No conflito vídeo gamista entre oriente e ocidente quem ganha é você

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A partir dessa semana e especificamente a partir de hoje (quinta-feira), inicia-se uma seqüência de postagens semanais sobre games. Então fique de olho porque toda quinta tem mais conteúdo sobre games e todo dia teremos bom conteúdo sobre algum tema especifico que terá novas reportagens no mesmo dia da semana, obviamente a cada 7 dias.

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Engana-se quem pensa que a entrada da americana Microsoft no mundo dos games, no final da geração passada de vídeo games, em um mercado de games até então dominado pelas gigantes japonesas Sega, Nintendo e Sony tenha significado uma possível divisão do mercado em “oriental e ocidental”, em qualquer âmbito.

Vale lembrar que a geração passada foi aquela que contava com Dreamcast (japonesa SEGA), Gamecube (Japonesa Nintendo), Playstation 2 (japonesa SONY) e Xbox (americana Microsoft).

Microsoft Logo Nintendo Logo
Sony Logo Sega Logo

Se socioculturalmente o que vivenciamos é uma mescla cada vez maior entre as mais diferentes culturas, nos games o intercâmbio e influências diretas e indiretas, esteticamente falando, não têm sido diferente. Não que isso seja óbvio, mas o contato constante com a produção intelectual e artística das mais variadas origens e tipos, vista por todo o mundo gera um interesse cada vez mais mesclado por produções textuais, visuais e… audiovisuais, como os games. Antes era fácil dizer que a “Squaresoft” faz jRPGs (Japanese Role Playing Games), a “Capcom” faz adventures e jogos de luta e a Nintendo faz Zelda, Metroid e “esses jogos de sempre”.

Começou a ficar até difícil, em boa parte dos casos, identificar a origem de um jogo e até a entender como ele aparece em determinada plataforma, se não tivermos informações diretas e claras sobre ele, pois as influências são tão diversas e os sistemas possuem uma gama tão grande de gêneros e produtoras que é quase possível dizer que todos os vídeo games atualmente têm jogos para todos os gostos.

Em outras palavras: o ocidente tem criado jogos com a cara dos orientais e o oriente está criando jogos com a cara dos ocidentais. Da mesma forma as plataformas estão surgindo com títulos que antes apareciam só para PC e os PCs estão recebendo adaptações de jogos que costumavam ficar só nos vídeo games.

Abaixo você pode conferir seis interessantes pontos que ilustram peculiaridades da mescla do mercado e especificidades culturais que hoje são comuns:

1 – Vídeo Game Americano cheio de JRPGS

O atual console da Microsoft, o Xbox 360, é atualmente o console com maior quantidade de JRPGs (RPGs de estética japonesa, amplamente conhecidos como jogos mais “lineares”) nessa geração. Algo bastante curioso, considerando que ele é o vídeo game menos vendido no Japão, que é o maior mercado oriental de vídeo games.

O que isso significa: Os ocidentais assimilaram o estilo JRPG de ser e estão gerando demanda suficiente para justificar o lançamento desse gênero de jogo no 360. Além disso, a Microsoft deseja aumentar a ínfima quantidade de consoles que foram comprados no Japão e entrar de vez nesse mercado dominado por PS3 e Nintendo. Deu pra mostrar que não quer também esquecer o interesse nos RPGs de teor mais “ocidental”, lançando o bem recebido Mass Effect e anunciando a sequência do surpreendente Fable, até então chamada de Fable 2.

2 – RTS (Real Time Strategy) nos vídeo games

Jogos como Command & Conquer e Halo Wars demonstrar que, principalmente através do 360, o gênero que foi consagrado no PC com hits como Starcraft, Age of Empires e Civilization começa a aparecer nos consoles de uma maneira mais simplificada, surpreendendo quem, como eu, achava que esse gênero nunca poderia aparecer em um controle “simplificado” como o de um console, uma vez que esse gênero é caracterizado por exigir grande precisão e quantidade de botões.

O que isso significa: Claro sinal de que a barreira entre PC e vídeo games praticamente não existe mais. Com simplificação da jogabilidade e tolerância ao olhar desdenhoso de fãs “hardcore”, as produtoras estão conseguindo trazer aos consoles uma gama de títulos que antigamente seriam motivo de risadas, por não serem “acostumados” a aparecer em vídeo games. Adaptações como Warcraft II, para o fadado Playstation, por exemplo, foram um fracasso de crítica e vendas na época em que foram lançados e hoje em dia estão sendo bem aceitos.

