O mercado da música digital no Brasil

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É impossível negar que o mp3 e outros formatos digitais mudaram a maneira como se escuta música nos últimos anos. A distribuição de arquivos pela internet, com custo praticamente zero para o usuário, não só resultou na queda drástica do número de vendas de CDs, como também mostrou a persistência que grupos considerados “piratas” têm para manter a internet um “território livre”. Muitos devem se lembrar da ascensão e queda de programas como o Napster, o Audiogalaxy e o Kazaa, para mencionar somente alguns que se viram obrigados a encerrar suas atividades devido a processos legais, que parecem não ter dado nenhum resultado prático, a não ser obrigar seus usuários a migrar para diferentes programas, como o eMule, LimeWire ou Soulseek.


Uma das soluções encontradas pelas gravadoras foi se adaptar aos novos tempos e também disponibilizar a venda de músicas individuais pela internet, através de preços modestos, que fossem capazes de competir com a pirataria. A venda de músicas por sistemas como o iTunes (que reúne mais de 6 milhões de músicas, além de programas de televisão, jogos para iPod e podcasts gratuitos), provou que esse sistema era rentável, e que as pessoas estavam sim dispostas a pagar pela música que ouviam, contanto que fosse por um preço considerado justo.

O sucesso da iTunes Store fez com que gigantes como o Yahoo e a Amazon também entrassem no mercado, promovendo uma bem-vinda competição de preços, além de praticamente eliminar a proteção DRM das músicas oferecidas, o que limitava o número de aparelhos para o qual estas podiam ser transferidas. Tudo bem, mas isso está basicamente limitado aos Estados Unidos e outros países de primeiro mundo, mercados que realmente tem peso na decisão das gravadoras. Mas e no Brasil, quais são as opções disponíveis pra quem deseja pagar legalmente pelos arquivos mp3 que possui?


Uma busca em sites como Google e Yahoo mostram que esse sistema ainda engatinha por aqui, e que os preços praticados não são muito animadores no que se trata em combater a pirataria. Entre diversos sites um tanto quanto suspeitos, cujo layout não passa confiança alguma ao consumidor, os destaques vão para o portal de música do Yahoo e a UOL Megastore. Os dois aspectos que chamam mais atenção em ambos os sites são os mesmos: a pouca oferta de artistas e CDs, comparados com as lojas americanas, e o preço individual das músicas, que não se mostra tão competitivo assim. Em ambos os sites, os preços giram em torno de R$ 1,99 por faixa, o que faz com que cada álbum saia em média R$ 20, um preço bom comparado com o que é praticado nas lojas de CD, mas ainda muito longe dos 9 dolares praticados por lojas como a Amazon (o que resultaria em pouco mais de 16 reais aqui).

A UOL Megastore oferece promoções, com álbuns completos a 15 reais, mas em número bastante reduzido, e restrito somente a artistas mais conhecidos ou discos mais antigos que tiveram boas vendas em seu lançamento. Outra limitação das lojas brasileiras é a tal proteção DRM, que limita o número de dispositivos em que se pode transferir a música comprada e as cópias que podem ser feitas delas.


O melhor exemplo de um site que deu certo e conseguiu se manter em evidência em terras brasileiras é o da Trama Virtual, que prova que é possível sim oferecer um formato diferenciado de distribuição de músicas sem custo para o usuário, e ainda ajudando a divulgar o trabalho de artistas desconhecidos. Aos desavisados, não esperem encontrar no Trama Virtual discos completos de artistas famosos, como Paralamas do Sucesso ou Titãs, pois o objetivo do site é outro, divulgar o trabalho de bandas independentes, que possuam contrato ou não com a Trama.

O site oferece download gratuito de álbuns inteiros, e remunera os artistas através do patrocínio de anunciantes do site e do número de downloads que cada faixa obtém. Não é um modelo de negócios que necessariamente garanta o sustento de bandas, mas que auxilia bastante na divulgação de trabalhos que, se dependessem de uma grande gravadora, poderiam nunca chegar a sair das garagens onde muitas das bandas presentes no site ainda ensaiam.

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5 Responses to O mercado da música digital no Brasil

  1. Danilo disse:

    Muito bom o post!

    Vale lembrar também que aqui no Brasil, com a cada vez maior popularização dos celulares que permitem não só ouvir música em MP3 como também comprá-las, esse segmento de venda de músicas via celular está crescendo absurdamente, principalmente entre jovens de classes mais baixas, que não tem dinheiro pra comprar um PC e ter uma conexão de banda larga. Isso contradiz absurdamente quem diz que países pobres (ou pessoas pobres) são quem sustentam o mercado.

  2. shazan disse:

    Se o preço for bom e o acesso for fácil, tende a dar certo!

    Tomei a liberdade de criar um tópico sobre o assunto: http://forum.omegageek.com.br/showthread.php?t=592

  3. helscremin disse:

    Mto bom o post, mista! O assunto é super interessante. Realmente, pena q não há muito incentivo a esse tipo de comércio por aqui.
    Parabéns pela pesquisa!

  4. Kobold disse:

    Eu acho que comprar música pela internet deve ser um saco, até pelo fato de ter uma grande facilidade de ser hackeado e roubarem sua conta no banco. O bom é que sairia bem mais barato e até melhor para os músicos por não ter gastos com cd, capa pra cd, encarte e outros. O ruim é só a divulgação caso o músico decida vender os discos só pela internet. Mas quem sabe em um futuro próximo todos esses problemas possam ser resolvidos, fazendo com que todas as músicas sejam vendidas pela internet de uma forma fácil e segura hehehe.

  5. […] da internet e das fontes de arquivos de música (assunto esse alías que já foi discutido em um excelente post do Felipe) as pessoas têm chances de conhecer e apreciar a música de um modo difícil de se imaginar em […]

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