Alcest

julho 12, 2010

Via O Neuromancista

Alcest é um daqueles raros casos de reinvenções bem-sucedidas. A banda começou como um projeto solo de Stéphane Paut, a.k.a Neige, que evoluiu para um trio com as inclusões de Arguth (baixo) e Hegnor (guitarra), ambos velhos conhecidos do Neige da época do Peste Noire, na qual ele tocou baixo por quatro anos.

Com essa formação, lançaram um EP (Tristesse Hivernale), caracterizado pela produção crua e pelo som brutal, características típicas da cena black metal francesa. Logo em seguida, contudo, a banda voltou a ser um projeto solo do Neige, que optou por drasticamente reformular o seu som.

Quatro anos depois do malfadado EP, Alcest lança Le Secret, consistindo de duas faixas antagônicas: a homônima, com um clima relaxante, uma ambientação nostálgica e vocais que lembram um pouco os de Jónsi, do Sigur Rós; e Elevation, que não se acharia deslocada num álbum tradicional de black metal.

Então, dois anos depois, a banda-de-um-homem-só presenteou a Humanidade com Souvenirs d’un autre monde, que revisita a paisagem sonora flertada em Le Secret, expandindo-a em seis faixas de 41 minuto. O álbum, inspirado pelas experiências oníricas de Neige na infância, conjura imagens nostálgicas e bucólicas, remetendo tanto ao shoegaze de Jesu quanto ao post-rock de Sigur Rós.

O segundo LP da “banda” – Écailles de lune -, lançado ainda neste ano, marcou o retorno dos vocais guturais do Neige, ausentes desde o segundo EP, mas preservando a nova identidade musical da banda.


Scott Pilgrim contra o Mundo

junho 7, 2010

Edição nacionalScott Pilgrim é um cara comum com 23 anos de idade, que tem como única ocupação jogar videogames antigos e praticar com sua banda, a Sex-Bob Omb. Isso sem contar com o tempo que passa com Knives Chau, sua recém conquistada namorada de 17 anos.

Tudo isso muda no dia em que ele passa a ter sonhos com uma garota estranha com o cabelo colorido, que se revela real na figura de Ramona Flowers. Após certa confusão (que resulta em uma briga entre Ramona e Knives), Scott assume um relacionamento com esta garota misteriosa.

Até aí Scott Pilgrim parece uma revista comum, cuja única diferença é humor um tanto sem sentido de seu autor, Bryan Lee O’Malley. Tudo muda quando surge a figura do primeiro membro da Liga dos Ex-namorados Malvados de Ramona, aos quais Scott deve derrotar se quiser continuar com o relacionamento.

É a partir desse momento que Scott Pilgrim revela todo seu potencial e se mostra um prato cheio quando o assunto são referências ao mundo dos games e o universo nerd em geral. E isso não se apresenta somente através do nome da banda do protagonista ou no vestuário dos personagens, mas também em componentes como as moedas que os ex-namorados derrotados deixam ou a vida extra que Scott adquire em um ponto da trama.

Vida extra

É justamente esse tipo de humor que vai definir a reação do leitor: caso você seja do tipo que não gosta de nonsense e odeia referências a videogames, passe longe. Caso contrário, com certeza o mundo de Scott Pilgrim vai conquistá-lo com seu humor estranho e mistura de realidade com elementos fantasiosos.

Um dos membros da Liga dos Ex-namorados MalvadosA série completa tem ao todo seis volumes (o último sai no Canadá no dia 20 de julho), publicados no Brasil pela Companhia das Letras, sob o selo Quadrinhos na Cia. Atualmente somente a primeira edição está disponível no país, e seu conteúdo corresponde às duas primeiras edições estrangeiras, podendo ser encontrada facilmente pelo preço médio de R$ 35.

A adaptação para os cinemas também já está no forno, e tem data de lançamento programada para dia 18 de agosto nos Estados Unidos.

Infelizmente, a tradição brasileira de atrasos tem no título mais uma vítima, e uma versão legendada só deve chegar nos cinemas daqui no início de outubro. O que mais surpreende na adaptação é a fidelidade com o apresentado nos quadrinhos, incluindo as referências surreais ao mundo dos videogames e efeitos visuais típicos da mídia.

