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A passagem do tempo. Esse é um dos grandes inimigos do homem, talvez depois do medo da morte, o medo de envelhecer seja um dos temores que mais afligem a humanidade. Inúmeros filósofos já discorreram sobre a passagem do tempo e seus efeitos sobre o homem e a pressão que esse inimigo lento, invisível e inevitável causa em nossas vidas. Mas o tempo e a passagem dele já foi tema de inúmeros filmes também.
No cinema um dos exemplos que podemos citar é Feitiço do Tempo, não é uma obra prima. Neste filme Bill Murray, enfeitiçado, é condenado a viver o mesmo dia eternamente, vivendo as mesmas situações repetidamente. Apesar do filme não ser brilhante como já foi falado, ele trata o tempo de uma maneira incomum, inserindo um elemento fantástico que é o fio condutor de toda a trama.
Mas esse post não é sobre o filme O curioso caso de Benjamin Button? Sim, e é justamente por esse filme também beber dessa fonte, do misterioso, sobrenatural, fantástico – chamem como quiserem – que esta introdução é importante. Toda a trama do filme de David Fincher é baseada em um fato incomum. Um homem que nasce com mais de oitenta anos, em todos os aspectos: físicos, de sáude e mentais. Não fosse apenas este fato incomum o protagonista, Benjamin, vai rejuvenescendo ao longo da história, contrariando a lógica e tudo que conhecemos.

O filme não se apóia totalmente no elemento fantástico para conduzir sua história. É uma história de luta, onde o protagonista enfrenta diversas dificuldades, descobre o valor da amizade e encontro um grande amor. Poderia ser um filme como qualquer outro drama, não fosse a o efeito inverso que a passagem da tempo tem sobre o protagonista.
Baseado em um romance de F. Scott Fitzgerald, o filme começa em 1918, com o final da Primeira Guerra Mundial e o nascimento de Benjamin. A mãe do menino morre no parto e devido a sua aparência bizarra, Benjamin é abandonado pelo pai. A sorte do bebê é ser encontrado por Quennie, uma empregada de um asilo de idosos, onde Benjamin é criado, ironicamente em meio a pessoas que possuem a mesma aparência que ele, mas que já estão no fim de suas vidas.
Um dos trunfos do filme são os efeitos especiais e a maquiagem dos personagens. Uma das coisas que impressiona é ver que o bebê, realmente se parece com Brad Pitt se ele fosse um senhor de oitenta e poucos anos. A mágica se deve a ‘pintura digital’, que utiliza como máscara o rosto do ator, envelhecido e mesclado ao corpo de um bebê, acrescentando-se o trabalho de sincronizar as expressões faciais, iluminação, rugas, manchas na pele, etc. O resultado é inacreditável.
A mágica se repete mais próximo do final do filme quando Benjamim, próximo aos ciquenta anos, tem uma aparência jovial, quase adolescente, quem nem o próprio Brad Pitt possui mais. A atriz Cate Blanchett que interpreta o par romântico de Pitt passa pelo mesmo processo e rejuvesnece a olhos vistos na edição digital e muita maquiagem. A jovem Daisy, papel da atriz, é uma representação perfeita de Cate adolescente.
Outra característica marcante do longa é a narração, que em vários momentos lembra o filme de Tim Burton, peixe Grande, mas sem o clima alegre e ao mesmo tempo sombrio do filme de Burton. No caso de o Curioso caso de Benjamin Button, há um maior apelo a realidade. A história é vendida como se fosse real, como se pudesse acontecer com o amigo do seu vizinho, aquele tipo de história que nunca vimos acontecer realmente, mas que, ainda assim, é possível acreditar nela.
Obviamente esse fio condutor absurdo é ao mesmo tempo o ponto fraco do filme , justamente pelo conformismo dos personagens perante a situação de Benjamin. Nenhum deles questiona o motivo desse nascimento – que é até sugerido para quem está assistindo o filme, como um segredo entre o diretor e a platéia, mas que não é compartilhado com os personagens. Tirando esse pequeno problema o filme é emocionante, tem o ritmo certo, não é cansativo, mesmo com suas quase três horas de história. Acompanhamos Benjamin em suas aventuras, visitando um prostíbulo pela primeira vez, trabalhando em um barco, conhecendo a Rússia e lutando na Segunda Guerra Mundial. É um filme envolvente, belo e triste, que nos faz torcer pelo casal de protagonistas, para que o amor entre os dois resista a inevitável passagem do tempo, mesmo que ela seja extraordinariamente incomum.





Janeiro 28, 2009 às 14:01 |
Nossa!Parabéns!Excelente análise!Estou louca para assisitir esse filme. Mas a promessa do ano mesmo, para os mais nerds será o Watchmen.Estou nas espectativas com esse filme. Rorschach e Doctor Manhattan são os meus heróis favoritos.
Utta!