O Senhor dos Reais: A Sociedade do Real (Parte I)

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O Senhor dos Reais

Para entender melhor esta parte, talvez você queira (na verdade, é provável que não) ler o primeiro e o segundo capítulo de O Senhor dos Anéis: Uma Festa Muito Esperada e A Sombra do Passado.

Leia as outras partes aqui.

No dia em que o Sr. Bimbo Nécessaire anunciou que daria uma festa, muitas pessoas ameaçaram-no se ele não enviasse convites a elas. Por esse fato, o nosso prezado amiguinho de pés peludinhos (provavelmente punheteiro) teve de convidar todas as famílias da região. Confirmaram presença muitas delas, como os Baggos, os Baloffos, os Tûrkos (que intimaram-no a convidá-los falando algo sobre bombas e quibes fritos), os Brande-Nuques (cafetões), os Pé-na-Cova, os Pés-Horrendos, os Cornointeiros, os Nécessaires e até os Sacola-Nécessaires, famosos por roubar os pertences alheios com nada mais nada menos que… sacolas!

A festa, claro, era dedicada à Bimbo, que comemoraria seu onzécimo aniversário. Tudo fora roubado… quer dizer… o quê?… arranjado com antecedência. Era costume entre os roberts dar presentes em seu aniversário, e não receber. Por isso, todos os brinquedos foram encomendados da Fábrica de Lembrancinhas VALLE [DE LAS LEMBRANCITAS DEL PARAGUAY], região muito importante que há mais de 500 anos produzia presentes de qualidade, que eram muito bons, conservados e bonitos, como botões, fios-dentais, chicletes mascados e bonecos do Fogão, o Balrog Amigo (e duvidosamente bochechudo), já que a família Nécessaire era, de certa forma, bastante rica.

Como local da festa, foi escolhido o Quintal da Vizinha, que não deixou que eles se utilizassem dele. Mas os Nécessaires não desistiam facilmente. Eles queriam aquele quintal, e o teriam! Miraculosa e misteriosamente, uns sete parentes da Vizinha se suicidaram, e ela anunciou que passaria duas semanas fora de casa, mas que não era para os Nécessaires usarem seu quintal para a festa. Essa parte, me parece, eles não escutaram.

Bimbo chamava aquilo de festa, mas era mais um pancadão do que qualquer coisa. Quando todos os roberts haviam ganho seus presentes e pegado alguns “emprestado”, começaram a beber, a dançar, a quebrar copos, a xingar, a contar piadas, a virar uns aos outros de cabeça para baixo em latas de lixos, a saquear a casa da Vizinha e outras coisas muito mais interessantes que essas, que fariam até Sauromau rir. Bimbo, então, vendo que tudo era bom, foi descansar com uma “amiga” dentro de casa, voltando tempos depois, quando todos já estavam comendo.

“Discurso! Discurso! Discurso!”, gritaram uns. Outros, mais desgostosos, gritaram outras coisas menos honrosas.
Bimbo, emocionado, disse:

— Não sejam tolos, esta festa não é tão importante a ponto de merecer um discurso!

— Cala a boca e manda essa merda do falatório! – Responderam eles.

Bimbo tirou, então, um papelzinho do bolso, subiu em uma cadeira e começou a lê-lo:

— Irmãos e irmãs! Vocês que estão aqui, aleluia, sabem que o fim está próximo, glória! Vamos, glória! Não tô chamando você, Glória! Aliás, tu me deve dinheiro… falando em dinheiro, dêem-me todo ele, irmãos, e encontrarão a vaga no céu! Aleluia! Aleluia! Ale… bem, não é isso. Me desculpem, meus queridos amigos e companheiros roberts… esse é o discurso pra quando eu for virar pastor… – disse Bimbo, envergonhado e raivoso, ao ver que algumas robertas fiéis haviam se ajoelhado e queriam pagar pela tal vaga no céu com beijos nos pés e outras coisas mais que não eram dinheiro. O Sr. Nécessaire não era de se enganar assim tão fácil, e não aceitou.

Bimbo se endireitou na cadeira e procurou outro papel em seu bolso, o do discurso para o aniversário. Encontrou-o e começou a ler:

— Eu tenho três motivos para fazer o que vou fazer. Primeiro: a “amiga” que levei lá pra dentro na verdade tinha coisas esféricas entre as pernas, e eu estou um tanto traumatizado até agora por tal acontecimento… aquilo machuca! Portanto, estejam avisados que tô loko de linguissa e o que eu vou falar não tem lógica. Segundo: eu devo duas vezes a metade de vocês não como gostaria, e estou ameaçado pelo dobro da metade de vocês a metade de um quarto e meio de 23 dividido por pu, que vocês nem imaginam o 73% do quanto! Por isso, sinto necessidade de cancelar minhas contas na Suíça e partir para um longo, exaustivo e reconfortante exílio… vou-me agora! Adeus! “PÁ!”

Mas o “PÁ!” não era esperado por ninguém, muito menos por Bimbo. Sua avó, Bilbina, viera por detrás dele e lhe dera uma frigideirada na cabeça tão forte que ele caiu duro e empacotado no chão. Ela achava ridículo ele querer fugir com toda a grana, fruto de anos de estelionato da nobilíssima família Nécessaire. “Peguem tudo o que der e, se ele perguntar, digam que foi rape!”, gritou a velha, sem dentes e babando ao falar, e os convidados pularam sobre Bimbo, roubando seus reais, seus brincos, batons, absorventes (WTH?), pulseiras e outros objetos mais. Mas foi seu sobrinho mais amado, querido, admirado e louvado, Fodoric, de apelido Fodo, quem encontrou uma Nota reluzente e brega amarrada à sua ceroula (N/A: espécie de cueca antiga). Era uma nota tão estranha que ele guardou-a só para si, e não mostrou a ninguém.

Depois de terem saqueado tudo que encontraram pela frente e vendido a casa da Vizinha a um turista americano (proveniente de Angabanda) que passava por ali, os roberts foram dormir, cada um em sua casa. Por um acaso do destino, milagre ou coisa parecida eles se esqueceram de Bimbo dentro de uma masmorra, e lá ele ficou (até que o velhinho curtiu o visual sadomasô oldstyle do lugar).

Continua…

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