Como foi desenvolvido ao mesmo tempo que a versão desenhada, a partir de certo ponto os acontecimentos da tela grande se tornam diferentes, porém, segundo o criador da série, isso não é motivo para se preocupar, já que o final de ambos ocorrerá de forma semelhante. Fique abaixo com o trailer da produção:


Kick-Ass

abril 1, 2010

Quadrinhos baseados nos efeitos que super heróis poderiam ter sobre o mundo caso fossem reais não são nenhuma novidade. Basta lembrar que Watchmen, um dos grandes clássicos dessa mídia, utiliza como ponto de partida a existência de vigilantes em uma realidade bastante semelhante à nossa.

Kick-Ass parte de uma premissa semelhante, porém tem objetivos mais realistas do que os mostrados na obra-prima de Alan Moore. O universo representado pela HQ é o mesmo em que todos vivemos, inclusive com a presença de personagens como o Homem Aranha e o Quarteto Fantástico em suas formas consagradas como quadrinhos, filmes e jogos eletrônicos.

Com roteiro de Mark Millar e arte de John Romita Jr., Kick-Ass narra a história de Dave Lizewski, um típico nerd perdedor norte-americano. Totalmente obcecado por quadrinhos, Dave tem dificuldades em fazer amizades na escola e não tem coragem de sequer falar com Katie Deauxma, garota por quem nutre uma paixão adolescente.

Tudo isso muda no dia em que ele decide que não há nada de errado em se vestir como seus personagens favoritos e sair pelas ruas fazendo coisas heroicas como andar por telhados ou vestir uma roupa ridícula. Afinal, se as pessoas querem agir como Paris Hilton simplesmente por ela ser rica e burra, não é nada de estranho em querer ser como o Homem Aranha, que possui aspirações muito mais nobres.

Eventualmente as rondas noturnas começam a ganhar um ar mais sério, e Dave decide que é hora de combater o crime. Assim como tudo o que fez na sua vida, a primeira tentativa de deter delinquentes se mostra um verdadeiro desastre – não só o herói é esfaqueado, como acaba atropelado por um carro. Em seu desespero para esconder sua identidade, Dave consegue se livrar do uniforme de Kick-Ass e é encontrado nu no meio da rua, o que faz todos acreditarem que se tratou de um assalto violento.

Depois de semanas internado, quatro cirurgias e meses de reabilitação, qualquer um com o mínimo de bom senso ficaria longe de qualquer tipo de aventura pelo resto da vida. Mas é claro, como se trata de uma história em quadrinhos, logo Kick-Ass volta às ruas com o objetivo de proteger os indefesos.

É em uma de suas rondas que o herói consegue derrotar membros de uma gangue, ação devidamente registrada por um celular com câmera e enviada para o YouTube. O vídeo se torna tão popular que logo surge uma verdadeira moda de super-heróis, e deixa de ser ridícula a ideia de sair fantasiado pela rua.

É claro, também surgem outras pessoas semelhantes à Dave, que veem nisso uma oportunidade e tanto para combater o crime e mudar o mundo.

A partir dessa premissa, Millar e Romita Jr. desenvolvem uma história marcada por situações violentas, porém sem deixar de lado o bom humor e referências a quadrinhos famosos do universo Marvel.

Com somente oito edições em sua primeira fase, Kick-Ass é bem sucedida na proposta de mostrar como o universo em que vivemos lidaria com a presença de vigilantes mascarados, além de fornecer alguns personagens que já nascem clássicos, como a dupla Big Daddy e Hit Girl.

Os quadrinhos já ganharam uma adaptação para os cinemas que deve chegar na metade do ano em solo brasileiro. Quem leu a versão original ficou empolgado com a fidelidade com que os personagens foram retratados, isso sem contar com a violência exagerada que lembra filmes como Kill Bill.


Pouca Vogal – Ao Vivo em Porto Alegre

março 30, 2010

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A menor banda do rock gaúcho – esta é a forma com que se apresenta o Pouca Vogal, parceria entre Humberto Gessinger e Duca Leindecker. O número de integrantes reduzido não significa exatamente uma simplicidade sonora, visto que ambos costumam se alternar entre dois os mais instrumentos durante a realização de uma mesma canção.

Gessinger tem uma longa carreira à frente do Engenheiros do Hawaii, responsável por hits como “Terra de Gigantes”, “Infinita Highway” e “O Papa é Pop”. Já Leindecker é o líder do Cidadão Quem, banda que não chegou a explodir no cenário nacional assim com o Engenheiros, mas que possui uma fama considerável no sul do país.

