Borat! Entrevistas Interculturais (Final)

Borat!

Borat!

Entrevistas Interculturais

Para Fazer Benefício à Gloriosa Nação Cazaquistão


O Correio do Cazaquistão utilizava-se de recursos logísticos engenhosíssimos para entregar correspondências em outros países. Como os carteiros tinham de atravessar zonas em guerra, dominadas por forças terroristas das mais diversas, as cartas e encomendas eram disfarçadas das mais diferentes maneiras, de modo a não serem apreendidas. A mensagem de Borat, por exemplo, estava identificada como “Receita de Acarajé para o Sr. Barack Obama”, uma arma biológica classe 3. Em geral, os terroristas ficavam satisfeitos com o aparente conteúdo dessas cartas e as deixavam passar. Uma vez interceptaram uma encomenda tida como “Bomba cinematográfica de alta periculosidade”. Desconfiados dessa identificação tão explícita, os líderes terroristas exibiram o conteúdo do vídeo. Era o  filme mais recente do Uwe Boll. Guardaram o DVD para uso posterior em um atentado em massa e enterraram as vítimas que foram expostas à gravação.

A carta de Borat chegou a seu destino cerca de dois meses depois de ser enviada para o gabinete do senador (a essa altura presidente) Barack Obama. A eficiência do Цанал Цристао — Correio Cazaquistão, Porn Industry & Berçário Nacional era absurda, um tremendo salto de qualidade havia ocorrido desde a longínqua data de sua invenção pelos cazaques, há umas duas semanas e meia. Antes, eles comunicavam-se através de recados boca-a-boca; costumava demorar seis meses apenas para se perguntar a alguém “Como vai?” ou algo do tipo, e, quando a resposta vinha, às vezes era logo seguida de um anúncio de falecimento ou agressão. Por algum motivo, mensagens como “Vou me mudar para outra casa, volto em outubro pra festejar seu aniversário” chegavam aos ouvidos do destinatário como “Vou me matar por sua causa, volto do outro mundo pra te esquartejar no armário”, e “Estou caindo em desespero, sem você me sinto tão só… vê se apressa o seu retorno!”, entendida como “Estou saindo com o leiteiro, ele tem pinto maior… chupa essa, seu corno!”.

Por qualquer motivo que seja, talvez o gosto por comidas que também são laxantes naturais, Obama abriu e leu a carta de Borat. Ficou um tanto decepcionado por não aprender a preparar comidas baianas, mas interessou-se pela mensagem vinda do longínquo (e aparentemente desconhecido) Cazaquistão, que “desde 2002 erradicou com sucesso a febre cigana, matando todo cigano que estava doente” (SAGDYIEV, Borat. Carta para o Sr. Obama. 2008). As culturas americana e cazaque eram tremendamente diferentes, por mais que os habitantes daquele país perseguissem gays em nome do Sr. Jesus, como os americanos, comessem hamburgers feitos de restos mortais de minhocas e gatinhos, como os americanos, e vivessem no melhor país do mundo, como os americanos.

Obama ficou impressionado e intrigado com a carta de Borat e com as situações que ele descrevia. Decidiu respondê-la sem demora, apenas o esforço desprendido para que ela chegasse às suas mão já valia uma resposta. O presidente-eleito preocupou-se em não julgar o país de Borat, nem em comparar (em excesso) suas crenças e costumes com as do EU da A. De um modo geral, tinha mais consideração pelas demais nações que seu antecessor. Segue, na íntegra, a carta de Barack Obama à Borat Sagdyiev, conforme chegou ao Cazaquistão:

Carta do Sr. Barack Obama à Borat Sagdyiev

Borat leu e releu por diversas vezes a carta do presidente. Lhe parecia que era curta demais, apenas três de suas perguntas foram respondidas! O que aconteceria agora com as outras dúvidas, como “Se o Pato Donald fosse um pato afrodescendnete, ele teria de usar calças?”. Mas nem tudo o que se quer é o que se ganha… nem tudo que é ouro fulgura… com grandes poderes vêm grandes responsabilidades… caímos para aprender a nos levan-… ops. Enfim, Borat teria que se contentar com aquilo por enquanto. No futuro ele driblaria outra vez os terroristas e enviaria novas cartas para o Sr. Obama. Sim, faria isso, no futuro… mas agora precisava contar ao mundo que é errado sequestrar mendigos, pintá-los de amarelo e forç[a-los a aparecer em programas de TV. O que significava que deveria despedir seu único ator. Ossos do ofício…

Borat guardou a carta em sua escrivaninha e saiu do escritório. Correspondera-se com o presidente dos EU da A! Era um homem quase completo agora, tinha que se gabar com seus vizinhos. E também tinha muitas outras coisas a fazer.

FIM


Nota: Penosako é uma palavra cazaque que significa tanto “dragão” quanto “sogra”.

Uma resposta para “Borat! Entrevistas Interculturais (Final)”

  1. taizze Disse:

    HAuahuahua. Até referência tem!!! xD

    Enfim, adorei o relato sobre o correio cazaque. =B
    Ficou bem bom. Com direito à assinatura do presidente. =B

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