogo pra todo mundo, ou revista “x” (já que não tinha internet no Brasil nessa época) informava este a todos os seus leitores, tornando a tarefa de terminar o jogo mamão-com-açúcar pros menos esforçados.

A problemática memória dos cartuchos

Essa era boa e ruim ao mesmo tempo. Boa porque eliminava a necessidade da compra de qualquer acessório extra para armazenar o progresso dos jogos. Ruim porque a bateria dos cartuchos simplesmente acabava! Tristes eram os garotos que achavam que elas duravam para sempre e uns 2 anos depois de ter comprado o cartucho de Super Nes ou Mega Drive resolvia mostrar ao coleguinha o final de um jogo que ele teve muita dificuldade para terminar e guardou aquele save na “porta do chefe”. Dois traumas pra criança: primeiro ele perdeu o valioso save e se desesperou, segundo que o coleguinha chamou ele de mentiroso e roubou o lanche dele. Provavelmente essa criança vai crescer e virar um estudante de exatas, traumatizado para sempre.

Pior pra quem comprava cartuchos piratas, pois pra esses, QUANDO existia a possibilidade de salvar o jogo, a bateria acabava mais rápido que picolé a 10 centavos na praia em dia de sol forte. Pois é, assim como ninguém quis saber da onde vinha o péssimo suco usado fazer o picole barato, o jogador desavisado quis economizar uma grana e perdeu tempo ao constatar que em poucas semanas a memória do cartucho foi pro espaço, enquanto ele achava que cartuchos piratas e originais eram praticamente iguais.

Admito que caí nessa quando criança e tinha um Super Metroid (clássico de Super Nes) que não salvava o progresso! Olhando hoje eu vejo que até foi bom, porque eu tinha que terminar tudo de uma vez sem morrer nenhuma vez, o que deixava tudo mais emocionante.

Os moderninhos Memory Cards

Aí foi uma festa. Tinha memory card original que prometia ser 50 vezes melhor que o pirata, memory card que era original e dava pau, memory card que se encaixava no video game, memory card que encaixava no controle, memory card que sumia de tão pequeno que era e de tão irresponsável que era o dono e memory card que sumia com todos os saves da noite pro dia e desesperava o proprietário. Enfim, quase todo mundo tem alguma história ruim envolvendo memory card.

Isso quando seu irmão mais novo (ou mais velho mesmo) não “sobrepunha” um save seu, já que diferente dos cartuchos agora os saves ficavam todos no mesmo acessório. Ou então rolava briga, porque ninguém queria comprar outro memory card nem apagar algum save, e ele já estava lotado, enquanto os dois queriam jogar um novo jogo que precisava do espaço para salvar o progresso.

No Playstation o memory card era inserido na frente do console, acima da entrada dos controles, que eram dois. No Nintendo 64, cada um dos 4 controles continha uma entrada traseira, onde podia ser inserido naturalmente até 4 memory cards. O Sega Saturn foi o mais inovador, pois já dava sinais do que viria a efetivamente se tornar realidade só nessa geração: armazenamento interno. Sim, o Saturn, um dos mais injustiçados consoles da história (devido ao péssimo marketing da Sega no ocidente), tinha esse grande diferencial de armazenamento. Diferencial que foi abandonado pela Sega ao criarem o sucessor do Saturn, o Dreamcast.

Com o Dreamcast, primeiro console da geração 128 bits, ao invés de armazenamento interno a Sega buscou inovar novamente e trouxe o excêntrico VMU (Visual Memory Unit) à tona. Conforme mostra a imagem abaixo o VMU se assemelhava a um pequeno vídeo game portátil e é encaixado no controle do Dreamcast. Era esse VMU que guardava os progressos do jogador, além de oferecer a ele informações extras no controle, através de sua tela.