O Pouca Vogal teve como origem a vontade de ambos explorarem novos caminhos musicais, o que não seria possível dentro da proposta das bandas de origem. O primeiro passo aconteceu em 2004, durante a gravação de um disco ao vivo do Cidadão Quem, no qual Gessinger fez uma participação especial.

Durante a produção do disco 7, Leindecker pediu que o líder dos Engenheiros escrevesse a letra de uma música para o álbum, que resultou na faixa “A Força do Silêncio”. A parceria definitiva veio em 2008, quando ambos anunciaram que seus respectivos grupos entravam em um hiato de duração indefinida.

O resultado foram oito canções inéditas sob o nome Pouca Vogal, liberadas de forma totalmente gratuita no site oficial do grupo. A proposta era fazer algo fora do sistema comercial, sem utilizar do nome dos Engenheiros ou do Cidadão Quem como forma de promoção.

Ao Vivo em Porto Alegre

O resultado do trabalho feito pela dupla até o momento pode ser conferido no CD e DVD Ao Vivo em Porto Alegre, montado com imagens captadas em quatro shows realizados no Teatro CIEE em Porto Alegre entre os dias 11 e 13 de março de 2009. O produto final reúne as composições recentes de Gessinger e Leindecker, além de versões novas para os grupos antigos dos quais participavam.

O destaque do show vai tanto para a direção, que conseguiu captar com grande habilidade os ângulos de câmera que melhor traduzem a experiência, quanto para a habilidade demonstrada pelos dois músicos. Fora a participação especial de alguns convidados em certas faixas, todas as outras são tocadas de maneira habilidosa somente pelos dois membros do Pouca Vogal.

Quem esperava que a falta de integrantes pudesse prejudicar o resultado final, vai ficar impressionado com a riqueza sonora produzida pela dupla. Enquanto Duca é responsável pra guitarra elétrica e ritmos de bateria, Gessinger altera de forma competente entre o violão, viola caipira e o piano, sem contar com o teclado MIDI que controla com os pés.

As participações especiais ficam por conta da presença de Luciano Leindecker e do PoA Pops, que enriquecem ainda mais as composições da banda adicionando linhas de baixo e orquestrações. O que pode decepcionar um pouco é que somente 3 das 20 faixas do DVD contam com os convidados, que poderiam ter sido melhor aproveitados.

Nos quesitos técnicos, o DVD peca pela falta de opções extras, como a possibilidade de visualizar a letras das músicas na tela ou algum material especial que servisse como incentivo para a compra. O making off do show é interessante, mas tem duração curta, e a galeria de imagens decepciona pela falta de conteúdo.

Para os fãs do Engenheiros e do Cidadão Quem, Ao Vivo em Porto Alegre é um lançamento obrigatório, que mostra como a passagem do tempo só serviu para aprimorar as habilidades artísticas tanto de Leindecker quanto de Gessinger. É claro, a experiência de testemunhar uma apresentação ao vivo é inigualável, mas as imagens captadas no disco servem como um belo aperitivo para quem procura uma alternativa aos grupos de “rock” que dominam o cenário da mídia atualmente.


Retalhos

junho 26, 2009

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Cover

Craig Thompson cresceu numa família pobre e extremamente religiosa, num ambiente de opressão e de temor a Deus, forçado a dividir a cama com o irmão até a adolescência, vítima frequente de bullying escolar e da intransigência de seus pais, que nunca lhe deram direito a ter uma opinião. Isso, somado à lavagem cerebral religiosa pelo qual passou, tornaram-no um crente fervoroso, fazendo-o renegar o seu dom para o desenho e se dedicar a uma vida “em Cristo”.

Todavia, num retiro para jovens cristãos (que mais se assemelhava a uma confraternização entre os mauricinhos da cidade, pra ser honesto), ele se depara e socializa com um grupo de párias tão deslocados quanto ele; e, entre eles, uma jovem chamada Raina lhe chama a atenção. Expressiva, jovial, vívida e independente, em muitas maneiras a sua total antítese. Tais como dois corpos de cargas opostas, eles se atraem, num relacionamento que afetará ambos profundamente.

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Retalhos se assemelha a Fun Home no sentido de se tratar de uma auto-biografia com ênfase evidente em determinado aspecto da vida do autor; enquanto que em Fun Fome a relação de Alison com o pai é o foco, em Retalhos é a relação entre o protagonista (o autor) com seu primeiro amor (Raina, a moça na capa) que é abordada com mais profundidade.

