Comente este artigo no Fórum Omega Geek.
Craig Thompson cresceu numa família pobre e extremamente religiosa, num ambiente de opressão e de temor a Deus, forçado a dividir a cama com o irmão até a adolescência, vítima frequente de bullying escolar e da intransigência de seus pais, que nunca lhe deram direito a ter uma opinião. Isso, somado à lavagem cerebral religiosa pelo qual passou, tornaram-no um crente fervoroso, fazendo-o renegar o seu dom para o desenho e se dedicar a uma vida “em Cristo”.
Todavia, num retiro para jovens cristãos (que mais se assemelhava a uma confraternização entre os mauricinhos da cidade, pra ser honesto), ele se depara e socializa com um grupo de párias tão deslocados quanto ele; e, entre eles, uma jovem chamada Raina lhe chama a atenção. Expressiva, jovial, vívida e independente, em muitas maneiras a sua total antítese. Tais como dois corpos de cargas opostas, eles se atraem, num relacionamento que afetará ambos profundamente.
Retalhos se assemelha a Fun Home no sentido de se tratar de uma auto-biografia com ênfase evidente em determinado aspecto da vida do autor; enquanto que em Fun Fome a relação de Alison com o pai é o foco, em Retalhos é a relação entre o protagonista (o autor) com seu primeiro amor (Raina, a moça na capa) que é abordada com mais profundidade.
Além disso, em comum as duas HQs também apresentam numerosas idas e vindas no tempo, costuradas por narrativas sólidas e engajantes, onde cada recapitulação (ou “flashback”) funciona para justificar as ações no presente por um viés psicológico ou para realçar certos traços comportamentais dos personagens e/ou seus estados de espírito. Notar-se-á, por exemplo, como a relação entre Craig e o irmão é retratada de forma intensa no começo da livro e gradativamente deixada de lado, culminando numa espécie de metalinguagem narrativa – conforme os irmãos, na vida real, distanciaram-se, a interação entre os dois, na HQ, também.
Retalhos se trata de uma obra densa (são mais de 592 páginas), rica em metáforas e mensagens, que merece ser lida e relida várias vezes para ser apreciada em sua plenitude; lá fora, a obra venceu três prêmios Harvey (Melhor Artista, Melhor HQ e Melhor Cartunista), dois Eisner (Melhor Escritor/artista e Melhor HQ) e diversos outros, reforçando o reconhecimento ainda que tardio dos quadrinhos como mídia adulta em potencial.
No Brasil, foi editado pela recém-formada Cia das Letras., subdivisão da Companhia das Letras dedicada exclusivamente a quadrinhos alternativos, com um preço de capa bastante atrativo de R$49,90, baratíssimo para uma obra com quase 600 páginas de arte, papel de qualidade e excelente diagramação.




Escrito por regentus 

Assistindo à série agora, 14 anos após sua criação, fica claro que Evangelion não envelheceu muito bem em determinados aspectos. O desenvolvimento dos personagens, elogiado na época, parece algo muito simples e incompleto se comparado a diversas animações que vieram depois. Com algumas excessões, como a Major Katsuragi e a Doutora Ritsuko, parece que todos os outros tipos de personagens acabaram se tornando um clichê.

Escrito por Felipe Valente 
Escrito por regentus 



Naoki Urasawa conseguiu fama mundial através de Monster, mangá publicado entre 1994 e 2001, que mistura elementos de ação, investigação policial e referências bíblicas de forma genial, fugindo dos clichês tão comuns nesse meio. Seu projeto mais recente, PLUTO, apesar de não ser uma obra totalmente original, carrega em cada página o estilo sombrio de seu autor.