O Playstation 2 e o Gamecube, consoles que não tiveram o mesmo destino da falida Sega (digamos que a Nintendo se salvou mais por causa do Gameboy que do Gamecube), optaram por manter a tecnologia de Memory Cards, dando aos jogadores, porém, um espaço absolutamente maior do que a maior parte dos jogadores não-hardcores precisariam ao longo de todo o tempo com os consoles. Era muito espaço nos “quase inacreditáveis” 8 MB de um memory card de PS2.

O atual armazenamento Interno

Essa realidade todo mundo já conhece. Quem não tem ou não viu o amiguinho com o Xbox 360 Elite e seus cavalares 120 Gigabytes de espaço no disco rígido, o PS3 com seus HDs, também com seus 60 gigabytes de armazenamento, ou o Nintendo Wii com seus modestos mas satisfatórios 500 mb de memória flash que dão conta do recado quando o assunto é salvar progressos? Tudo bem que esse espaço de armazenamento do Wii se tornou um problema quando a empresa resolveu jogar mais coisas nos vídeo games das pessoas que não só os saves dos jogos, mas pra guardar progressos o espaço é mais que suficiente.

Talvez o grande problema dessa geração seja a falta de portabilidade dos saves, já que eles ficam armazenados no vídeo games e se na era 32 bits era fácil levar o save de seu “Final Fantasy VII” na casa de um amigo para mostrar a ele como você é bonzão por ter jogado o jogo de novo só pra pegar o inútil último Limit Break da Aeris (que morre pouco depois que você faz isso, se é que eu tive o prazer de dar esse spoiler a alguém depois de tantos anos) e hoje em dia tem que chamar o amiguinho em casa, dar comida pra ele ou então levar o vídeo game todo na mochila pra conseguir mostrar seus progressos.

Em contrapartida, as chances de você perder tudo o que tinha são praticamente nulas. Agora você pergunta, “você sente falta dos memory cards?” Nem um pouco. Apesar da portabilidade, eu tenho mais lembranças deles como um estorvo do que como um acessório prático. Além disso ninguém mais vai ter que gastar dinheiro para expandir as capacidades de armazenamento, a menos que você tenha um Nintendo Wii e queira baixar Deus e o mundo no seu console.

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10 Responses to Do “droga, perdi meu save!” às variadas formas de salvar seu progresso nos games

  1. Felipe disse:

    Pra mim, o pior ainda era a época dos videogames antigos. Quando jogava Nintendo e tinha que deixar o videogame ligado pra não perder as fases jogadas do Super Mario 3!

  2. Rubens XD disse:

    Felipe, eu fazia EXATAMENTE ISSO TAMBÉM!
    Até comentei lá no tópico no fórum! heheheh

  3. Lukaz disse:

    Pergunta. Se eu utilizar a memória do Wii só pra saves / Miis, preciso me preocupar com memória?

  4. shazan disse:

    Não lukaz, só precisa se preocupar com espaço se for salvar WII WARES em excesso… baixar muitos jogos etc.

    Por enquanto eu não sei se já deram uma solução pra isso, até pq nao baixo jogos e não tive muito interesse em correr atrás.

  5. nanigga disse:

    Eu também deixava o videogame ligado, mó briga em casa.

  6. […] Cards News » News News Do “droga, perdi meu save!” às variadas formas de salvar seu …2008-08-15 11:55:21Que até que ele … a informação de seu progresso até que ele … “zerar” […]

  7. […] Cards News » News News Do “droga, perdi meu save!” às variadas formas de salvar seu …2008-08-16 16:44:00Que até que ele … a informação de seu progresso até que ele … “zerar” […]

  8. […] Cards News » News News Do “droga, perdi meu save!” às variadas formas de salvar seu …2008-08-18 13:46:17Que até que ele … a informação de seu progresso até que ele … “zerar” […]

  9. […] Cards News » News News Do “droga, perdi meu save!” às variadas formas de salvar seu …2008-08-20 00:27:20Que até que ele … a informação de seu progresso até que ele … “zerar” […]

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