Além disso, em comum as duas HQs também apresentam numerosas idas e vindas no tempo, costuradas por narrativas sólidas e engajantes, onde cada recapitulação (ou “flashback”) funciona para justificar as ações no presente por um viés psicológico ou para realçar certos traços comportamentais dos personagens e/ou seus estados de espírito. Notar-se-á, por exemplo, como a relação entre Craig e o irmão é retratada de forma intensa no começo da livro e gradativamente deixada de lado, culminando numa espécie de metalinguagem narrativa – conforme os irmãos, na vida real, distanciaram-se, a interação entre os dois, na HQ, também.

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Retalhos se trata de uma obra densa (são mais de 592 páginas), rica em metáforas e mensagens, que merece ser lida e relida várias vezes para ser apreciada em sua plenitude; lá fora, a obra venceu três prêmios Harvey (Melhor Artista, Melhor HQ e Melhor Cartunista), dois Eisner (Melhor Escritor/artista e Melhor HQ) e diversos outros, reforçando o reconhecimento ainda que tardio dos quadrinhos como mídia adulta em potencial.

No Brasil, foi editado pela recém-formada Cia das Letras., subdivisão da Companhia das Letras dedicada exclusivamente a quadrinhos alternativos, com um preço de capa bastante atrativo de R$49,90, baratíssimo para uma obra com quase 600 páginas de arte, papel de qualidade e excelente diagramação.


Neon Genesis Evangelion

maio 16, 2009

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Quando surgiu, em 1995, Neon Genesis Evangelion representou uma revolução no que diz respeito a animes cujo foco são robôs gigantescos (mechas). Em vez de focar em alguma grande guerra entre duas nações ou apresentando os robôs como simples instrumentos para a ação humana, apresentava uma batalha contra inimigos de origem vaga, chamados de “Angels”, cada um nomeado conforme os anjos bíblicos. Os robôs em si também eram bastante diferentes, tendo um caráter até humano e imprevisível, pois podiam a qualquer momento perder totalmente o controle e agir por si próprios.

Lembro que o grande destaque dado na época pelos veículos especializados foi que Evangelion possuia diversas referências à filosofia e religião, além de explorar bem os conflitos psicológicos e as motivações de cada personagem. Também eram destaques os diversos mistérios e explicações dadas pela metade sobre qual a função real da NERV, o que eram os EVA’s e o que era o Projeto de Complementação Humana, só para citar alguns dos pontos que não são totalmente esclarecidos, apesar de algumas dicas que apontam para uma possível explicação. Mas estou divagando, vamos à sinopse da série.

O Segundo Impacto

O Segundo Impacto

No ano 2000 ocorreu o que ficou conhecido como o Segundo Impacto, um cataclisma global que praticamente destruiu a Antártica e causou a morte de metade da população humana. Oficialmente, o responsável por esse distúrbio que inclusive alterou o eixo de rotação da Terra foi o impacto de um meteoro, semelhante ao que teria causado a extinção dos dinossauros. A partir desse evento, é criada a organização chamada NERV, cujo propósito é derrotar seres conhecidos como Angels, e evitar o acontecimento de um Terceiro Impacto, que poderia trazer ao fim a vida humana no planeta.

A forma encontrada de combater os Angels foi a criação dos EVA’s, robôs gigantescos e único instrumento capaz de derrotá-los. Como seus pilotos, foram escolhidas crianças nascidas pouco após o Segundo Impacto. São elas, por ordem de convocação, Rei Ayanami, que pilota a unidade 0, Asuka Langley Souryuu, que pilota a unidade 02 e Shinji Ikari, responsável pelo controle da unidade 01. Os 26 episódios da série seguem mostrando as diversas batalhas com os Angels, as intrigas internas da NERV e os relacionamentos entre os personagens.

A cada episódio, vão aparecendo novas perguntas. O que foi o Segundo Impacto? Qual a real natureza dos EVA’s? Por que a NERV possui um Angel escondido em seu subsolo? Quais as reais intenções de Gendo Ikari e seu Projeto de Complementação Humana? Enfim, uma série de perguntas, cuja maior parte acaba ficando sem uma resposta definitiva.

Evangelion 02Assistindo à série agora, 14 anos após sua criação, fica claro que Evangelion não envelheceu muito bem em determinados aspectos. O desenvolvimento dos personagens, elogiado na época, parece algo muito simples e incompleto se comparado a diversas animações que vieram depois. Com algumas excessões, como a Major Katsuragi e a Doutora Ritsuko, parece que todos os outros tipos de personagens acabaram se tornando um clichê.

