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OK, eu não farei muitos rodeios para apresentar Neil Gaiman, todo mundo já deve ter ouvido falar dele, e quem não ouviu deve ler alguma coisa do Gaiman AGORA, porque ele é como um popstar da literatura atualmente. Já ganhou diversos prêmios, conseguiu uma legião de fãs espalhados pelo mundo e é uma espécie de Bono Vox da literatura, só que é ainda mais cool que o vocalista do U2.
Autor de Deuses Americanos, Coraline, Belas Maldições e uma pequena, porém não tão famosa série de quadrinhos (qual era mesmo o nome? Ah é SANDMAN), Neil Gaiman é conhecido por sua habilidade em construir histórias intrincadas envolvendo o cotidiano dos seres ordinariamente conhecido como mortais, frente ao desconhecido, temperando tudo com um caldo de mitologia de fazer inveja a muita gente, pois o escritor é um grande pesquisador e conhecedor de mitos.
Com toda essa fama não é surpresa o estardalhaço feito quando seus livros são lançcados. Com Os Filhos de Anansi foi assim. Lançado em 2005 o livro foi aclamado pelos fãs, ficou em 1º lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, e foi muito bem recebido pela crítica. Em Os Filhos de Anansi, Gaiman volta ao tema de seu primeiro livro, Deuses Americanos, e fala de divindades, ou melhor, de homens e divindades e qual é o resultado quando homens e deuses são colocados frente a frente.O livro começa nos apresentando Charles Nancy, um homem comum, vivendo uma vida comum, cuja única coisa extraordinária acontecendo são os preparativos de seu casamento comum. Mas não se enganem: Charles gosta da vida medíocre, aliás, quanto mais comum for a vida, melhor para ele. Acostumado a viver com o pai - um homem dado à excentricidades, que o envergonharam durante toda infância - o tímido Charlie sente-se seguro em sua vida ordinária.
O problema começa justamente quando o pai de Charlie falece, coicidentemente durante os preparativos do seu casamento – um último golpe para chamar atenção, na opinião de Charlie. Ao providenciar o funeral, Charlie descobre que seu pai era na verdade um Deus e que ele tem um meio irmão, semideus, chamado Spider.
Aqui cabe abrir um parêntese: o Sr. Nansi é, na verdade, a divindade africana conhecida com Anansi, o Deus Aranha. Na mitologia africana Anansi é o arquétipo do deus trapaceiro e brincalhão. Anansi tem o dom de contar histórias e nomear coisas. E aí está a primeira coisa que torna o livro interessante: a metalinguagem utilizada por Gaiman, colocando o próprio Anansi como um contador de histórias no enredo criativo de Gaiman. Este ciclo vai se estendendo cada vez mais quando são contadas à Charlie as histórias contadas por Anansi, nas quais ele próprio era protagonista. Histórias dentro de histórias, dentro de novas histórias.
Ao mesmo tempo em que Charlie vai descobrindo a verdadeira história da família e de sua origem, seu irmão Spider vai entrando cada vez mais na sua vida, ocupando cada vez mais espaço, e transformando a vida de Charlie em um caos completo, inclusive seduzindo sua própria noiva. Para isso lança mão de truques divinos que herdou do pai, junto com a personalidade divertida e trapaçeira. Spider é um personagem encantador, mesmo sendo totalmente anti-ético, egoísta e irresponsável, exatamente o oposto de Charlie.
Outro ponto interessante deste livro é o fato de utilizar o Deus Aranha como foco central, pois Gaiman vai costurando fio a fio a história sem que o leitor perceba, trabalhando com várias tramas menores que no final constroem a teia completa que compõe o livro. Os Filhos de Anansi segue uma tradição das obras de Gaiman: misturar a vida cotidiana com elementos mágicos, mas neste livro, como bônus, por trás desse roteiro fantástico encontra-se um tema bem conhecido por todos nós: a muitas vezes difícil relação entre pais e filhos.
Enfim, Os Filhos de Anansi é uma leitura recomendadíssima por este blog. Garantia de diversão certa e uma ótima forma, para quem não conhece Mr. Gaiman, para adentrar o universo fantástico de suas histórias e deixar-se levar pela teia costurada pelo Bono Vox da literatura.






Setembro 24, 2008 às 11:44 |
Rapaiz! Sábado passado eu estava na livraria e me deparei com este livro, já tinha lido sobre ele no Omelete, mas não quis comprar, pois ainda nem terminei de ler Deuses Americanos!
Setembro 24, 2008 às 13:24 |
Vale a pena comprar Smaily, éu acho até que é uma ótima opção de presente.
Todas as pessoas que conheço que leram o livro, adoraram!
Setembro 24, 2008 às 19:37 |
Eu quero.
Meu aniversário é semana que vem.
Isso foi uma indireta.
Setembro 25, 2008 às 18:19 |
É um dos livros que pretendo comprar assim que conseguir uma grana. Faltou citar só que Os Filhos de Anansi é uma espécie de “sequência” de Deuses Americanos, mas focada no senhor Nansi, que tem somente um papel secundário nele.
Setembro 25, 2008 às 19:56 |
Ahá, não postei aqui mas lembrei lá no fórum OmegaGeek, quem quiser dar uma lida nos comentários da galera lá clica aqui: http://forum.omegageek.com.br/showthread.php?p=33895#post33895
Novembro 18, 2008 às 14:18 |
[...] a Bruxa”, escrito em parceria pelos ingleses Neil Gaiman (de Sandman, Deuses Americanos, Os filhos de Anansi entre muitos outros) e Terry Pratchett (da série Discworld). Recheado de misticismo e humor (e [...]
Abril 21, 2009 às 0:44 |
[...] Gaiman mudou seu foco para a área da literatura, tendo publicado romances como Deuses Americanos e Os Filhos de Anansi, atualmente trabalhando em um livro de não-ficção sobre suas viagens pela China. Publicado em [...]