3 – FPS (First Person Shooters) nos vídeo games, inclusive no PS3

Chega a ser assustadora a forma como jogos de tiro em primeira pessoa invadiram os vídeo games nessa geração. Especialmente os tops em hardware, 360 e PS3, com títulos de peso como Call of Duty IV, Bioshock e The Orange Box, que foram também grandes hits na sua plataforma de lançamento costumeira: o PC. O Wii também recebeu seus exemplos que inovaram em jogabilidade, dos quais o principal destaque ficou com Metroid Prime 3: Corruption, um exclusivo da Nintendo. O curioso é que para agradar o público globalmente, os consoles japoneses passaram a olhar esse gênero com bons olhos. A conseqüência é que o FPS tem costumado aparecer tanto para PS3 quanto para Wii, ambos consoles japoneses.

O que isso significa: O que antes parecia improvável, se tornou realidade: a quantidade de jogos de tiro em primeira pessoa anunciado para vídeo games é praticamente equivalmente aos anúncios para PC, que costumava ter quase exclusivamente o lançamento da maior parte dos hits. Bom para as produtoras e bom para os jogadores, porque os únicos a rirem e reclamarem são os hardcore players e “PC lovers” de plantão, que alegam a perda de desempenho em jogabilidade menos precisa nos consoles. Os números de vendas estão aí para mostrar que a investida do FPS nos consoles tem dado certo e todo mundo está feliz com isso, inclusive quem ainda prefere jogar no PC, já que a plataforma está mais firme do que nunca.

4 – Ocidentais matando gente, Orientais matando Deuses

Quando assunto é morte de quaisquer seres vivos, os ocidentais ainda estão por cima. Jogos envolvendo mortes cada vez mais realistas estão mais na moda do que nunca e com a nova fase dos jogos de tiro em primeira pessoa fica claro que o gosto do ocidental por uma temática pesada e grande quantidade de ação, tiros e mortos nos jogos. Em contrapartida, é mais difícil encontrar títulos produzidos no ocidente que contenham entidades maiores e até mesmo a morte dessas entidades, o que é tratado com mais naturalidades em jogos orientais como Devil May Cry, Valkyrie Profile e Final Fantasy.

O que isso significa: Algumas coisas mudaram muito pouco. Os títulos japoneses aindam lidam melhor com fantasia e religiõs inventadas ou não. O ocidental não lida bem com outras religiões, politeísmo e entidades superiores em games. A intolerância religiosa e os conflitos de grande escala motivados por razões religiosas na vida real parecem mexer mais com os ocidentais, que têm dificuldade e maior censura política (e da própria ESRB que classifica os games) para lidar com essa temática nos jogos, mas uma liberdade cada vez maior para lidar com violência e morte de grande realismo, coisa que, em uma visão do mundo contemporâneo, ainda é tocada com mais cautela pelo oriental.

5 – Orientais lidando melhor com cores, jovialidade e fantasia

Embora o ocidental demonstre progresso no tratamento de cores e temáticas joviais na produção de jogos (como visto no belo Ratchet & Clank: Tools of destruction de PS3), ainda falta um bocado para se chegar ao tratamento e uso que o oriental dá a cores e temáticas mais joviais e fantasiosas como ocorreu em Super Mario Galaxy e Okami, ambos presentes no Nintendo Wii. Além disso, a má vendagem de The Legend of Zelda: the Wind Waker (para Nintendo Gamecube) e a ótima vendagem de The Legend of Zelda: Twilight Princess (para Nintendo Gamecube e Nintendo Wii) no ocidente demonstraram justamente que diferentes estéticas atraem diferentes públicos, embora estejamos falando da mesma série de enorme aceitação, cuja principal diferença foi estética.

O que isso significa: A produção de jogos como Mario Galaxy, com um visual mais fantástico e colorido não significa que o jogo seja mais voltado ao público jovem, no oriente. É para todas as idades. No ocidente, porém, esse tipo de jogo ainda é visto com certo preconceito. Culturalmente essa carga temática e estética visual é associada às crianças, no ocidente. O caso de Zelda: Wind Waker e Okami ilustram bem isso: apesar de serem ótimos jogos, foram altamente preconceituados no ocidente pelo seu visual cartunesco, enquanto que The Legend of Zelda: Twilight Princess, foi mais bem recebido e, de fato, foi desenvolvido pensando no atual gosto do Ocidental, voltado para um visual mais “sério” nos jogos.