A animação da série, por outro lado, continua podendo ser considerada boa, especialmente nas cenas que envolvem lutas utilizando os EVA’s, algumas impressionantes até hoje, isso levando em conta que na época não haviam as facilidades proporcionadas pelo CGI atualmente. Apesar da qualidade da animação cair nos episódios finais, com muitas cenas sendo recicladas, é impressionante observar a qualidade geral do anime nesse quesito, ainda mais levando em conta as sérias restrições de orçamento que sofreu durante sua produção. A parte sonora também é outro destaque, com temas coerentes à cada situação e uso perfeito do silêncio quando necessário.

The End of Evangelion

The End of Evangelion

O grande problema da série original é justamente seu final. Enquanto até o episódio 24 a série segue uma ordem lógica, nos dois últimos acaba seguindo pelo caminho do nonsense, com um andamento confuso em que não se sabe exatamente o que está acontecendo. Para corrigir isso, em 1997 foi lançado o filme The End of Evangelion, que mostra o final real da série, substituindo os acontecimentos dos episódios 25 e 26.

Neon Genesis Evangelion continua ainda hoje como uma obra muito boa, e até certo ponto bastante coerente. As dúvidas não respondidas podem trazer algum incômodo, mas nada no nível de programas como Lost. O importante é só não deixar o culto que se criou ao redor da série influenciar sua opinião, já que infelizmente a série, apesar de bastante competente, está longe de ser genial.

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Tak Matsumoto Group

maio 9, 2009

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Tak Matsumoto

Tak Matsumoto

Antes de falar desse projeto, é necessária uma pequena introdução sobre quem é Tak Matsumoto. Esse nome, que pode não significar nada para quem vive no mundo ocidental, é o líder/guitarrista/compositor/produtor de um dos grupos de maior sucesso do rock japonês, o B’z. Frequentemente citado como uma espécie de Aerosmith japonês, o grupo já vendeu mais de 80 milhões de cópias de seus discos só na terra do sol nascente. A razão de seu sucesso é a versatilidade de Tak, que toca jazz, blues, funk, metal e hard rock, tudo temperado com influências asiáticas.

Em 2003, decidido a fazer um projeto que soasse ao mesmo tempo com um pé no hard rock tipicamente americano, mas sem perder a influência japonesa, Tak chamou o cantor Eric Martin (Mr. Big), o baixista/cantor Jack Blades (Night Ranger, Damn Yankees) e o baterista Brian Tichy (Ozzy Ousborne, Slash’s Snakepit) para contribuir em um álbum.

tmgO resultado foi o primeiro, e até agora único, disco do Tak Matsumoto Group, intitulado simplesmente como TMG I. Para promover o álbum, houve uma pequena turnê ao redor do Japão, culminando com um show no lendário Budokan. Como Brian Tichy não poderia participar, foi chamado para seu lugar o baterista Chris Frazier, atualmente membro do Whitesnake. O registro dessa turnê pode ser visto no dvd Dodge The Bullet, lançado em dezembro de 2004, infelizmente restrito às terras japonesas.

O álbum tem como destaque principal a incrivel habilidade de Tak na guitarra, com riffs marcantes e linhas melódicas melhores do que muitos trabalhos da era de ouro do hard rock, os anos 80. Outro mérito foi trazer Eric Martin de volta ao campo onde atua melhor, isso é, no hard rock baseado em guitarras. O vocalista, que em sua carreira solo foca no lado mais pop e romântico, aqui apresenta uma performance digna de seus melhores trabalhos no Mr. Big.

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As músicas que se destacam são Oh Japan – Our Time is Now, que abre o álbum de maneira excelente, a pesada Kings for a Day, a oitentista Wish You Were Here e a oriental The Greatest Show On Earth. Vale ainda citar Trapped, a excelente Wonderland e Never Good-Bye, que fecha o álbum com chave de ouro e deixa aquela vontade de que o grupo tivesse produzido mais material.

Infelizmente não há sinal de que um novo disco do projeto possa surgir num futuro tão próximo. Tak Matsumoto continua com seu trabalho de sucesso no B’z, Jack Blades está de volta ao Night Ranger, e Eric Martin recentemente anunciou a volta do Mr. Big em sua formação original. Felizmente, por mais que o projeto tenha durado pouco, teve como fruto um excelente disco, recomendado principalmente para os fãs de hard rock na linha Mr. Big.


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