Borat! Entrevistas Interculturais (1 de 3)

Borat!

Está estreando hoje o novo Pilar do Battle Nerds Blog, o Humor! A cada semana você confere um novo texto recheado de piadas, referências geeks, personagens (e personalidades) mundialmente famosos, situações divertidas… prepare-se para ver seus ídolos dos quadrinhos, cinema, televisão e música desossando na comédia!

Borat!

Entrevistas Interculturais

Para Fazer Benefício à Gloriosa Nação Cazaquistão

Quando o sino do templo da vila de Kuzcek tocou, ao amanhecer do dia, Borat acordou. Sua segunda esposa, Luenell, continuou dormindo, ele podia escutá-la roncando na cama do vizinho. Uma mulher adorável, Borat pensou enquanto se levantava, boa para ele, para os filhos e para seus amigos. O que mais um homem poderia querer? Talvez uma vaca, mas ele já tinha uma, mãe de dois dos seus oitenta e três sobrinhos.

Borat iniciou uma breve oração ao Sr. Jesus. Ele agora rezava à ele e não mais ao Falcão, embora continuasse a seguir alguns dos mandamentos de seu antigo deus, em especial o 25º, seção 3, parágrafo quarto, que dizia: “Ouvi, cazaques, e compreendei: toda relação sexual de fêmeas chamadas Pamela apenas faz aumentar sua pureza e virgindade!” O próprio Borat havia escrito esse mandamento e conseguira fazer o governo aprová-lo, após reunir os faraós do Cazaquistão em uma sessão de cinema, onde foram exibidos diversos vídeos em que Pamela Anderson aparecia, que ele havia pego emprestado com o sacristão local.

Foram trinta e seis horas ininterruptas de filmes. Borat nunca pensou que alguém pudesse fazer amor tantas vezes e durante tanto tempo. O sexo com sua antiga e falecida esposa, Oxsana, durava apenas os minutos suficientes para ele tomar coragem de fazer aquilo, murmurar preces de proteção e “fincar a lança” no dragão à sua frente; então, Oxsana urrava e tombava de lado após terem concluído a encenação do Apocalipse, e o ato estava consumado.

Depois do rito macabro, Borat tinha de fazer algumas sessões de terapia com o psicólogo da vila (que também era o abortador oficial), até que mudasse de idéia quanto à ser castrado, fugir do país ou se tornar gay, vontades essas que o assombram ainda hoje, quando pensa em Oxsana. Não é de se estranhar, portanto, que ele tornou-se grande amigo do urso que violentou e matou sua primeira esposa, compartilhando com ele dinheiro, comida, Luenell e seu irmão Bilo. Nas datas festivas, os dois também perseguem juntos os judeus e uzbequistaneses.

Após terminar sua oração ao Sr. Jesus, que incluía uma prece para que os conflitos entre Índia e Paquistão chegassem ao fim (pois estavam prejudicando o livre trânsito de uísque e DVDs da Buttman) e para que passasse a existir banheiros femininos com paredes transparentes, Borat vestiu-se, penteou os cabelos, comeu alguns biscoitos, tomou um copo de leite com consistência estranha e saiu para o trabalho.A distância entre Kuzcek e Almaty, a cidade mais populosa do Cazaquistão, segundo as medidas oficiais, era de cento e treze vezes o tamanho da perna de uma prostituta. Em Almaty ficava a sede do Цанал Цристао, canal de televisão pirata independente fundado por Borat em 2007, que usava a freqüência da TV do Vaticano para transmitir sua programação.

Borat ia de bicicleta até Almaty todos os dias; ele não tinha carro, ninguém em sua vila possuía um. Algumas anciãs às vezes puxavam carroças em troca de arados ou panelas novas, mas esse tradicional meio de transporte cazaque não podia ser considerado um carro. Borat Sagdiyev havia voltado da América há alguns anos e vira automóveis de verdade por lá, máquinas comparáveis à ídolos pagãos, que ditavam as regras seguidas por todas as mulheres americanas. Essas coisas não existiam no Cazaquistão, mas talvez pudessem ser fabricadas quando os cientistas do governo concluíssem suas pesquisas sobre qual dos deuses faz os carros se moverem. Até o presente momento, Buda estava vencendo Zeus e Stephen Hawking por duas tentativas à zero.

A viagem até Almaty durou quase uma hora, o tempo habitual. Ao chegar, Borat estacionou sua bicicleta em frente ao prédio do Цанал Цристао e pendurou nela uma placa com os dizeres “Judeu transfigurado”; isso costumava manter longe os ladrões, embora não os crucificadores. Nesse dia Borat faria uma entrevista por telefone, o que era bastante comum, já que o Цанал Цристао só possuía dois pequenos estúdios, um dos quais era usado como orfanato, onde estavam sendo guardadas as crianças que seriam vendidas à popstars ingleses e americanos.Borat seguiu diretamente para sua sala, um pequeno quarto embaixo das escadas, que funcionava também como banheiro, cozinha e refeitório dos funcionários do Цанал Цристао (o produtor-executivo, Azamat Bagatov, o secretário, Ondana Bim Sadel, e três mil e cinqüenta e duas baratas, que se dividiam entre os cargos de contra-regra, recepcionista, alimento, faxineiro e vetor de diarréia).

Borat sentou-se em sua cadeira e procurou o número de telefone de seu entrevistado do dia entre os papéis espalhados sobre a mesa. Encontrou-o grudado em uma folha de um tutorial ensinando como usar a fossa sanitária na casa de sua futura esposa. Borat discou o número e aguardou atenderem do outro lado da linha. “Escritório do senador Barack Obama, pois não?”, uma mulher falou. Ao ouvir outra vez a voz de uma garota americana, Borat ficou bauduco. Se as americanas não se vendessem por preços tão altos, ele já teria comprado uma, certeza.

Continua…

Uma resposta para “Borat! Entrevistas Interculturais (1 de 3)”

  1. Laura Disse:

    Véi, borat bauduco foi meio… Forced meme is forced.
    Mas eu gostei do texto =D

    Esperando o próximo :g:

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