6 – Os orientais trazendo a casualidade aos games

Com os revolucionários consoles Wii e DS sendo produzidos pela mesma empresa Japonesa, a Nintendo, fica difícil não dizer que eles foram os maiores responsáveis pela massificação da moda de games casuais na atualidade. Se hoje muitos pais, mães, avôs, avós e meninas jogam vídeo game, a maior culpa é dos japoneses e, especificamente, da Nintendo. Enquanto no ocidente a visão mais convencional ainda era a de que vídeo games são para garotos gordos, espinhentos, comedores de salgadinhos e bebedores de coca-cola, no oriente os japoneses estavam um passo a frente e viram no entretenimento eletrônico algo que poderia agradar e muito quem não é tão fissurado assim pela coisa. O fato é que tanto Wii quanto DS acabaram conquistando o mundo todo com um leque enorme de jogos bastante simplificados e acessíveis a todas as pessoas.

O que isso significa: que independente da nacionalidade, pessoas do mundo todo receberam bem a nova onda de games casuais. Não houve preconceito pelo fato dos produtos serem japoneses. Pelo contrário, é de grande pertinência pensar que boa parte do sucesso deve-se ao fato de justamente os jogos produzidos pelos japoneses serem bastante coloridos, divertidos, simplificados e objetivos, se comparados a boa parte dos jogos tradicionais e “hardcore” do público tradicional dos games.

7 – Próxima edição de tradicional franquia japonesa de Survival Horror que se baseia no jeito ocidental de contas histórias de terror, será produzida no ocidente

Confuso? Estamos falando do próximo Silent Hill 5 , próximo jogo da franquia que até virou filme e cuja próxima edição será desenvolvida no ocidente e pela primeira vez sairá das mãos da Konami em um console caseiro. O que estranha é o fato do jogo ser tradicionalmente japonês e ter sido baseado no jeito ocidental de contar histórias de terror, ou seja, era o jeito japonês de imitar o jeito ocidental de contar histórias de terror, que agora será a produção americana do jogo japonês que imita o jeito ocidental de contar histórias de terror. Que confusão… santa globalização!

O que isso significa: Há cada vez menos limites entre o jeito americano e o japonês de fazer jogos e maior tolerância em produções e implementações dos dois lados de estilos antes consagrados em apenas um lado do mundo. Da mesma forma, a aceitação do público dos dois lados é crescente. O Silent Hill mais recente (Origins) e o hit Metal Gear Solid 4 mostram que os japoneses têm se dado bem fazendo games com uma cara mais ocidental.

Nas próximas semanas voltaremos a tratar das similaridades, diferenças e peculiaridades entre produções orientais e ocidentais no mundo dos games.

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6 Responses to No conflito vídeo gamista entre oriente e ocidente quem ganha é você

  1. shazan disse:

    É, feras, japas e amerifag unidos em pró da diversão eletrônica e de ganhos financeiros cada vez maiores!

  2. Danilo disse:

    Belo post Shaz!

    Apesar de os games estarem cada vez mais “globalizados”, eu acho que nunca vai haver uma convergência entre o game oriental e o game ocidental, o que é maravilhoso, já que significa uma variedade muito maior de jogos pra gente!

    E não dá, pra mim FPS é no pc. Não consigo jogar com controle!

  3. earbelfalas disse:

    Não somente FPS, tudo que envolva mira prefiro no PC, como “Gears of Wars” por exemplo.

  4. jogar no pc qualquer fps é uma experiencia bem melhor que em qualquer console.

  5. shazan disse:

    Concordo com o Omykron, mas não acho que isso denigra a imagem boa que os FPS tão tendo nos consoles. O fato dos controles da geração atual trabalharem bem a movimentação com DUAS ALAVANCAS mudou e muito a jogabilidade em relação à geração anterior. Tinha FPSs legais no PS2 que usavam essa movimentação, mas eram mal executados, tanto que o destaque foi pra HALO e HALO 2, de xbox.

    No PS2 tinha “Black”, SOCOM e olhe lá.

  6. Uau!Belo post hein!

    Estou acostumada em jogar em console, do q PC. Estou com os roms de SNES emulados pra PS2. é incrivel observar o quanto os games evoluíram…hehehehe…mas a nostalgia envolvida em jogar Super Mário 3 é inesquecível!haahuaaaahahaua

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