
O Senhor dos Reais é uma paródia de “O Senhor dos Anéis”. Por enquanto é apenas um prefácio resumindo os acontecimentos da trilogia, seguindo (dentro do possível) a estrutura do prefácio escrito pelo próprio Tolkien em seu livro. As duas partes que estarão aqui na coluna de Humor do BNBlog são “histórias fechadas”, por assim dizer, que não necessariamente precisam de uma continuação após elas. Portanto, talvez outros capítulos de O Senhor dos Anéis sejam parodiados também, mas não prometo nada.
Em tempo, vale avisar que esse, provavelmente, é um dos textos de humor mais “trash” a serem publicados aqui, fugindo do padrão cômico da trilogia de Borat com a qual abrimos a coluna.
O SENHOR DOS REAIS
TRADUZIDO DO “JORNAL COMUNITÁRIO VILA FELIZ
do Morro Ocidental” por Eduardo Furbino
Aqui está contada a história da Guerra do Real e do Retorno do Rei*
conforme vista pelos favelados menos afortunados.
*Verdadeiro Mestre-da-Boca
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Três Reais para os Reis-Mendigos sob essa Ponte,
Sete para os Senhores-Anões, no TV Xuxa aprisionados,
Nove para os Capangas banais, fadados ao eterno Dono,
Um para o Senhor-do-Morro, em seu Trono de prástico,
Nas Terras da Comunidade, onde os Bêbados se deitam.
Um Real para a todos endividar, Um Real para encrencá-los,
Um Real para a todos trazer, e nas Dívidas aprisioná-los,
Nas Terras de Morrodor**, onde os Reais são fabricados.
**”Casa da Moeda” em bibarin, uma das línguas dos Mendigos
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PREFÁCIO
Esta história cresceu conforme foi sendo contada, até se tornar a história da Grande Guerra do Real, incluindo muitas passagens da história ainda mais antiga que a precedeu. O conto foi iniciado logo depois que O Robert foi escrito. Mas esse não é só um conto, é um relato extenso passado nas mais diversas Eras deste mundo, e em sua grande parte trata de roberts, seres pequenos e toscos que viveram como mensageiros e enfeites de casa nas Grandes Favelas de outrora.
Dizem que os roberts são seres pequenos, estúpidos, idiotas, mesquinhos, babacas, esnobes, esfomeados, maníacos por dinheiro, magricelas, vermífugos, barrigudinhos, ladrõezinhos, piolhentos, sarnentos, peludos, cabeçudos, pervertidos, tarados e tão complexos que outras características suas demorariam uma Era dos Varas inteira para serem relatadas.
Os roberts nasceram quando os Donos do Morro precisaram levar, muito rapidamente, recados e mercadorias para outros dos Donos. Naquela época, os dois postes de luz da então pequena vila da Erva-Média, I-Luís, ao Norte, e Dumal, ao Sul, que foram construídos através de caridade e doação (roubo) do dinheiro do Orfanato, estavam sem energia devido ao perverso dono da Companhia Elétrica da Erva-Média, Zélkor.
Este cortara a luz porque queria destruir tudo o que seus técnicos (os varas) faziam, e porque era um debilóide a toa, que, de tão complexado, odiava a maioria dos outros varas, que eram seres muito fortes e formados em criaçãodomundologia, construtores de muitas das coisas duradouras da Erva-Média, como a Fonte Arrecadadora de Dinheiro e as fundações de Arda (a sociedade dos “Anões Ridículos e Doidos Anônimos”).
A escuridão, então, com o corte da luz, tomou conta da Erva-Média, e os roberts, que podiam enxergar bem no escuro, foram escolhidos pelos Donos-dos-Morros como seus mensageiros (pra falar a verdade eles não enxergavam assim tão bem, mas sabiam tatear que era uma maravilha! Há quem diga que foi por causa das habilidades de pegação dos roberts que eles foram usados como mensageiros).
Naquela época, o terrível Senhor-do-Morro de Morrordor, Çauron, iniciou a falsificação do que seria chamado “Os Reais do Poder”. Com papel celofane (N/A: papel transparente colorido além da conta), que roubou das crianças anãs, ele fez os Sete, e os deu aos Senhores-Anões, pais das crianças, os quais estavam pegando muito no seu pé ameaçando-o constantemente com frases como “você ainda me deve aquela noitada, cachorro!” (é óbvio que Çauron não fazia a mínima idéia do que falavam…).
Os anões, por nunca terem visto tal iguaria, ficaram maravilhados e, dessa forma, foram seduzidos por Çauron. De papelão, o Senhor-do-Morro fez os Nove, e os deu a seus Capangas, que tentaram gastá-los comprando cachaça e torresmo, mas os butequeiros não os aceitaram e, desse modo, os Capangas tiveram que ficar com eles, meio que a contra-gosto. Três Reais não foram feitos, nem tocados, nem maquinados e nem fornicados por ele. Esses três foram feitos de latinhas recicladas pelos Reis-Mendigos, que os esconderam da vista de Çauron, pois almejavam vendê-los a um preço legal em um futuro próximo, quando a cotação do alumínio subisse nos ferro-velhos.
E, finalmente, o Um, feito de sacola de supermercado e purpurina dourada, para que durasse mais e não fosse demodê, foi feito só para ele, e ele o chamou “O Um Real para a Todos Endividar”, e com ele, por causa da sua bonita aparência, dominou os outros dezesseis, menos os dos Reis-Mendigos, que acharam que a purpurina lembrava comida e, por isso, ficaram de mau de Çauron.
Mas Çauron foi derrotado logo após falsificar o Um, e justamente pelos moradores da Boca (errr… eu quis dizer Morro, quis dizer Morro!), que, tendo sido desprezados por ele ao não serem agraciados com nenhum Real, formaram a Última-Aliança-entre-os-Manos-e-as-Minas, e lutaram contra Çauron e seu exército de Homens da Comunidade armados com estilingues e cacos de vidro. Muitos homens, mulheres, Mendigos e alguns anões pereceram. Como nem os Grandes Servos de Çauron, os Capangas, Cavaleiros da Desgraça e da Podridão, Semeadores do Mal e da Discórdia, denominados pelos habitantes da Erva-Média “Os Nove PCCs Negros”, deram conta do recado, no final da guerra o próprio Çauron, protegido por um colete à prova de balas saqueado da PM, saiu para a luta. Foi Manéldur, o nobre padeiro português dono da Padaria Arno & Gordor, que, tendo mãos leves, roubou o Um Real de Çauron, e arruinou, assim, parte de seu poder monopólico e sedutor para sempre, já que Çauron só chamava a atenção das outras pessoas porque tinha uma coisa extremamente duvidosa e brilhante (o Real) amarrado no dedo.
(Continua…)




Abril 8, 2009 às 20:22 |
[...] Leia a primeira parte de nossa digníssima história aqui! [...]